domingo, 2 de dezembro de 2012

O Banda Larga - novo blogue

                                                               BANDA LARGA    
                                                         autoestradas de informação                                                   



                                                http://bandalargablogue.blogspot.pt/
                                                     

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A VIAGEM DOS ARGONAUTAS

O NOVO ENDEREÇO DE A VIAGE,M DOS ARGONAUTAS É

http://aviagemdosargonautas.net

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

oclarinet: Alteração de feriados? A Igreja Católica já paga i...

Ora, aqui está uma opinião firme e fundamentada. Eu junto-me ao autor nas eventuais comemorações clandestinas....

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A VIAGEM DOS ARGONAUTAS

 

Terminada a viagem do Estrolabio, boa parte dos seus antigos autores lança-se em nova aventura, por outros mares. Poderão encontrar-nos em http://aviagemdosargonautas.blogs.sapo.pt/. Prometemos que todos serão bem-vindos a bordo, sejam marujos inexperientes ou velhos lobos do mar.


 

sábado, 8 de janeiro de 2011

Nova morada do estrolabio



Passámos a estar em:


http://estrolabio.blogs.sapo.pt

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sempre Galiza! – Benedicto Garcia e José Afonso, a mesma canção

coordenação de Pedro Godinho

Benedicto Garcia, um dos grandes nomes da música galega, além de amigo foi um dos companheiros musicais do Zeca.
Como ele próprio contou, depois de ouvir músicas do Zeca, em Abril de 1972 e obtida que fora a morada junto da editora, o Benedicto e amigos viajaram para Portugal e foi bater à porta da casa do Zeca, em Setúbal. Desconfiado pela vigilância a que a PIDE o submetia, o Zeca começou por bombardear de perguntas os quatro galegos surgidos do nada. Iniciou-se ali uma longa amizade e companheirismo musical e de solidariedade política internacional.
José Afonso tocou repetidamente por terras galegas e foi acompanhado por músicos galegos – não apenas na Galiza – em muitas actuações e gravações. O mesmo José Afonso que declarou que a Galiza era para ele também uma espécie de pátria espiritual.
Fruto da convivência de ambos, e das confluências galego-portuguesas, foi a coincidência de terem, cada um do seu lado, composto uma versão inspirada pela mesma canção raiana que tinham conhecido em férias conjuntas: "Nossa Señora da Guia" (no álbum de Benedicto, Pola Unión) e "Chula da Póvoa" (no álbum de José Afonso, Com as minhas tamanquinhas).

 

