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domingo, 19 de dezembro de 2010

Dos invernos do nosso descontentamento: de 2008 a 201?, da Islândia, passando pela Irlanda a uma outra qualquer xislândia europeia - 2

Eleja Vincent



II. Náufragos da Islândia

Ainda há três semanas, Ragnar Kristinn Kristjansson era um empresário a quem os ventos polares tinham dado sorte. Com 48 anos, este ruivo, dinâmico, vivia das suas rendas. A sua exploração de cogumelos tinha-lhe trazido a fortuna e a felicidade. Desde a baía envidraçada da sua elegante residência secundária, em Fludir, a duas horas de estrada a sudeste de Reykjavik, a capital, podia contemplar orgulhoso e sereno as vastas planícies vulcânicas da Islândia. Quando fazia bom tempo, o seu terraço era o ideal para admirar as auroras boreais.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Dos invernos do nosso descontentamento: de 2008 a 201?, da Islândia, passando pela Irlanda a uma outra qualquer xislândia europeia - I

Uma peça em três actos, o sonho de uma noite de Verão, o pesadelo do dia seguinte e um epílogo. (da compra um clube de futebol até à necessidade de comer tudo até limpar o prato, às igrejas abertas à noite como resposta)

Gerard Lemarquis

1. Islândia: um país à beira da falência
Um país à beira da falência, mendiga no estrangeiro um financiamento a curto prazo, com dois dos três grandes bancos nacionalizados, numa situação de catástrofe, uma inflação de 15% e uma moeda, a coroa islandesa, que, num ano, perdeu 60% do seu valor: esta é a situação actual da Islândia. Como é que se pôde chegar a isto? É a questão que se coloca ao Islandês médio que tem o sentimento de não ter participado em nada para esta triste situação.Esta crise que arrasa a Islândia não é de imediato visível. As grandes artérias de Reykjavik estão cheias dos mesmos sumptuosos 4×4, dia e noite. A floresta de gruas aí continua, pendendo sobre estaleiros parados. Ali, onde se devia construir um palácio da música, “um World Trade Center”, um hotel de luxo de 400 quartos e a nova sede do banco Landsbanki- em falência e nacionalizado desde terça-feira 7 de Outubro de manhã - só a sala de concerto será construída. Mas Reykjavik continua a ser ao mesmo tempo calma e habilidosa, com os seus céus de chuva fulgurantes e o seu desemprego inexistente.
Sim, como é que se chegou até aqui? A Islândia não é um país em vias de desenvolvimento, é uma sociedade muito moderna de 330.000 habitantes, a mais rica das nações nórdicas depois da Noruega, que bate todos os palmarés internacionais. É um Estado de Direito cujas instituições são análogas às dos países escandinavos. E no entanto, chegou-se até esta situação.
 Jornal Le Monde. 9.10.08.