terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (37)

Deve ter ficado na mente do leitor, a classificação feita, de forma conveniente para ele e adequada para os seus objectivos, de Edmund Leach: empiricistas e racionalistas. Este grupo, como outros já referidos: António Medeiros, Francisco Oneto, Manuel João Ramos, João Leal, Brian Juan O’Neill, Robert Rowland, Jorge Freitas Branco, seriam do grupo de empiricistas, conforme a dita classificação. No entanto, há tantas formas de entender a realidade intelectual dos académicos, que é melhor retirar classificações e deixar que a obra de cada um fale por si própria Mas, como classificar o saber dos académicos com tanta facilidade, se não for por conveniência? Eis que não tenho o valor de os classificar, apesar de conhecer a obra do Departamento.




Manuel João Ramos, é um vaso interessante. Combina pesquisa em texto em Etiópia, como pesquisa de observação participante de cidadãos motorizados. Tive o prazer de arguir o seu currículo nas sua provas de Agregação em 2002. Pessoa gentil, tem desenvolvido uma pesquisa inédita em Portugal sobre acidentes rodoviários, desde Novembro de 1999, como está referido no seu currículo FCT. Não apenas ensina, bem como ou está em pesquisa em Etiópia ou nas ruas de Lisboa para recolher dados de cidadãos motorizados, para o Instituo por ele criado em Novembro de 1999, do qual é Presidente. A suas linhas de investigação, estão referidas no seu CV Dá Gois: - Estudos Etíopes - Estudos do Risco - Mitologia Cristã - Literatura de Viagem - Antropologia da Arte - Antropologia Visual - Conhecimento Antropológico- - Antropologia do Simbólico e Cognição.



O seu currículo está referido no Portal DáGois citado em nota de rodapé, que refere essa novidade para a Antropologia, ao ter organizado uma associação, da qual estimo fazer parte, pelos objectivos manifestados nessa a sua linha de pesquisa e de defessa da vida dos seres humanos, associação que permite a nós, peões desmobilizados, andar pelas ruas sem problemas. A Associação é: Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, membro fundador e Presidente desde Novembro de 1999, até a época actual . Das suas linhas de investigação, o que mais interessa é a sua procura em Portugal e Espanha: Análises Operacional de Flujos Pietonales de Portugal y España, começada em 2006, bem como Pedestrians Quality Needs, começada no mesmo ano. Resultado destas as suas actividades, são os livros que aparecem no seu currículo Dé Gois . Mas não é apenas falar da vida académica, é também referir, com gentileza, aspectos pessoais. Há um que eu lembro bem: quando João de Freitas Leal deixou a Presidência e por causa de todos os nossos colegas desejarem a sua ré –candidatura , o que ele não aceitou em 1999, Manuel João Ramos esteve a espera de candidatos e, ao ver que ninguém se inscrevia, o nosso hoje Professor Associado apresentou a sua candidatura à Presidência do Departamento. Foi-me solicitado por vários para eu também me candidatar, o que eu aceitei e, 20 minutos antes de acabar o prazo, inscrevi-me com uma testemunha e uma condição: ser membro da Comissão Científica do nosso Departamento, o que foi aceite pelos meus apoiantes. Á reunião de Departamento de Abril de 2000, o fiscal das eleições, Robert Rowland, anunciou que havia dois candidatos, mas rapidamente Manuel João Ramos levantou o braço e disse que retirava a sua por causa de ser eu o outro candidato e que um Catedrático era melhor para Presidente que um Professor Auxiliar, como era nesses dias. Esse gesto que o honrou, levou-me a mim a ser o único candidato e fui eleito por unanimidade. Não podia adivinhar que estava a me submeter a uma paródia da tentativa de Fuzilamento da minha pessoa, como em Setembro de 1973, não por causa dos colegas, bem como por causa do trabalho que tudo na Presidência implicava, já narrados.

