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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 133 e 134 e 135 (José Brandão)

Para a História da Monarquia do Norte

José Luciano Sollari Allegro

Lousã, 1988

Deixados por meu Pai, o capitão António Adalberto Sollari Allegro, possuo diversos documentos relacionados cora a proclamação da Monarquia no Porto e no Norte do País, em 19 de Janeiro de 1919.

Essa circunstância fez nascer em mim, desde há muito, a intenção de trazer tais documentos ao conhecimento público, ajudando a fazer a história daquilo que ficou a chamar-se a «Monarquia do Norte». Não é possível conhecer as razões por que nesse momento se enveredou pela proclamação da Monarquia, sem fazer uma ideia do que foram os oito primeiros anos da República, incluindo o último desses anos, durante o qual decorreu o governo do Presidente Sidónio Pais. Por isso torna-se necessário recordar vários aspectos da história política dessa época e ter presentes acontecimentos ocorridos desde 5 de Outubro de 1910 até ao assassinato de Sidónio Pais, em 24 de Dezembro de 1918.
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Para a História da Revolução - I

Teixeira de Sousa

Coimbra, 1912

A publicação que se segue, e que é relato documentado dos acontecimentos políticos dos primeiros dias de Outubro de 1910, acompanhada de referência a factos anteriores, mas que com aqueles têm íntima conexão, foi escrita logo a seguir á proclamação da Republica. Aguardei que a serenidade substituísse a agitação, não só pelo motivo de querer afastar-me de tudo o que pudesse passar por intervenção minha na vida politica do país; mas ainda para que, sem paixão, pudesse ser apreciada a minha legitima defesa. O tempo vai decorrendo, os motivos que me levam a dizer em público da minha justiça não se desvaneceram. Tudo me determina a não esperar mais tempo.

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Para a História da Revolução - II

Teixeira de Sousa


Coimbra, 1912

Investido numa missão de confiança, se assim não houvesse procedido, granjearia legitimamente o ódio dos vencidos e o desprezo dos próprios vencedores. A Monarquia caiu porque, salvas raras excepções não teve quem a defendesse como era mister, não por covardia, de que não acuso ninguém, mas certamente porque contra ela tinha a paixão de muitos e a indiferença da maior parte, sem excluir a força pública. Era a confirmação do que, naquela frase que passará á historia, o rei D. Carlos pensava do espírito monárquico em Portugal: – Monarquia sem monárquicos.




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terça-feira, 24 de agosto de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 117 e 118 (José Brandão)

Na “Fermosa Estrivaria”
(Notas D’um Subversivo)

Joaquim Madureira

Lisboa, 1911

Era fatal... era lógico...
Cada um para seu lado, cada qual seu caminho ...
A república com o seu estado-maior de grandes estadistas sem ideias, de grandes reformadores sem reformas, de grandes diplomatas sem agrément, com os seus batalhões de burocratas e de adesivos, com as espingardas dos soldados, com a pólvora dos paióis, com a força, com a autoridade, com o capital, renegará uma a uma, dia a dia, momento a momento, todas as promessas vagas, indefinidas, com que, anos a fio, nas tábuas dos comícios e na mesa das conferencias, foi martelando até levar ao rubro do 5 de Outubro, a ânsia de revindicação, o espírito de revolta, a fome de Justiça, a sede de Verdade, que vibra e se agita nos peitos fortes, musculosos e descamisados dos proletários.

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Na Intimidade de João Franco



Conde de Carnide

Parceria António Maria Pereira, 1955

Com uma insistência que muito me honra e desvanece, pede-me o Senhor Conde de Carnide algumas palavras para publicar como prefácio ao seu livro de memórias sobre João franco. Sei de sobra que – além duma familiar costela franquista – não possuo nenhuma das qualidades que me possam expressamente recomendar para tal missão. E se aceito a incumbência é porque a considero apenas como dirigida a um modesto estudioso, que por única ambição deseja não desmerecer totalmente dos Mestres ilustres que teve, e ainda hoje saudosamente recorda, e que com certa boa vontade se esforça, ao longo da sua vida, por esclarecer alguns problemas históricos, propositadamente obscurecidos pelo facciosismo ou pela má-fé de muitos que deles se têm ocupado. E o caso do último Presidente do Conselho de El-Rei D. Carlos é, indiscutivelmente, um desses problemas.

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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Regicídio – Centenário da República

Carlos Loures


Continuando a referir os marcos essenciais da caminhada para a queda da Monarquia e para a proclamação da República, chegamos hoje a um ponto capital desse processo – o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908. É um tema fulcral e, por isso, já muita coisa foi dita. As versões são muitas e, raramente se aproximam da verdade. Por exemplo, o desenho que vemos acima, publicado na «Ilustração Portuguesa», aliás como todos os outros que foram aparecendo em publicações portuguesas e estrangeiras, dezenas e dezenas de versões iconográficas do atentado, são todas fantasiosas. Umas mais do que outras. Não existe nenhum documento iconográfico credível. Na época, as fotografias eram feitas com a máquina imobilizada, colocada num tripé. Quando a família real chegou à Estação do Sul e Sueste, os fotógrafos tinham as máquinas montadas e fizeram numerosas e irrelevantes fotos.

O barco “D. Luiz”, vindo do Barreiro, chegou pelas cinco da tarde à gare. Vinha com atraso relativamente à hora marcada, pois o comboio que trouxera desde Vila Viçosa a família real, descarrilara no apeadeiro da Casa Branca. Um mero acidente. A família real passara o princípio do ano no Paço de Vila Viçosa, como era hábito e um pouco depois das cinco da tarde daquele sábado, 1 de Fevereiro de 1908, chegara a uma Lisboa onde o clima político não podia ser pior. Na terça-feira anterior, dia 28 de Janeiro, tinha havido por parte dos republicanos aliados a alguns monárquicos dissidentes do Partido Progressista, uma tentativa revolucionária (que descrevi em texto anterior). Muitas prisões de altas figuras republicanas. O rei assinara em Vila Viçosa um decreto que ordenava a deportação desses presos para as colónias. O que incendiara ainda mais o espaço político, elevando a tensão a níveis insuportáveis.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A questão dos tabacos - Centenário da República

Carlos Loures


Temos estado a analisar alguns dos motivos que conduziram à queda do regime monárquico. Vimos já como as comemorações camonianas de 1880, lideradas por personalidades republicanas e pelo Partido Republicano Português, fundado em 1876, que aproveitou esses festejos patrióticos para demonstrar a sua capacidade de mobilização e de organização, cooptando numerosos aderentes, contribuiram para o avanço do ideal republicanista.

O Ultimato de 1890 foi outro passo de gigante dado pelos republicanos. Na verdade, o rei e o governo, perante o humilhante “memorando” britânico, pouco poderiam ter feito. A Grã-Bretanha era a super-potência da época e o nosso Exército e a Armada não dispunham de capacidade bélica para a enfrentar. E disso se tratava, pois o nosso “velho aliado” logo nos ameaçou veladamente de bombardear com os seus navios as nossas principais cidades. Creio que uma análise serena e isenta nos levará à conclusão que a questão do regime era irrelevante – Monarquia ou República teriam tido de ceder.