Aqui fica a história tal como contada pelo Benedicto:
«No verão do 73 fomos á Illa da Fuzeta para estrear umas tendas de campismo que compráramos em "Trigano" numa viagem a França e Bélgica, á que viera o Zeca e o meu camarada Bibiano.
A estrea foi por tudo o alto e a ela asistiron o Zeca e a Zèlia, os miúdos, Pedro e Joana e nós, Maite e eu. A do Zeca, familiar, com vários quartos, já se adivinhava de lonje que não ía ser morada do seu dono que na altura andava lixado coa súa perenne insomnia. Nós, os galegos, ficamos naquela tenda máis pequena que para dois era de máis. Aliás, e único que había a fazer naquela illa despovoada (a penas ían pessoas e non había nem "vaporetto" nem nada parecido e assim as viajems ao "continente" eram a "brazo", a vogar co remo) era poñer o coiro, tudo o coiro, ao sol, para escándalo, é verdade, de algúms. Si había dúas casotas de tijolos e um "barsinho" com petiscos ao que se integrava o Zeca e família cada día para tomar aquela marabilla de sardinhas grelhadas. Não tenho a certeza de se são as melhores as de além ou as de Rianxo, na ría de Arousa, ou as de Safi, no atlántico marroquino, onde as tomamos no ano 2000 numa viajem que fizemos coa Zèlia e onde há muitos portugueses a travalhar, entre eles um tío da Zèlia que era a quem íamos em particular a visitar naquele porto tão cheio de color e alegría. Isto deve ser aplicável a casi tudos os portos, hajo eu, de jeito que não estou a descuvrir nada novo, pero dado que pasávamos pelo sabor das sardinhas...
No día a seguir á "inauguração" do campamento (as tendas eram as sôzinhas que lá havía) chegou pelo lugar o Zé Manel, o filho máis velho do Zeca que andava, também, de férias. Vinha do Norte e trazía um pressente muito especial: além, diante dos dois (e imagino que havería algúms máis) tirou de viola e empezou a cantar uma canção "raiana", que segundo as súas fontes, era cantada nas celebrações nas dúas beiras do Minho, no norte galego e no sul portugués. A canção, simples de composição, tinha tres quadras:
Nosa Senhora da Guía
Guía aos homens do mare
Venha ver a barca vela
Que se vai deitar no mare
Nosa Senhora vai dentro
Os anjinhos a remare
A partir desse momento a canção, tal e como estava, foi incluída por nós nos espectáculos que sempre realizávamos acompanhándonos mutuamente para, com máis ou menos fortuna, sumar dúas violas e, sobre de tudo, dúas vozes, pois os dois éramos moito dados a fazer dúos. Sempre era eu quem aprendía alguma nova forma de impostar, de flexionar a voz, de construir as segundas vozes á "alentejana" ou como fosse. É a vantagem de compartir com um génio: um sempre receve muito, muito, muito...
A partir do 25 de avril, não voltamos a ter esta espécie de parelha (o seu lugar sería ocupado pelo Bibiano ata o 78). Aínda que sempre mantivemos, até o fim dos seus días, a mesma cordialidade, o "guião" que tinhamos que interpretar foi outro bem diferente. Em tanto que, em Portugal, as liberdades inundavan as rúas e o Zeca tinha que dedicarse a canalizar tuda aquela energía desbordante que o mantinha em constante "bebedeira" intelectual, artística, política e humana, em Espanha aínda tardaríam em chegar: em fevereiro do 77 aínda eram prohibidos espectáculos.
No mes de maio desse ano gravei o meu primeiro L.P.: "Pola Unión" e nele havía uma canção intitulada "Nosa Señora da Guía":
Nosa Senhora da Guía
Guía ós homes do mare
Veña ver a barca vela
Que se vai deitar no mare
Nosa Señora vai dentro
E os anxiños a remare
En Ourense as gueivotas
Non saben o que é voare
Os mariñeiros traballan
No mare da liberdade
Outros pesqueiros reventan
Prós señores engordare
Hai un caravel vermello
No fusil do militare
Quen non viu cantar un vello
Non sabe o que é cantare
Coa emoção própria do neófito (e eu éra-o pois a penas gravara um e.p. de 4 canções no 68 em Barcelona) dinlhe ao Zeca o disco e ele fez o próprio e trocou-o por um dele. Neste dico estava "Chula da Póvoa" a súa versão, máis portuguesa, com uma irmá no meu disco, máis galega.
Á "Nosa Señora da Guía" aconteceu-lhe o melhor que lhe pode acontecer a uma canção: sem saver a súa origem, sem saver sequera quem a gravou, algúms, moços e não tão moços cántana pelas rúas.»


Fica também a letra, ajustada ao momento, que o Zeca associou à música:
Chula da Póvoa (José Afonso, 1976)
Em Janeiro bebo o vinho
Em Fevereiro como o pão
Nem que chovam picaretas
Hás-de cair, Rei-Milhão
Adeus, cidade do Porto
Adeus muros de Custóias
Cantando à chuva e ao vento
Andei a enganar as horas
Tenho mais de mil amigos
Aqui não me sinto só
Cantarei ao desafio
Ninguém tenha de mim dó
Ó meu Portugal formoso
Berço de latifundiários
Onde um primeiro ministro
Já manda a merda os operários
Já hoje muito maroto
Se diz revolucionário
E faz da bolsa do povo
Cofre-forte do bancário
Camaradas lá do Norte
Venham ao Sul passear
Cá nas nossas cooperativas
Há sempre mais um lugar

Interessante ainda ouvir a versão que mistura instrumentos dos gaiteiros Treixadura e vozes dos gaiteiros de Lisboa:






Ligações:
Associação José Afonso: 
Blogue de Benedicto Garcia Villar: 

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sempre Galiza! - Gala homenaxe (2007) a Zeca Afonso - 9

coordenação de Pedro Godinho

No último vídeo da homenagem ao Zeca, em Pontevedra em Abril de 2007, temos o Sérgio Godinho, com No lago do Breu, seguindo-se o fecho com todos os intervenientes a cantar, claro, a Grândola Vila Morena.
Sempre Zeca, obrigado.



