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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

VerbArte - A poesia? Para que serve a poesia?











Carlos Loures

Em  8 de Setembro, realizámos aqui uma “maratona poética” – 24 horas emitindo poemas a um ritmo alucinante. O tema comum a todas as obras foi a «a arte poética». Poetas de diversas nações e de várias épocas, da Grécia Antiga à actualidade, dissertaram sobre a poesia e sobre o seu artífice, aquele que com palavras, sensações e sentimentos, a tece e constrói, oferecendo-nos em palavras o fogo, a que muitos chamam espírito e a que prefiro chamar humanidade. Em muitos textos, encontrámos a explicação do poeta sobre qual o objecto da poesia; noutros a justificação para ele próprio, autor, se exprimir através de poemas. Não esgotámos o tema. O tema é inesgotável.

Façamos então  aqui fazer uma breve reflexão sobre a origem da poesia (e da arte em geral) e sobre a sua função específica dentro de uma comunidade. Sabendo que há obras mais recentes sobre o tema, vou, contudo, recorrer a uma obra que surgiu nos anos 60 do século XX, «A Necessidade da Arte», Ernst Fischer (1899-1972), um ensaísta austríaco. Dizia Fischer que «a arte é ela própria uma realidade social. A sociedade necessita do artista, esse supremo feiticeiro, e tem o direito de lhe pedir que tenha consciência da sua função social.»

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O capital e a capital

Carlos Loures

Nesta semana da Economia, não queria deixar de abordar um tema afim. Escolhi falar sobre capital. Acontece que Capital é palavra com muitos significados. Das mais importantes acepções destaco duas, dois substantivos com géneros diferentes – o capital, acepção do foro da Economia; a capital, na área da geopolítica. Dois famosos livros, entre muitos outros, celebram cada uma das acepções - «O Capital», de Karl Marx, e «A Capital», do nosso Eça. Como adjectivo tem também a sua importância – pena capital, por exemplo, para quem a ela tiver sido condenado, assume uma dimensão transcendente. Muito mais dramático do que não ter capital ou ainda pior do que viver nos subúrbios da capital.

“A Capital”, de Eça de Queirós, foi um romance que viria, depois, a dar lugar à sua obra-prima «Os Maias». Refere-se à capital de Portugal – Lisboa. No seu livro, Eça relata as vicissitudes de um provinciano numa capital, também ela provinciana. Porque naquela época final do século XIX, tal como agora, a capital era um espelho do País. Como se cada país tivesse a capital que merece.
Terá sido a necessidade de centralizar, de criar estruturas como, por exemplo, a Casa da Mina e da Índias que levou à criação de uma capital .. Creio que não se utilizava ainda, no século XV, o termo «capital», mas Lisboa começou nessa altura, como maior cidade do País, a concentrar as funções de «cabeça do Império», pois ali se acumulavam todos os órgãos gestionários quer das frotas que demandavam os mares, execução de mapas (o termo «cartografia» só apareceu no século XIX), armazenamento das mercadorias que saíam e entravam, e toda essa complicada operação de logística que implicava infra-estruturas fixas.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

China - socialismo de mercado -conclusão

Luis Moreira


Na onda do "socialismo de mercado" criou-se uma classe de pessoas burguesas, (chamemos-lhe assim) que o partido comunista chama a si, no sentido de a controlar, decapitando-a, de certa forma como no capitalismo se cooptam as pessoas com mais mérito das classes populares.

As empresas privadas são levadas, mais do que à procura desenfreada do lucro, ao desenvolvimento da economia e da tecnologia nacional. Podemos dizer que mesmo as empresas privadas estão subordinadas ao "socialismo de mercado". Poderão os comunistas de todo o mundo estar descansados?

A verdade é que os US e, de certo modo, os países ocidentais, estavam a preparar-se, no pós URSS, a tomar definitivamente a dianteira nos aspectos tecnológicos. Para a China, estaria reservada a produção de produtos e serviços de baixo valor acrescentado, o que determinaria uma dependência contínua em relação à metropole capitalista.

A China percebeu a tempo que não há uma verdadeira independencia política sem indepedencia económica o que, abre caminho à democratização das relações económicas internacionais e ao favorecimento da emancipação política e económica dos países do terceiro Mundo.

O século das humilhações que vai de 1840 a 1949, desde a primeira guerra do ópio à conquista do poder pelo PCC, coincindiu, historicamente,com o século da mais profunda depravação moral do ocidente: guerras do ópio com a devastação de Pequim, as práticas esclavagistas, as humilhações...

Como disse, ainda estando lá, a China fervilha de poder e desenvolvimento, isso é claro na modernidade das suas cidades (deitam abaixo bairros inteiros e constroem belos edificios), as pessoas jovens estão ocidentalizadas, no fisico e no vestir, deixaram de ser pequenos e submissos para serem grandes e ambiciosos.

Foi uma experiência apaixonante a que liguei a visita à Expo Xangai onde estavam representados a maioria do países do mundo.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Teatro do absurdo - algumas reflexões - (I)

Paulo Rato

Só num outro artigo me será possível "comentar" o artigo do Carlos Loures e os comentários que suscitou.
Começarei, no entanto, pelo lamento da Augusta Clara sobre os poucos participantes em certos debates.
Creio que a estrutura dos blogues dificulta, ela própria, estes debates: cada "página" é tão depressa "ocupada" que, em poucas horas de uso blogueiro, atingimos o recado fatal: "mensagens antigas". Ora, quantas vezes não chego, sequer, a saber se um comentário meu teve continuidade, porque me impaciento com o tempo improdutivo que já gastei, após navegar por uma, duas, ou mais dezenas de páginas, sem encontrar vestígios do artigo comentado?

