quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Teixaira de Pascoaes e Eugénio de Andrade - Dois poetas, um fotógrafo e a cidade



Diz Teixeira de Pascoaes:Porto da minha infância!

A primeira impressão que me causaste

Tenho-a, cheia de espanto, na memória,

Cheia de bruma e de granito!

É uma impressão de inverno,

Sombra cinzenta, enorme, donde irrompe

Alto cipreste empedernido,

No meio de sepulcros habitados.
Diz Eugénio de Andrade:

Meti-me por setembro fora, a caminho do fulgor das maçãs, deixando para trás os bruscos golfos da tristeza e uma luz de neve quebrada de vidraça em vidraça.
Contemplava a cidade das pontes pela última vez, envolvida por lençóis encardidos e uma névoa que subia do rio para lhe morder o coração de pedra.
Era um burgo pobre, sujo, reles até - mas gostaria tanto de lhe pôr um diadema na cabeça.

Eugénio de Andrade, Memória Doutro Rio, Porto, Limiar, 1978.

Foto de José Magalhães

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