domingo, 2 de janeiro de 2011

Voz que escuta, de Políbio Gomes dos Santos







Políbio Gomes dos Santos 
(1911-1939)
Voz Que Escuta

João Machado


No corrente ano de 1911 faz cem anos que nasceu Políbio Gomes dos Santos. No mesmo ano nasceram Manuel da Fonseca e Alves Redol, conforme já foi lembrado aqui no VerbArte. Políbio Gomes dos Santos faleceu em 1939, de tuberculose. No mesmo ano concorrera aos Jogos Florais Universitários de Coimbra, vencendo o prémio António Nobre, com um volume de poemas que mais tarde foi incluído no Novo Cancioneiro, e publicado em 1944. Esse volume tomou o título de Voz Que Escuta, de um dos poemas nele incluídos. Políbio Gomes dos Santos publicara anteriormente, em 1938, As Três Pessoas, outro livro de poemas, que Alexandre Pinheiro Torres, na apresentação que faz do poeta e da sua obra, incluída na edição da Caminho do Novo Cancioneiro saída em 1989, considera indispensável ler para se poder apreciar inteiramente o segundo volume da obra. 

Apresento-vos a seguir Poema da Voz Que Escuta, para recordarmos Políbio Gomes dos Santos e a sua obra, neste ano em que se completa o centenário do seu nascimento:

Chamam-me lá em baixo.
São as coisas que não puderam decorar-me:
As que ficaram a mirar-me longamente
E não acreditaram;
As que sem coração, no relâmpago do grito,
Não puderam colher-me.
Chamam-me lá em baixo, 
Quase ao nível do mar, quase à beira do mar,
Onde a multidão formiga
Sem saber nadar.
Chamam-me lá em baixo
Onde tudo é vigoroso e opaco pelo dia adiante
E transparente e desgraçado e vil
Quando a noite vem, criança distraída,
Que debilmente apaga os traços brancos
Deste quadro negro - a Vida.
Chamam-me lá em baixo:
Voz de coisas, voz de luta.
É uma voz que estala e mansamente cala
E me escuta. 

Nova morada do estrolabio

__ A partir de hoje, 3 de Janeiro de 2011, passamos a estar aqui:



http://estrolabio.blogs.sapo.pt

Sobre as avaliações, sobre os rating, sobre os professores

Júlio Marques Mota


Em tempos idos pensava que o neoliberalismo não avançava tão rapidamente na sociedade portuguesa como o está a fazer actualmente no ensino, mesmo quando o sistema dá sinais evidentes de estar quase defunto. Feita a reforma do ensino superior, dita reforma de Bolonha, pensava eu, ingenuamente, que algum pudor haveria em avançar com mais reformas antes de estabilizar esta e portanto que se passaria primeiro por uma análise em profundidade desta reforma, na óptica de quem a lançou no terreno, neste caso na óptica de Mariano Gago e de quem o acompanha, de quem o defende, de quem o serve ou d equem é obrigado a servi-lo. Mas não, mais uma vez me enganei. O ritmo de reformas avança, e agora é a avaliação dos docentes que avança, é o sentido da classificação, da quantificação da qualidade que se pretende, pretende-se assim o impossível mas como não é crível que intelectuais e técnicos assumidos andem a trabalhar para querer o que toda a gente sabe que é impossível, então o objectivo é outro, para mim é certo de que o que se pretende é garantir, agora ou depois, um certo ritmo da desclassificação, um certo ritmo de redução de custos. De resto, agora nem sequer se fala em promoções. Então avalia-se oara quê? Alguém é capaz de me dizer? Penso ter razão e, se assim é, ninguém mente pois nos tempos de crise que se vivem em que todos os cofres estão vazios, promover, significa agora despromover, e é disso que se anda à procura. Evita-se a mentira de o dizer.

