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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Regicídio – Centenário da República

Carlos Loures


Continuando a referir os marcos essenciais da caminhada para a queda da Monarquia e para a proclamação da República, chegamos hoje a um ponto capital desse processo – o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908. É um tema fulcral e, por isso, já muita coisa foi dita. As versões são muitas e, raramente se aproximam da verdade. Por exemplo, o desenho que vemos acima, publicado na «Ilustração Portuguesa», aliás como todos os outros que foram aparecendo em publicações portuguesas e estrangeiras, dezenas e dezenas de versões iconográficas do atentado, são todas fantasiosas. Umas mais do que outras. Não existe nenhum documento iconográfico credível. Na época, as fotografias eram feitas com a máquina imobilizada, colocada num tripé. Quando a família real chegou à Estação do Sul e Sueste, os fotógrafos tinham as máquinas montadas e fizeram numerosas e irrelevantes fotos.

O barco “D. Luiz”, vindo do Barreiro, chegou pelas cinco da tarde à gare. Vinha com atraso relativamente à hora marcada, pois o comboio que trouxera desde Vila Viçosa a família real, descarrilara no apeadeiro da Casa Branca. Um mero acidente. A família real passara o princípio do ano no Paço de Vila Viçosa, como era hábito e um pouco depois das cinco da tarde daquele sábado, 1 de Fevereiro de 1908, chegara a uma Lisboa onde o clima político não podia ser pior. Na terça-feira anterior, dia 28 de Janeiro, tinha havido por parte dos republicanos aliados a alguns monárquicos dissidentes do Partido Progressista, uma tentativa revolucionária (que descrevi em texto anterior). Muitas prisões de altas figuras republicanas. O rei assinara em Vila Viçosa um decreto que ordenava a deportação desses presos para as colónias. O que incendiara ainda mais o espaço político, elevando a tensão a níveis insuportáveis.

domingo, 11 de julho de 2010

O 28 de Janeiro de 1908 - Centenário da República

Carlos Loures

Recordando mais um marco na caminhada para a proclamação da República,  falamos hoje da terça-feira, 28 de Janeiro de 1908. Parecendo ser uma derrota, foi um passo importante dado pelos republicanos.

O Partido Republicano não fora criado para ser mais um a participar nas disputas parlamentares. O objectivo do P.R.P. sempre foi o da tomada do poder, o derrube da Monarquia, a proclamação da República. Os grandes aliados da propaganda republicana foram os partidos monárquicos e o próprio rei. Com displicência de quem se julga eterno, foram escândalo a escândalo, fornecendo achas para a fogueira em que a Monarquia se iria consumir.

Os republicanos ganhavam novos adeptos enquanto os partidos do rotativismo se consumiam em lutas internas. Em 1901, João Franco, seguido por 25 deputados, saíra do Partido Regenerador, criando o Partido Regenerador Liberal. No Progressista dera-se também uma cisão: em 1905, José Maria Alpoim, visconde da Ribeira Brava, com mais seis deputados, saiu, criando a Dissidência Progressista. D. Carlos concluiu que a alternância entre progressistas e regeneradores já não correspondia às exigências da governação e, em 1907, empossou um governo de ditadura administrativa, com João Franco com chefe do gabinete.

sábado, 26 de junho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 39 e 40 (José Brandão)


D. Manuel II

História do Seu Reinado e da Implantação da República

Rocha Martins

Lisboa, 1931

D. Manuel II, quase abandonado, tendo consigo apenas os destroços da realeza, a sua família, uma dúzia de fiéis e alguns condicionais, ainda confiava.

A menos dum mês da revolução, um jornal monárquico – O Liberal – no fragor da sua política; declarava:

«O Senhor D. Manuel deixou de ser Rei!»

É por tudo isto que o troar dos canhões mais parecia de salvas à monarquia agónica do que o fragor duma grande guerra com os regimentos de todo o país em batalhas heróicas.

Mas como sucedeu que, em menos de sessenta horas, se derrocasse uma Instituição de séculos? Eis o que vou ensaiar descrever com a serenidade de quem, conhecendo os personagens e vivendo no seu âmbito, os pode evocar, ao cabo de mais de vinte anos de república.

ROCHA MARTINS.

