Carlos Loures
Aproxima-se o dia do centenário da implantação da República e vou, com esta série de três textos, encerrar o tema do Regicídio. Com a plena consciência de que muito (ou mesmo quase tudo) fica por dizer. Tendo servido de assunto a muitos livros, a questão do Regicídio não se esgota em pequenas crónicas que, como esta, apenas permitem aflorar, muito superficialmente, alguns aspectos. Como disse, todas as reconstituições iconográficas do Regicídio são, no mínimo imprecisas. A que vemos acima é, apesar de tudo, uma das menos fantasiosas. O cenário está perfeito, é a Rua do Arsenal sem invenções. O Costa está a ser agarrado pelo cívico que lhe vai disparar um tiro na cabeça. Mas, à esquerda vemos Buíça, que tinha ficado no Terreiro Paço e ali terá sido acutilado e morto. Todavia, mesmo com este erro, talvez seja, entre as muitas dezenas de reconstituições que vi, a que menos mente.
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sábado, 2 de outubro de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O Regicídio – Centenário da República
Carlos Loures
Continuando a referir os marcos essenciais da caminhada para a queda da Monarquia e para a proclamação da República, chegamos hoje a um ponto capital desse processo – o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908. É um tema fulcral e, por isso, já muita coisa foi dita. As versões são muitas e, raramente se aproximam da verdade. Por exemplo, o desenho que vemos acima, publicado na «Ilustração Portuguesa», aliás como todos os outros que foram aparecendo em publicações portuguesas e estrangeiras, dezenas e dezenas de versões iconográficas do atentado, são todas fantasiosas. Umas mais do que outras. Não existe nenhum documento iconográfico credível. Na época, as fotografias eram feitas com a máquina imobilizada, colocada num tripé. Quando a família real chegou à Estação do Sul e Sueste, os fotógrafos tinham as máquinas montadas e fizeram numerosas e irrelevantes fotos.
O barco “D. Luiz”, vindo do Barreiro, chegou pelas cinco da tarde à gare. Vinha com atraso relativamente à hora marcada, pois o comboio que trouxera desde Vila Viçosa a família real, descarrilara no apeadeiro da Casa Branca. Um mero acidente. A família real passara o princípio do ano no Paço de Vila Viçosa, como era hábito e um pouco depois das cinco da tarde daquele sábado, 1 de Fevereiro de 1908, chegara a uma Lisboa onde o clima político não podia ser pior. Na terça-feira anterior, dia 28 de Janeiro, tinha havido por parte dos republicanos aliados a alguns monárquicos dissidentes do Partido Progressista, uma tentativa revolucionária (que descrevi em texto anterior). Muitas prisões de altas figuras republicanas. O rei assinara em Vila Viçosa um decreto que ordenava a deportação desses presos para as colónias. O que incendiara ainda mais o espaço político, elevando a tensão a níveis insuportáveis.
Continuando a referir os marcos essenciais da caminhada para a queda da Monarquia e para a proclamação da República, chegamos hoje a um ponto capital desse processo – o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908. É um tema fulcral e, por isso, já muita coisa foi dita. As versões são muitas e, raramente se aproximam da verdade. Por exemplo, o desenho que vemos acima, publicado na «Ilustração Portuguesa», aliás como todos os outros que foram aparecendo em publicações portuguesas e estrangeiras, dezenas e dezenas de versões iconográficas do atentado, são todas fantasiosas. Umas mais do que outras. Não existe nenhum documento iconográfico credível. Na época, as fotografias eram feitas com a máquina imobilizada, colocada num tripé. Quando a família real chegou à Estação do Sul e Sueste, os fotógrafos tinham as máquinas montadas e fizeram numerosas e irrelevantes fotos.
O barco “D. Luiz”, vindo do Barreiro, chegou pelas cinco da tarde à gare. Vinha com atraso relativamente à hora marcada, pois o comboio que trouxera desde Vila Viçosa a família real, descarrilara no apeadeiro da Casa Branca. Um mero acidente. A família real passara o princípio do ano no Paço de Vila Viçosa, como era hábito e um pouco depois das cinco da tarde daquele sábado, 1 de Fevereiro de 1908, chegara a uma Lisboa onde o clima político não podia ser pior. Na terça-feira anterior, dia 28 de Janeiro, tinha havido por parte dos republicanos aliados a alguns monárquicos dissidentes do Partido Progressista, uma tentativa revolucionária (que descrevi em texto anterior). Muitas prisões de altas figuras republicanas. O rei assinara em Vila Viçosa um decreto que ordenava a deportação desses presos para as colónias. O que incendiara ainda mais o espaço político, elevando a tensão a níveis insuportáveis.
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sábado, 10 de julho de 2010
República nos livros de ontem nos livros de hoje - 60 (José Brandão)
Heróis Desconhecidos
Sousa Costa
Guimarães Editores, 1935
Alguns episódios destas páginas colhi-os em três, quatro e mais fontes – cada uma dando-me a sua versão, a sua verdade, sinceras muitas vezes, embora por vezes absolutamente contraditórias.
Por isso, eu sei que vai repetir-se com o livro Heróis Desconhecidos o caso já experimentado como romance Coração de Mulher – os acontecimentos políticos que condicionam o drama sentimental carimbados de legítimos ou ilegítimos conforme as becas que os julgam. Os republicanos acham-lhe sabor monárquico. Os monárquicos feição republicana. E no entanto, mereceu a António José de Almeida a afirmação, tal a sua comunicativa sinceridade, de que teria adiantado em meses a segunda amnistia aos presos realistas, se meses antes dela tivesse vindo a público.
Eu sei que se reeditará, em torno do volume de agora, o processo crítico do Brandões, Marçais & C.ª e do Buiças, Costas & C.ª - os factos…
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Sousa Costa
Guimarães Editores, 1935
Alguns episódios destas páginas colhi-os em três, quatro e mais fontes – cada uma dando-me a sua versão, a sua verdade, sinceras muitas vezes, embora por vezes absolutamente contraditórias.
Por isso, eu sei que vai repetir-se com o livro Heróis Desconhecidos o caso já experimentado como romance Coração de Mulher – os acontecimentos políticos que condicionam o drama sentimental carimbados de legítimos ou ilegítimos conforme as becas que os julgam. Os republicanos acham-lhe sabor monárquico. Os monárquicos feição republicana. E no entanto, mereceu a António José de Almeida a afirmação, tal a sua comunicativa sinceridade, de que teria adiantado em meses a segunda amnistia aos presos realistas, se meses antes dela tivesse vindo a público.
Eu sei que se reeditará, em torno do volume de agora, o processo crítico do Brandões, Marçais & C.ª e do Buiças, Costas & C.ª - os factos…
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