Amanhã tem início a publicação de uma nova obra de José brandão

UMA CRONOLOGIA DA GUERRA COLONIAL

todos os dias às 18:00 horas



Para que serve a Arte (2) (Uma visão pessoal)

Adão Cruz

O conteúdo de uma obra é uma nova visão da realidade, às vezes um conflito, uma ponte ou uma travessia difícil entre a ideia e o Homem. Uma travessia sem demonstrações de verdade nem garantias de segurança. A única garantia é que algo muda dentro de nós e do mundo, por via da total liberdade do artista. A Arte é uma das formas mais livres de investigação e expressão de ideias e uma das maiores fontes de enriquecimento da nossa espontaneidade.
O artista é um ser vivo em mutação constante, com profunda experiência da vida, da alegria e do sofrimento do viver. O artista, ainda que nem sempre culto no sentido global do termo, está mais ou menos profundamente inserido no mistério da Natureza e das relações humanas, tal como o cientista e o filósofo, investigando, descobrindo e propagando ideias. Ele é dotado da energia, da acção, da sensibilidade, da curiosidade, da rebeldia e da capacidade de sofrimento necessárias à ânsia de conhecimentos novos, sem a qual não é possível uma personalidade artística profunda. Uma personalidade capaz de dirigir o olhar para outros mundos, outras formas de ser e de estar, outras maneiras não doutrinadas de olhar a existência.
A vivência da Arte é absolutamente singular e não tem paralelo com outro tipo de vivência. Há quem diga que aquele que não vive a Arte não vive a vida. Não querendo ser tão radical, prefiro dizer que quem não vive a Arte não sabe o que perde. Quem vive uma obra de Arte, poderosa expressão da essência humana, está constantemente a aprender uma experiência vivencial que não faz parte dos nossos padrões habituais de reflexão. E pode, se o estímulo, a sensibilidade e o sentido artístico tiverem a força necessária, alcandorar-se a instâncias onde reside uma fruição única do prazer estético.

O Processo Educativo - nova obra do Professor Raúl Iturra a partir de amanhã, dia 3 de Janeiro, às 15 horas



«Todo o grupo social precisa de transmitir a sua experiência acumulada no tempo à geração seguinte, como condição da sua continuidade histórica. O facto de os membros individuais do grupo estarem sempre a renovar-se, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber e existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que permaneça no tempo histórico. A questão está em saber se é mais útil para a reprodução do grupo que os novos reproduzam o saber; ou que entendam a necessidade dele por meio de praticar a sua utilidade. O primeiro seria ensinar o que já se tem, subordinada à letra do que já se possui como explicação da natureza e das relações entre os homens; o segundo seria aprender o processo que dinamiza as operações pelas quais a mente humana resolve uma questão cada vez uma problemática se lhe coloca. »

Da Introdução

A partir da próxima segunda-feira às 15 horas

O PROCESSO EDUCATIVO
Por Raúl Iturra
____________________________

Direcção de Augusta Clara de Matos



Apresentação




Delícias são tudo o que nos faz felizes. E é para isso que queremos contribuir com esta rubrica do Estrolabio: para espremer a dura realidade e dela extrair as gotas do néctar que, apesar de tudo, contém.

Quando lemos o texto que alguém escreveu, o poema em que os tocados por varinha mágica transformam a dor e a alegria, as cartas que amigos ou amantes trocaram, quando olhamos as imagens que a paleta guiada pela mão dum artista produziu, quando entramos em êxtase através de sublimes sons que nos invadem o éter, o que somos senão felizes?

Ao nosso Jardim vai faltar apenas o que saboreamos e o que tocamos para as delícias morarem todas aqui. Mas mais não conseguimos. Somos, apenas, pobres virtuais. Só esperamos conseguir empolgar-vos de modo a experimentarem no mundo real todos os prazeres que aqui faltarem.

Mas o Jardim tem matizes. Nem sempre nele vai raiar o sol porque nunca isso acontece em lugar algum. Nos dias sombrios, as ameaças e os medos escondem-se em recantos insuspeitos. O que ele vai estar sempre é povoado por vibrações de vida. Disso não tenham dúvidas.

Venham connosco. Tragam as vossas palavras seja qual for a expressão que para elas adoptarem.

Haverá quem nos relate as vivências em Eu li, Eu vi, Eu ouvi, Eu fui; outros afirmarão que Quem Conta Um Conto…; quem vá informar que Hoje Falamos de…; os que nos trazem Boas e Más Memórias, auxiliares para melhor percebermos o mundo e os seres.

Destas e doutras coisas se falará neste sítio: do que vai acontecendo por aqui e por ali, do que a nossa imaginação nos permitir e das delícias que formos capazes de ir encontrando na arrecadação dos tesouros ao fundo do nosso Jardim.

Vamos começar com uma semana sobre a Criação Artística que poderá estender-se caso o interesse pelo tema assim o justifique.