É impossível referir todos com detalhe. Há imensas pessoas que têm passado pelos meus tricinco em Portugal. Ora, o Departamento tem sido o mais importante para mim e os seus membros têm substituído a minha família de alguma maneira. Nem todos, mas, nos meus sentimentos, são tudo, saibam ou não. Esses tricinco são sem Allende, mas com o exemplo de muitos portugueses que me ensinaram imenso, não apenas ciência, bem como muita paciência. Essa paciência aprendida de pessoas mais novas, com muito recato e a tentar não dar nas vistas, como é o caso de Francisco Manuel da Silva Oneto Nunes, ou Francisco Oneto, esse hábito português de encurtar nomes o procurar o mais diferente possível, como é este o caso de exemplo. Francisco Oneto, fã do biólogo chileno Humberto Maturana, cujo pensamento está sintetizado na nota de rodapé Perante esse tipo de pensamento é que Francisco Oneto ficou de olhos abertos, ao pesquisar a arte de pescar ou a arte xávega, uma arte de pesca de alastro dos peixes, que combina pesca e agricultura, referida na tese de Francisco Oneto e na página web sistémica, recíproca e ritual de pescar. O nosso novo Doutor escreveu: Hoje por mim, amanhã por ti. A arte Xávega no Litoral Central Português, tese defendida para o grau de Doutor em Junho de 2006, aprovada com o máximo valor. O que interessa não é submeter a novo “julgamento” teórico e etnográfico ao nosso colega. É para mim, apenas dizer que é uma pessoa, aberta, de olhar nos olhos, que enquanto falei com ele ao telefone hoje, disse que se tinha lembrado de mim ao ouvir música chilena. Ou, nos corredores – nunca consegui que ele puder entrar ao meu Gabinete -, falava-me com grande entusiasmo de Humberto Maturana, quer pela sua filosofia referida em nota de rodapé, quer pela simpatia para comigo de saber que eu era um chileno exilado, como Humberto Maturana, os dois, socialistas. As ideias para a tese, entre outras, foram também inspiradas pela teoria da autopoiese de Maturana, que incorporo no texto: “Autopoiese (grego auto próprio, poiesis criação) foi o termo cunhado na década de 70 pelos biólogos e filósofos chilenos Francisco Varela e Humberto Maturana para nomear a complementaridade fundamental entre estrutura e função. A denominação autopoiese é a fusão de dois termos: “auto” que refere-se ao próprio objecto e “poiese” que diz respeito à reprodução/criação A autopoiese é uma terminologia empregada inicialmente por dois biólogos chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela para designar os elementos característicos de um sistema vivo e sua estrutura. As pesquisas sobre tal objecto de estudo apontaram uma definição de vida como sendo a autonomia e constância de uma determinada organização das relações e os elementos constitutivos desse mesmo sistema, organização essa que é auto-referencial no sentido de que a sua ordem interna é gerada a partir da interacção dos seus próprios elementos e auto - reprodutiva no sentido de que tais elementos são produzidos a partir dessa mesma rede de interacção circular e recursiva . A produção intelectual de Francisco Oneto narra a arte da pesca, quer nos seus livros publicados, quer nos textos escritos para revistas e actas, todas referidas no seu citado currículo. A Arte Xávega de pescar, investigada na praia aldeã de Vieira de Leiria, pode-se ler em

E de simpatia em simpatia, esta a minha família de exílio, também tem entre os seus membros a Clara Afonso de Carvalho, declarada Africanista, o meu ponto de apoio na Presidência, como Presidente da Comissão Científica em turno com a minha antiga discente, Antónia Pedrouço de Lima e a actual Presidente do Departamento, a Professora Rosa Maria Perez. Uma de cada vez. Cada simpatia acompanha a outra, além das outras Senhoras Professoras já referidas, essa minha família inventada em Portugal, ou, parafraseando a nossa escritora Isabel Allende no seu livro Mi Pais Inventado, referido na Introdução deste o meu texto, a minha inventada família.

