quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dia de Lisboa: Alberto de Oliveira, Inês Dourado e Deolinda

Um poeta portuense, uma pintora alentejana e uma cantora lisboeta, dizem-nos o que pensam da cidade 


Alberto de Oliveira (1873-1940)

Lisboa



Ó Cidade da Luz! Perpétua fonte
De tão nítida e virgem claridade,
Que parece ilusão, sendo verdade,
Que o sol aqui feneça e não desponte...


Embandeira-se em chamas o horizonte:
Um fulgor áureo e róseo tudo invade:
São mil os panoramas da Cidade,
Surge um novo mirante em cada monte.

Ó Luz ocidental, mais que a do Oriente
Leve, esmaltada, pura e transparente,
Claro azulejo, madrugada infinda!

E és, ao sol que te exalta e te coroa,
— Loira, morena, multicor Lisboa! —
Tão pagã, tão cristã, tão moira ainda...

, (in Poemas de Itália e Outros Poemas, 1939)


Viram o quadro de Inês Dourado. Então ouçam a Deolinda, a única lisboeta do trio a afirmar que

Lisboa não é a cidade perfeita (Letra e Música: Pedro da Silva Martins) - Ora, isso já nós sabíamos. É um segredo (parece que mal guardado) pelos lisboetas.

 Vamos lá ouvir a Deolinda:




“‘Inda bem que o tempo passou
e o amor que acabou não saiu.
‘Inda bem que há um fado qualquer
que diz tudo o que a vida não diz.
Ainda bem que Lisboa não é
a cidade perfeita p’ra nós.
Ainda bem que há um beco qualquer
que dá eco a quem nunca tem voz.
‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,
do alto daquela janela.
Há noites em que a saudade me deixa a pensar:
Um dia juntar-me a ela.
Um dia cantar…
como ela.

‘Inda bem que eu nunca fui capaz
de encontrar a viela a seguir.
‘Inda bem que o Tejo é lilás
e os peixes não param de rir.
Ainda bem que o teu corpo não quer
embarcar na tormenta do réu.
Ainda bem se o destino quiser
esta trágica historia, sou eu.
‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,
do alto daquela janela.
Há noites em que a saudade me deixa a pensar:
Um dia juntar-me a ela.
Um dia cantar…
como ela.”

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