É já amanhã, e será todos os dias às 14 horas que se abrirá o portão. Entrem e vagueiem a vosso belo prazer.

Como preâmbulo, um pequeno excerto de um texto de Carlos de Oliveira:

“Tornam a discutir-se entre nós certas ideias de filosofia da arte que pareciam ultrapassadas ou esquecidas. Debate-se outra vez a velha tese que admitia a gradual cegueira da arte à medida que o horizonte da ciência se fosse iluminando. Examina-se também de novo a “busca do intemporal”. E, coisa curiosa, é possível estabelecer uma ligação entre esses dois surtos, apesar da disparidade ideológica que os suscita. Em boa verdade, se o progresso científico ameaça liquidar a criação artística, porque não tentar salvaguardá-la “au-dessus de la mêlée” no intemporal? A antinomia entre ciência e arte, guerra de alecrim e manjerona mais ou menos fomentada pelo positivismo, pode servir deste modo uma escala de valores completamente opostos. E assim se volta a filosofia contra os filósofos.”

(in Almanaque Literário, O Aprendiz de Feiticeiro, Assírio & Alvim)

Os hoteis estiveram cheios para o réveillon...

Luis Moreira


Os mesmos que no anos anteriores enchiam os hoteis, lá estiveram nos lugares do costume, cheios de alegria, dinheiro no bolso e champagne a correr...


Não são tontos nem sequer pouco previdentes, não precisam, fazem parte daquela metade da população que vive bem, agora ainda melhor que antes, com vencimentos fixos, carreiras asseguradas, "boys e "girls" a ganharem muito acima do razoável.


A outra metade afadiga-se a encolher a barriga de fome, a pagar a renda da casa, a arranjar um emprego, a pagar os livros dos filhos. Isto tudo pela mão de dois partidos, um socialista e outro social-democrata. A caminho de um país socialista como reza a constituição...


Entretanto e como de costume, o governo tira com uma mão aos mesmos de sempre, aos que mais precisam e dá às chefias dos funcionários públicos, percebe-se bem porque César lá de entre as ilhas fez o que fez. Foi o ensaio, para ver como reagiam os cordeiros, abrir um precedente, "o César já fez o mesmo...", mas quem é que acredita ainda na boa fé desta gente?


No mesmo dia que nos anuncia que o transporte em ambulâncias passa a ser pago, aumenta os directores e sub-directores e, no rasto destes todos os outros, num "forrobodó" miserável, com a desculpa esfarrapada que não há aumento da despesa, há mesmo menos despesa segundo essa ex-sindicalista convertida em ministra.


Antes que o OE/2011 entre em execução fazem-se as últimas tropelias , ainda antes da meia noite foi anunciado um aumento de capital na Caixa Geral de Depósitos, prenúncio que mais 500 milhões vão entrar no sorvedouro do BPN, para evitar agora a falência pois ,a concretizar-se, o prejuízo a registar na Conta do Estado, equivaleria ao montante da poupança conseguida com todas as medidas de contenção da despesa anunciadas e que iriam salvar o país.


Os próximos 3 meses vão ser lindos, a violência já anda aí à solta e ainda não se fizeram sentir em pleno as medidas de contenção. Tal como diz o texto, O que se vai passar na Economia Americana, também em Portugal e na Europa há um fosso cada vez maior entre os ricos e os pobres, o que vai levar à criação de movimentos na sociedade civil que podem corresponder a uma espiral de violência.

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços.

Feliz Natal.

A Guerra da Cisplatina


Bandeira da Província Oriental
Carlos Loures

Em dois de Janeiro de 1825, eclodiu a guerra da Cisplatina. Foi um conflito armado entre o e a Províncias Unidas do Rio da Prata, de 1825 a 1828, pela posse da Província Cisplatina, a região do actual Uruguai. A região fora já disputada disputada por Portugal e Espanha desde a fundação pelos portugueses da Colónia do Santíssimo Sacramento em 1680. Foi objecto de tratados territoriais - o Tratado de Madrid, em 1750, o Tratado de Santo Ildefonso ou Tratado dos Limites, em 1777) e o Tratado de Badajoz, em 1801.