Apesar de não ser tão participante como gostaria, estou certo de que diversos comentários que já coloquei no blogue, contendo ideias, argumentos, raciocínios que (valessem o valessem) seriam adequados, por exemplo, a "este" debate, não foram lidos, por terem chegado "fora de prazo", pela maior parte, senão por todos os meus companheiros de bloguice.

domingo, 14 de novembro de 2010

A Democracia em que vivemos -? (III) – Teatro do absurdo

Carlos Loures
Decorrendo em Viana do Castelo o I Congresso do Estado do Teatro em Portugal, lembro a peça “O Rinoceronte”, de Eugène Ionesco (1912-1994). Datada de 1959, vi-a em Lisboa em 1960 representada pela companhia do Luís de Lima. É uma peça do criador do chamado “Teatro do Absurdo”, onde diálogos aparentemente sem nexo (como em “A Cantora careca”), configuram o substrato de uma civilização que vai assumindo aspectos totalmente desconexos, absurdos, por assim dizer. Escrita há meio-século , "O Rinoceronte", continua actual.

Numa cidade até então sossegada, um rinoceronte trota ameaçadoramente pelas as ruas. Na cidade, discute-se a natureza do fenómeno – o que é e como apareceu ali o furioso paquiderme? E, à medida que a peça se desenrola, o comportamento das personagens vai-se alterando, o absurdo de um rinoceronte percorrer a cidade vai sendo aceite como normal. As pessoas vão alterando o comportamento e algumas vão transformando-se em rinocerontes. No final do II acto, com todos à sua volta já metamorfoseados, a personagem central grita: -“Eu sou o último homem. Eu não me rendo!” A história de Ionesco referia-se à eclosão do nazismo, ao colaboracionismo que numa França ocupada pelas tropas hitlerianas levava as pessoas, uma a uma, a ir aceitando como normal a anormalidade que se instalava no quotidiano – as denúncias, as torturas, os campos de concentração, os fuzilamentos…

domingo, 29 de agosto de 2010

O futuro do capitalismo

Luís Moreira

Fernando Sobral apresenta na Sábado este livro de Anatole Kaletsky que coloca a questão de estarmos ou não perante o fim do capitalismo depois desta crise que abalou o mundo.

A sua opinião é que o capitalismo corre para uma quarta variante da economia de mercado desde os tempos da revolução industrial. A primeira fase mediou entre a época do governo mínimo e do laissez faire e o crash de Wall Street em 1929, seguida de uma segunda vaga marcada pelas teses de Keynes e Beveridge, onde se assistiu a um reforço do Estado. A terceira vaga coincidiu com a falência deste modelo, que foi substituído pelo Estado mínimo dos tempos de Reagan e Thatcher e onde se disseminou o capitalismo digital sem fronteiras.

Esta fase dos fundamentalistas do mercado chegou ao fim e vai ser substituído por um capitalismo que aceita que tanto o mercado como o Estado erram.

O capitalismo mostra uma grande capacidade de adaptação e é isso que estamos a ver com as medidas que foram tomadas com o objectivo de reverter a crise, com um sector financeiro que tenta a todo o custo voltar ao passado recente como se nada tivesse acontecido.

Mas há fenómenos por explicar como seja o facto de países como o Brasil, China, Singapura, India que têm um Estado mais interventivo na economia se terem defendido melhor da crise global. Outra questão preocupante é o facto de a retoma estar em curso mas o emprego não arranca, o que mostra que há outra adaptação do mercado ainda não visível.

Henry Paulson, o secretário de Estado da economia de Bush foi o principal culpado da crise, agarrado ao mercado não deixou que o estado interviesse, permitindo a falência do Lehman Brothers e o arrastamento de todo o sistema global.

Há ainda muitas dúvidas e muitas explicações não totalmente compreendidas, mas nada será como dantes.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

As citações de Saramago - 2





Após os livros, as citações mais importantes de Saramago, para melhor conhecermos o homem e o escritor.

Capitalismo

O capitalismo que se anuncia como panaceia , um processo de salvação da Humanidade, não promete nada, não faz promessas; anuncia, isso sim, que está tudo ao alcance das pessoas (...) Por isso, como não promete, não decepciona. A tragédia do socialismo é precisamente essa : não cumprindo o que prometera de facto, decepciona muito mais!

Comunismo

Comunismo é um estado de espirito. (...) acontece que sou uma espécie de comunista hormonal ... não posso deixar de o ser. Pode dizer-me: depois de tudo o que aconteceu ... e parece-me mal que tenha acontecido e condeno quem o fez. Mais recentemente converti isto na declaração; o comunismo é um estado de espirito...

Democracia

A democracia ocupou o lugar de Deus.(...) o poder real não está nos palácios do governo, está sim nos conselhos de administração das multinacionais que decidem a nossa vida.

Crise

Algumas pessoas da classe média, que há poucos anos eram solidárias, ajudavam os outros em situação dificil, um pouco por todo o mundo, encontram-se agora numa situação em que têm de ser ajudadas. (...) os responsáveis andam aí em limusinas, receberam compensações astronómicas depois de terem levado as empresas à falência.

Dinheiro

É dificil imaginar uma sociedade sem dinheiro, embora se vá tornando cada vez mais invisivel com esta proliferação de cartões de crédito. O cartão de crédito é mais que uma liquidação de uma conta, é uma afirmação de poder social.

Impostos

Sou mais honesto a pagar os meus impostos que muitos dos ricaços que estão por aí, que os sonegam, que os escondem e os levam para praísos fiscais.