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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

… e, de repente, o céu tombou-nos em cima da cabeça! (1), por José de Almeida Serra

José de Almeida Serra


Havíamos tido o PEC I e o II, com garantias, em cada qual, da resolução dos nossos problemas; só que nos faltava o III; como certamente nos faltará ainda um IV, um V e o que mais se verá; tudo por mal dos nossos “pec-ados”.

E, prestamente, muitos lembraram que haviam avisado – uns há uns meses, outros há um ou dois anos. Mas julgo que todos esqueceram os avisos, propostas e recomendações do Conselho Económico e Social – CES -, ao longo da última década.

Dei-me ao trabalho de compilar o que se escreveu em vários dos seus Pareceres, todos aprovados em Plenário por unanimidade ou quase unanimidade, e a conclusão é óbvia: há uma década, ou mesmo mais, havia-se feito o diagnóstico e apresentado propostas para muitos dos nossos problemas, apresentando-se a seguir quadro com algumas das recomendações formuladas (2). Diagnóstico e propostas que foram completamente ignorados pelos responsáveis políticos; todos os governos confundidos.

E, contudo, sendo o CES um órgão constitucionalmente previsto e com funções e responsabilidades fixadas a esse nível, podendo socorrer-se de quadros que estão certamente entre os de maior conhecimento do País, e sendo, porventura, a Câmara não exclusivamente política mais representativa da sociedade portuguesa, deveria ter merecido alguma atenção. Não mereceu.

sábado, 29 de maio de 2010

Salvar a Pátria!


Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010, por Henrique Monteiro


Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos. Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria. Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos. Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar. Por alturas do Governo de Guterres fui declarado ‘rico’ e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser ‘rico’… Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos! Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e – de uma forma inovadora – pagando mais impostos.

sábado, 22 de maio de 2010

Sócrates já faz parte do problema


Luís Moreira

Esta propaganda diária que diz que o país está a sair da crise (foi o primeiro diz o governo), que cresceu no último trimestre, que tem dinheiro para emprestar à Grécia, que tem dinheiro para os megainvestimentos, é muito prejudicial. Sócrates está em estado de negação, os membros do seu próprio governo desmentem-no, as trapalhadas são diárias e constituem profundas machadadas na já muito fragilizada credibilidade.

A Islândia, já em Outobro/Novembro, numa política de verdade, lançou um PEC sólido e duro com o objectivo de controlar as contas públicas. Meteu na prisão banqueiros e políticos, cortou na despesa de forma coerente, com especial incidência nas classes mais ricas, aliviou impostos no sentido de relançar a economia ajudando os que criam riqueza.

Aqui, ao contrário, temos um primeiro ministro que lança concursos para os quais não tem dinheiro, persiste na propaganda de uma situação que só ele vê, atira-se às classes mais desprotegidas, aumenta impostos retirando à economia o resto de meios que necessita para não cair em recessão.

E, com isto, perdem-se oito meses em relação à Islândia e aos outros países que começaram a trabalhar a tempo e horas, não mentindo aos seus povos, suavizando as medidas por terem sido tomadas com a situação ainda controlável.

Zapatero adia o TGV que o nosso governo inicia com a abertura e adjudicação do ramal Poceirão - Caia, à socapa adjudica nova autoestrada ao amigo Jorge Coelho.

Mas ninguem quer governar nestas condições, o Presidente tem um timing próprio, Passos Coelho deixa-se colar aos aumentos de impostos, Sócrates continua no filme que ele próprio realizou e de que é principal personagem.

Os banqueiros já se juntaram para dizerem em público o que Sócrates não quer ouvir em privado. Quem nos tira deste filme?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sobe, sobe, IVA, sobe...

Aí vai o IVA a subir, é o mais fácil de implementar, o que dá dinheiro já amanhã, as pessoas nem notam, o nosso primeiro já deve ter uma daquelas desculpas que nos tomam por parvos, estilo, "como os preços não subiram, devido à minha extraordinária capacidade de estadista, o IVA só vem repor o preço normal", uma mentira destas, que lhe saem da boca com a mesma facilidade com que arranja empregos milionários para os amigos.

Parece que vai ser um aumento de 1,5% mas só depois do Papa ir embora, porque o homem não gosta de mentir com santidades por perto, dá azar. O problema vão ser as contas, os computadores cheios de dores de cabeça por causa dos arredondamentos , e o pobre do cidadão a arrancar os cabelos (poucos...) que ainda tem para fazer o troco!

Entretanto, o PEC - Programa de Empobrecimento em Curso já está ultrapassado mesmo antes de ser posto em prática, o que mostra bem a competência e a visão desta gente que nos governa.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

É a crise, estúpido

Pedro Godinho

Pedro (educado): Bom dia, Primeiro.
José (divertido): Bom dia, Segundo. Ah, ah.
Pedro (amuado): Também não é preciso ser assim, vim para ajudar…
José (recordado): Mas a bruxa foi sempre só ataques pessoais, pá…
Pedro (seguro): É o que estou a mudar, assim não íamos lá e o pessoal está desejoso de voltar a fazer parte dos donos da bola.
José (estadista): O que é preciso é que vocês não se ponham ao lado dos outros e negativos contra tudo o que eu faço. Temos de cumprir com o PEC.
Pedro (solícito): Nós também queremos PECar… Precisamos é duma oportunidade de cooperação estratégica e a bem do país, claro.
José (acolhedor): Deixem então de ser um entrave às medidas que o país precisa… Agora é possível explicar tudo dizendo que é a crise e exigência do PEC.
Pedro (retraído): Mas o José contradiz-se ao insistir em avançar com os grandes investimentos para os quais não há dinheiro.
José (superior): Eh pá, não podemos parar tudo e há compromissos a respeitar. Fala com os teus autarcas que eles explicam... As máquinas precisam de óleo!
Pedro (aplicado): Vou ver com os meus conselheiros mas há coisas que não podemos deixar de criticar, para continuar a ter mão no clube.
José (agradado): É a crise… Porreiro, pá.