Coisas do futebol - por Carlos Godinho

2011 - As Equipas de Todos Nós




Se já não bastavam os problemas económicos, financeiros e sociais no nosso país, também o futebol quis juntar-se à causa, vivendo-se neste momento um período delicado na organização da modalidade. Já vivi alguns períodos transitórios difíceis, mas este é de facto um dos mais complicados. Sempre que se vivem momentos de tensão e confusão, nunca podemos afirmar com total certeza que esses problemas ficam isolados e que não se transmitem à própria estrutura organizativa que vai estando permanentemente no terreno. Se é verdade que as selecções nacionais se têm mantido distantes dos problemas, e não sofreram, até ao momento, reflexos directos das discussões públicas, não é menos verdade que a partir de meados de Janeiro, com o avolumar das actividades, pode-se correr o risco de contágio e essa será uma situação extremamente delicada. Só para acentuar o que digo, e sem falar nos estágios intercalares que irão decorrer a curto prazo, as selecções nacionais têm um conjunto de actividades extremamente intensas, até Julho de 2011, que passo a enumerar: a Selecção Nacional "AA" irá ter jogos de preparação com a Argentina, Chile e Finlândia, antes do jogo fundamental com a Noruega, em Junho, em Lisboa, decisivo para a nossa qualificação para o Euro 2012. A Selecção "Sub/21", sob novo comando técnico, terá jogos de preparação com a Suécia, Roménia, Dinamarca, Alemanha e Áustria e ainda o sorteio para o Euro 2013, já em Fevereiro. A Selecção "Sub/20" está em preparação para o Mundial da categoria que decorrerá em Agosto, na Colômbia, e terá vários jogos, além da participação no Torneio de Toulon, em Maio/Junho. As Selecções Nacionais "Sub/19" e "Sub/17" participarão nos respectivos Torneios de Elite, em Maio e Abril, respectivamente, que apurarão para as fases finais dos europeus. A Selecção de Futsal terá o apuramento para o Campeonato da Europa que decorrerá na Polónia, já em Fevereiro. A Selecção Feminina "Sub/19" tem também a qualificação para a respectiva fase final. Além das actividades referidas haverá ainda outras para as restantes Selecções Nacionais de "Sub/23", "Sub/18", "Sub/16" e "Sub/15" e "AA" Feminina, com bastantes torneios e jogos internacionais. Ou seja, uma actividade global imparável, que na prática, não pode, não deve, vir a sofrer grandes ondas de choque, sob pena de se colocar em causa muito deste trabalho, que não é só da FPF, mas de todo o futebol português, ou seja, dos clubes, das associações distritais, das associações de classe e do futebol profissional. Que o novo ano traga mais tranquilidade e consenso e que com os esforços e vontade de todos os envolvidos se chegue a um acordo para o futuro, em que ninguém perca e todos ganhem. São os meus votos para o futebol para 2011.

(in Todos Somos Portugal)


Bertolt Brecht


João Machado


1898 - 1956


Bertolt Brecht foi um dramaturgo, encenador e poeta alemão. Pelas descrições que lemos da sua vida percebemos que esteve sempre ligado ao teatro, e que este foi sempre o seu grande interesse. Teve de fugir da Alemanha com o advento do nazismo, viveu e trabalhou nos EUA e na Europa, e voltou a Berlim em 1948, onde fundou o Berliner Ensemble. A sua relação com o regime vigente na RDA foi contraditória; viu o partido comunista ordenar a retirada de cena da peça A Condenação de Lúculo, mas posteriormente atribuíram-lhe o prémio Estaline; os seus detractores acusam-no de lealdade ao regime, mas nunca terá aderido ao partido comunista. O que é inegável é que foi um autor de primeira importância. John Willett (1917-2002), um dos estudiosos da sua vida e obra, que traduziu várias das suas peças para inglês, no artigo que escreveu para a Enciclopédia Collier's, sublinha que Brecht foi acima de tudo um poeta com um grande domínio sobre as formas e os estilos, o que lhe permitia transmitir ao seu trabalho, sobretudo na sua fase mais madura, como que uma simplicidade forçada, com uma força verbal e uma energia que marcavam decisivamente as suas peças. A sua característica principal era o modo aperfeiçoado como conseguia combinar os elementos componentes do seu teatro (as palavras, a música, o enredo, a montagem, a encenação, a teoria) num todo, com tudo relacionado com a sua visão do mundo, marxista, plebeia e antimilitarista (os termos são de Willett).