sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dia do Porto: A Minha Cidade

Foto: José Magalhães



José Magalhães


Na minha cidade
Nasce o Norte insubmisso
E gente de rostos rugosos
Falando com impropérios
Nasce o regionalismo com viço
E nos belos Invernos chuvosos
Também nascem os mistérios

A minha cidade
Cheira a rio e cheira a mar
E tem poentes de ouro
A enfeitar o granito.
Tem pombas a esvoaçar
Rabelos colorindo o Douro
E mar até ao infinito.
Tem uma bruma no ar
Gente que é um tesouro
E pregões ditos em grito.

Na minha cidade
Fala o pobre e fala o rico
Comendo sardinhas e iscas
Fala a voz de uma paixão
Contra qualquer mexerico
Loas aos quadrados e às riscas
Gritam na pantera e no dragão
E quando os ouço, absorto
Sinto dentro de mim um frémito,
e ouço um grito
“VIVA, PORTO,
ÉS UMA NAÇÃO!” 

2 comentários:

  1. Cidade da bruma. Faz-me lembrar histórias dos portos do Mar do Norte por que eu tenho um fascínio.

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  2. Zé, tu estás a passar um período sublime! Não te conhecia esta veia poética.Abraço

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