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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal e marketing - Natal é marketing

Carlos Loures

Natal e marketing - Natal é marketing – um simples acento agudo colocado sobre o e, transforma a conjunção em tempo verbal e converte dois conceitos que desde há muitos anos andam juntos numa afirmação que, não sendo toda a verdade, consubstancia toda uma verdade.


Não vou aqui repetir a consabida história da Coca Cola que pegou no São Nicolau lhe vestiu um traje vermelho e o transformou numa «tradição». Foi em 1929, no Natal, dois meses após a quinta-feira negra de 24 de Outubro, do crash da bolsa novaiorquina. As vendas haviam caído vertiginosamente, era preciso um golpe de asa e… voilá! - sai um Pai Natal. As tradições agora são assim – os touros de morte em Barrancos começaram em 1928 e também já são «uma tradição». Não há paciência para deixar passar os séculos – queremos uma tradição, já!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O consumo consome o amor

Carlos Loures


Numa arrumação de livros que tive de fazer recentemente, descobri um livro que tinha lido quando da sua publicação que me impressionou e depois esqueci. É uma edição de 1995, mas (segundo a anotação que fiz na página de rosto) foi comprado em 1997 – “Las reglas del caos”, de Santiago Alba Rico. Santiago Alba Rico é um ensaísta e filósofo nascido em Madrid em 1960. Licenciado em Filosofia pela Universidade Complutense de Madrid, é um homem de esquerda, de formação marxista, tem publicado vários ensaios abordando temas de disciplinas como a filosofia, a antropologia e a política. Editor de diversas revistas de carácter político e cultural é, participante activo em meios de comunicação alternativos.

Solidário com a causa islâmica e vivendo actualmente na Tunísia, traduziu para castelhano autores árabes, como o poeta egípcio Naguib Surur ou o escritor iraquiano Judayr Mohamed. Não vos vou falar senão num pormenor deste longo ensaio, cuja leitura aconselho vivamente. Dedicar-lhe-ei proximamente um artigo, pois as questões que levanta, nomeadamente a das regras que regem o caos, são muito interessantes. Vou hoje apenas referir-me à diferença que Santiago Alba Rico estabeelce entre utilizadores e consumidores.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A China rica e os chineses pobres!

Luís Moreira

A China tornou-se a segunda maior potência económica mundial, ultrapassando o Japão e só ficando atrás dos US.No entanto, o PIB por habitante, é ainda muito baixo, continua a ser vista como um país em vias de desenvolvimento, pois o valor por habitante é menos de 1/10 dos 39,7 mil dólares do Japão e dos 56,4 dos US. Em Portugal o PIB por habitante foi de 21.400 dólares.

E o que é que vai fazer a China? Vai continuar a exportar assente em salários de miséria ou vai abrir as suas fronteiras aos produtos e bens Ocidentais, incitando a procura interna, para o que tem que favorecer os trabalhadores com melhores salários e direitos sociais ?

Boa parte da economia vai passar pela China, no futuro, não só como exportadora mas tambem como importadora e consumidora. O Japão, que passou por decisão semelhante quando se apoiava, fundamentalmente, na exportação viu-se, de um momento para o outro, confrontado com uma Europa e uns US em declínio, o que teve como resultado uma recessão que é o pior que pode acontecer a um país. Parece que a lição a tirar é a da dona de casa. Equilibra primeiro a tua casa e, só depois, aventura-te no "shoping".Produzir e consumir o que é da casa e, só depois, exportar e importar.

Se a China seguir o caminho de aumentar o poder de compra dos seus cidadãos, o número de consumidores é de tal forma impressionante que resolve os problemas da procura com que estamos confrontados no Ocidente.

Com a capacidade de acesso ao bem estar e ao consumo ( tambem de informação e cultura) vem a reinvindicação de mais direitos e melhores salários, e as primeiras greves já estão a acontecer no gigante adormecido que não que entrar em recessão como o seu vizinho Japão.

PS: neste momento, tal como nos US, a China debate-se com um horrível desastre, por explosão de "pipe-lines" que transportam combustíveis. Lá, como deste lado, o preço do desenvolvimento.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Consumir. - gastar, destruir, extinguir, corroer até completa destruição.

Carlos Loures

Recorri ao dicionário do meu saudoso amigo José Pedro Machado e, mais uma vez, não me deixou ficar mal. A consulta foi à palavra Consumir. A entrada diz: «v. tr. (do lat. Consumere). Gastar, destruir, extinguir, corroer até completa destruição. Enfraquecer, abater.» E continua com muitas outras acepções terminando com «Enganar, iludir». Pelo meio, tem as acepções mais comuns - «Dar extracção, procurar géneros alimentícios, artigos fabricados, etc.\\ Despender, gastar» e outras menos comuns «Matar, assassinar. Devorar em silêncio. E entra no foro da liturgia católica: «Desfazer a hóstia na boca. Receber (o sacerdote), na missa, o corpo e o sangue de Cristo, sob as espécies do pão e do vinho consagrados.» Está aqui a entrada quase toda, não escamoteei acepções importantes. Não esqueçamos, porém, que a primeira acepção, é sempre a mais relevante - «gastar, destruir, extinguir, corroer…» Corroer até à completa destruição - uma boa definição do que é o consumo quando elevado à categoria de projecto de vida.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ter ou não ser – eis a questão…

Carlos Loures
Talvez Shakespeare devesse ter reformulado a famosa frase de Hamlet deste modo – To have or not to be – that is the question. Para que assim tivesse sido, teria de conhecer a sociedade actual onde, para se ser, para se existir, é preciso ter. Nos nossos dias, introspecções sobre o ser ou o estar? Perda de tempo – uma olhadela ao património e à conta bancária resolve a questão. Se tem, é e está. Não tem? Não existe, é como se não estivesse. E, no entanto, o William viveu a época em que os dados estavam a ser lançados. O protestantismo vinha impor o dever da riqueza, o pecado de ser pobre e de um homem não poder prover todas as necessidades da sua família, por oposição ao catolicismo que defendeu sempre (e persiste) na pobreza como virtude.