Clara Afonso de Carvalho tem feito pesquisa na Guinea–Bissau, base não apenas das suas provas, bem como das suas publicações, referidas no sítio net citado em nota de rodapé , especialmente as suas pertenças académicas e os seus trabalhos. O seu nome é tão cumprido, que é conhecida apenas como a Professora Clara Afonso, mas o seu nome real é Clara Afonso de Azevedo de Carvalho Piçarra, a quem eu denomino a Morgadinha de Mortagua, pelas posses de casa e terra da sua família, especialmente a sua mãe, Dona Celsa de Albuquerque, em Mortagua, Beira Alta, e o seu parentesco colateral ao casar um irmão da sua mãe com a Dona Ifigénia de Albuquerque, com os antigos Morgados- título hoje em dia inexistente e família desaparecida, excepto a Dona Ireninha de Albuquerque, a mais nova da família, no meu sítio pessoal de pesquisa na Beira Alta, Vila Ruiva onde nos encontrámos um dia quando o Senhor Tiago de Albuquerque, ou Senhor Tiaoginho como era denominado por ser solteiro, era ainda vivo. Clara Afonso abandonou os seus Régulos e a sua análise do poder na Guiné portuguesa e me ajudara colocar Bolonha dentro do nosso Departamento. Ou, mais bem, foi ela quem fizera todo o trabalho, comigo e a nossa Comissão Científica ao pé dela. O seu objecto de pesquisa tem sido o poder dos Régulos, o reis de etnias na Guiné, sobre os quais tem escrito e perguntado qual o seu poder após a colonização, para concluir hipoteticamente que os Régulos têm o poder que o poder colonial português lhes permite. A sua obra toda, está referida na sua história curricular , especialmente publicações e ensino. A sua linha de pesquisa é definida como Antropologia, eu acrescentaria, da África. É afamada por ser uma trabalhadora perseverante e persistente, testemunha do qual, sou eu próprio. Alem dos seus trabalhos em Portugal, é Visiting Professor na Universidade Brown , nos Estados Unidos. É uma excelente membro da minha inventada família. Apesar de ter trabalhado imenso, nunca desiste!. É arregaçar as mangas e se lançar ao trabalho! Como fez comigo e sempre deve fazer. Qualquer dia é presidente do nosso Departamento! Faltam as provas de Agregação e lá estamos!

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Notas:
 
Manuel João Mendes da Silva Ramos está referido no sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Manuel+Jo%C3%A1o+Ramos+curr%C3%ADculo&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente em: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=9285796821259209




Nov/1999 - Actual Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, Membro fundador.

Presidente. Tenho reiterado a Associação, para facilitar a leitura, caso o leitor quiser saber mais.



Retirado de: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=9285796821259209

Huberto Maturana, matemático chileno, referido em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Maturana e que diz: Biólogo chileno, crítico do Realismo Matemático e criador da autopoiese, Humberto Maturana faz parte dos propositores do pensamento sistêmico

"Dizem que nós, seres humanos, somos animais racionais. Nossa crença nessa afirmação, nos leva a menosprezar as emoções e a enaltecer a racionalidade, a ponto de querermos atribuir pensamento racional a animais não-humanos, sempre que observamos neles comportamentos complexos. Nesse processo, fizemos com que a noção de realidade objetiva, se tornasse referência a algo que supomos ser universal e independente do que fazemos, e que usamos como argumento visando a convencer alguém, quando não queremos usar a força bruta." (extraído do livro "A Ontologia da Realidade" de Humberto Maturana - Ed. UFMG, 1997



http://www.vagueira.com/artexavega.html A arte Xávega é um tipo de pesca de arrasto só que, com a diferênça que o barco sai de terra deixando já uma corda que está sempre ligada a este dando a volta a mais de 500 metros de distância da costa este deixa a rede que depois é arrastada até á praia puxada por bois que auxiliados por tractores , trazem o peixe que pelo caminho encontra. Em vias de extinção, Francisco Oneto dedicou o seu tempo de pesquisa a esta arte em vias de extinção, que revela a reciprocidade entre pescadores e agricultores, normalmente os mesmos a fazer os dois trabalhos. Quem está no mar, toma conta dos peixes enquanto os seus parentes ou vizinhos em terra, da agricultura. Esta arte xávega, típica da Nazaré, onde ainda subsiste, está também referida em: http://www.freguesia-nazare.com/jf/index.php?Itemid=43&id=54&option=com_content&task=view

retirado da pagina web: http://pt.wikipedia.org/wiki/Autopoiese bem como da leitura do texto do nosso novo Professor Auxiliar

Francisco Oneto,2004: A Arte Xávega na Praia da Vieira. Histórias e Imagens, Editado pela Junta de Fregresia de Vieira de Leiria, livro de Francisco Oneto, recenseado por Paulo Mendes em Etnográfica Vol. 10,Nº 1, Maio, 2006.

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Clara+Afonso+de+Carvalho&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=

Clara Afonso de Carvalho é conhecida como a fundadora do Mestrado Antropologia Colonalismo e Pós Colonialismo, desde 2001, no ISCTE, e como Presidente do Centro de Estudos Africanos da nossa instituição. Ver o sítio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Clara+Afonso+de+Carvalho&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= e a página curricular web: http://www.degois.pt/visualizador/curriculum.jsp?key=1642821678105807

A informação sobre a Brown univerity, diz: Brown University is a private university located in Providence, Rhode Island. Founded in 1764 as the College of Rhode Island, it is the third-oldest institution of higher education in New England and seventh oldest in the United States, página web: http://en.wikipedia.org/wiki/Brown_University

(Continua)

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