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domingo, 18 de julho de 2010
Novas Viagens na Minha Terra-
Manuela Degerine
Capítulo LII
Décima quarta etapa: em S. João da Madeira
A temperatura começa a baixar e, após uma pausa em S. João da Madeira, para me refrescar, beber água e fazer compras, caminho de novo com curiosidade. Encontro-me fora do roteiro e da sinalização de Santiago, por isso vou perguntando o caminho, para confirmar, se apanho um peão ao alcance da voz; até chegar aos bombeiros, inquiro apenas duas vezes: todos circulam de carro. O ambiente não é porém inquietante, a zona industrial encontra-se cuidada e ajardinada, há espaço, passeios, limpeza e ar respirável; nada que se compare com o Carregado.
Sou muito bem acolhida pelo comandante. Dormirei no ginásio mas devo esperar que fique livre – às 17 horas. Posso entretanto instalar-me na esplanada, depois tomo duche, se quiser, porém às 20 horas volto a sair, até às 21 horas, por haver uma aula da caraté. Tudo bem... Como na Mealhada. Com a vantagem de, aqui, o espaço exterior ser agradável. Instalo-me a escrever na esplanada.
(Oiço ao lado a entrevista com uma futura senhora da limpeza, a conversa avança pela psicologia de grupo e outras particularidades do serviço num quartel de bombeiros – então para limpar chãos são necessárias tamanhas competências nas relações humanas?!)
Maria telefona: as residenciais encontram-se cheias, os outros alugam um táxi e seguem para o Porto, evitando desta feita a etapa de amanhã, comprida e, para eles, pouco interessante. Será que ela ainda pode vir para os bombeiros? Digo que sim: se me aceitam a mim, também a aceitam a ela.
Às dezassete horas tomo duche, janto (o resto da sandes mais um pedaço de melancia comprado em S. João da Madeira), começo a lavar roupa. (Não houve, na véspera, condições para lavar: tenho duas camisolas sujas.) Chega a Maria. Às oito horas voltamos para a esplanada, onde conversamos com alguns bombeiros. O comandante também vai, com outros colegas, a pé para Fátima. Sugere-me que telefone para saber se no Porto podem acolher-nos e propõe que, no dia seguinte, às seis horas, uma ambulância nos deixe à saída de S. João da Madeira.
Deitamo-nos às nove e meia. Lá fora a banda dos bombeiros ensaia e, dali a pouco, há alarme: incêndio na zona industrial. Maria, que pôs tampões nas orelhas, não ouve nada. Não preciso de tampões: adormeço profundamente.
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domingo, 30 de maio de 2010
Novas Viagens na Minha Terra
Manuela Degerine
Capítulo IV
Etapa 2, de Alverca à Azambuja
Primeira parte: de Alverca ao Carregado
Somos chegados ao triste desembarcadoiro de Vila Nova da Rainha, que é o mais feio pedaço de terra aluvial em que ainda poisei os pés. O sol arde como ainda não ardeu este ano.
Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra
Todos os técnicos da caminhada insistem nesta regra: nenhum caminhante deve transportar mais de dez por cento do seu peso. Ora eu, com um metro e cinquenta e sete de altura, raro ultrapasso os quarenta e sete quilos. Não convém por conseguinte levar mais de quatro quilos e meio, o que transforma a escolha de uma mochila num problema de resolução complexa: as mais ergonómicas e práticas, com bolsas múltiplas e fechos em todas as direcções, chegam a pesar dois quilos e meio... Após ensaios demorados e dilemas duvidosos, optei por uma muito simples, um saco impermeável com duas alças e um cinto para o prender nas ancas, ganhando no peso, perdendo na funcionalidade pois, quando preciso de algo, água, maçã, protector solar, tenho que tirar a mochila, poisá-la, abri-la e procurar. Para facilitar esta busca, reparti a impedimenta em quatro embalagens de plástico, de cores distintas, a roupa, a higiene, a comida, o saco-cama, o que reduz o risco de os objectos, como é seu costume, se camuflarem no fundo da mochila no instante em que são com urgência necessários... Tenho, para além disto, uma bolsa-cinto onde coloco lenços, telemóvel, caneta, bloco (minúsculo), mapa (dobrado)... Não é o ideal mas paciência: adapto-me.
Saio de casa às seis horas de quinta-feira 24 de Setembro e, logo à saída do prédio, recebo um sinal do Espírito Santo, que me desliza pelo cabelo e é aparado pelo braço direito. A primeira reacção é de repugnância, malditos pombos, apanho alguma salmonela, vale não vale a pena voltar a casa, limpo o braço, apalpo o cabelo, que não parece sujo, opto por prosseguir. Sinal fasto ou nefasto? Rio-me. Sinto-me leve, apesar da mochila. E bem disposta.
Capítulo IV
Etapa 2, de Alverca à Azambuja
Primeira parte: de Alverca ao Carregado
Somos chegados ao triste desembarcadoiro de Vila Nova da Rainha, que é o mais feio pedaço de terra aluvial em que ainda poisei os pés. O sol arde como ainda não ardeu este ano.
Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra
Todos os técnicos da caminhada insistem nesta regra: nenhum caminhante deve transportar mais de dez por cento do seu peso. Ora eu, com um metro e cinquenta e sete de altura, raro ultrapasso os quarenta e sete quilos. Não convém por conseguinte levar mais de quatro quilos e meio, o que transforma a escolha de uma mochila num problema de resolução complexa: as mais ergonómicas e práticas, com bolsas múltiplas e fechos em todas as direcções, chegam a pesar dois quilos e meio... Após ensaios demorados e dilemas duvidosos, optei por uma muito simples, um saco impermeável com duas alças e um cinto para o prender nas ancas, ganhando no peso, perdendo na funcionalidade pois, quando preciso de algo, água, maçã, protector solar, tenho que tirar a mochila, poisá-la, abri-la e procurar. Para facilitar esta busca, reparti a impedimenta em quatro embalagens de plástico, de cores distintas, a roupa, a higiene, a comida, o saco-cama, o que reduz o risco de os objectos, como é seu costume, se camuflarem no fundo da mochila no instante em que são com urgência necessários... Tenho, para além disto, uma bolsa-cinto onde coloco lenços, telemóvel, caneta, bloco (minúsculo), mapa (dobrado)... Não é o ideal mas paciência: adapto-me.
Saio de casa às seis horas de quinta-feira 24 de Setembro e, logo à saída do prédio, recebo um sinal do Espírito Santo, que me desliza pelo cabelo e é aparado pelo braço direito. A primeira reacção é de repugnância, malditos pombos, apanho alguma salmonela, vale não vale a pena voltar a casa, limpo o braço, apalpo o cabelo, que não parece sujo, opto por prosseguir. Sinal fasto ou nefasto? Rio-me. Sinto-me leve, apesar da mochila. E bem disposta.
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