Numa tarde de Abril de 1936, em Torres Vedras, em pequena e modesta casa onde os meus pais viviam, saltei cá para fora a berrar que nem um danado. A gravidez da minha mãe fora de risco mas eu apareci escorreito. Meu pai terá respirado fundo e certamente jurou que nunca mais se metia noutra aventura daquelas. Era homem de palavra e cumpriu.
A infância mostrou teimosia e paciência. Notou-se logo às refeições em que o tempo, sendo imaterial, para mim não existia. Não raro juntava o almoço com o lanche e este com o jantar sem me levantar da mesa. Minha mãe perdia as estribeiras. Cheguei a estar mais do que uma hora com uma peça de fruta no prato. Era no tempo da guerra e eu entretinha-me inventando batalhas mas a fruta não a comia. Comer era já em si uma batalha, ou melhor um desafio à paternidade austera daquele tempo. Abandonei a fruta aos 12 anos e o vinho aos 14, até hoje.
A adolescência não foi recomendável. Os castigos e reguadas recebidos na Primária tiveram a faculdade de despertar a rebeldia contra a autoridade. Com 12 anos tinha no liceu o “cadastro” de cábula; quando me provocavam e perdia a paciência (coisa difícil) tinha a fúria de um touro levando tudo à frente.
Carta do Céu: signo Touro, ascendente Virgem, 1º decanato, Marte em Touro, mais Urano e Mercúrio. Belo retrato!
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
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