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A Dupla Face do Franquismo


na Crise da Monarquia

José Miguel Sardica

Cosmos, 1994

O franquismo, se assim quisermos chamar à obra política de João Franco como ministro do reino, dissidente regenerador, chefe do Partido Regenerador Liberal e, finalmente, Presidente do Conselho, foi até há pouco tempo, na nossa historiografia contemporânea, um fenómeno demasiado obscurecido pela projecção das polémicas ideológicas que na sua época suscitou.

Não será, seguramente, a isso alheio o facto de a ditadura franquista (1907-1908) ter sido o mais conturbado período do fim da monarquia, marcado pelo vigor do assalto republicano ao poder e pela resposta desesperada de um sistema agonizante, tudo culminando no regicídio de Fevereiro de 1908.

As críticas ferozes que o republicanismo e boa parte dos monárquicos dirigiram à governação franquista, viriam, assim, a ser largamente recebidas numa historiografia ainda muito marcada pelos moralismos jacobino e conservador.

terça-feira, 22 de junho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 33 (José Brandão)


Diário de D. Manuel e Estudo sobre o Regicídio

Miguel Sanches de Baêna

Publicações Alfa, 1990

As «Notas absolutamente íntimas» do último rei de Portugal vieram inteiramente ao encontro da preocupação que norteou a organização da colecção «Testemunhos Contemporâneos».

Tão importante como a descrição do regicídio nelas contida, é a sensibilidade aqui expressa pelo jovem D. Manuel, a sua visão dos políticos da época, a sua reacção emocional à violência do acontecimento, os seus afectos feridos e uma certa sensação que nos transmite do desabar de um mundo a um tempo institucional e afectivo, tudo visto por dentro do regime reinante.

Tudo indica que nos encontramos perante a primeira parte de um projecto de escrita mais vasto, que visava ser uma «história íntima» do seu reinado. O insuspeito testemunho do último rei de Portugal não deixa de contribuir para amarrar ao pelourinho os próprios monárquicos…

António Reis
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sábado, 19 de junho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 28 e 29 (José Brandão)


Depois de 21 de Maio - I

Bernardino Machado

Coimbra, 1925

Mal-estar moral? Mas ele provinha sobretudo da campanha defectista dos inimigos da nossa participação na guerra, que lançaram no espírito público a apreensão de que, em meio das enormes dificuldades da nossa reconstrução nacional, nos encontrávamos sós, sem que lá fora os nossos companheiros de armas compreendessem e apreciassem os nossos sacrifícios. Por isso, desde a apresentação ministerial, proclamamos bem alto o direito incontestável de Portugal à solidariedade e concurso dos aliados. E, graças à imponente representação dos seus governos ao lado do nosso na celebração do soldado desconhecido, logo todos os ânimos se ergueram entre nós. Quem, tendo vivido em toda a sua intensidade emotiva esses dias para sempre memoráveis do maior acontecimento talvez da nossa história contemporânea, não se sentiu reconfortado e engrandecido com tamanha homenagem para os mais altos empreendimentos

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A Derrocada de Um Trono


(Crónica dos Dois Últimos Reinados em Portugal)

César da Silva

Romano Torres Editores, 1922

Chegado ao fim desta obra, hoje, 12 de Julho de 1922, seja-me licito soltar um suspiro de alívio. É coisa deveras árdua escrever história contemporânea e, mais ainda, fazer considerações a respeito de acontecimentos cujos protagonistas são ainda vivos; é por isso que, lançando este livro á publicidade, o faço receoso. Busquei, com toda a convicção o afirmo, manter-me quanto possível neutral no julgamento dos factos, e numa absoluta imparcialidade com respeito aos homens a quem me refiro. Consegui-lo-ia? A crítica o dirá. Deve porem atender-se a que este livro não é um trabalho de história, no seu sentido próprio, mas tão-somente uma concatenação dos principais sucessos que promoveram o desprestígio da monarquia dos Braganças e finalmente a sua queda.

Isto é, a obra presente consiste apenas na dedução, mais ou menos aproximada, dos factos que justificaram a derrocada de um trono.

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O Ultimato -Centenário da República

Carlos Loures


Na sumarização dos acontecimentos que contribuíram significativamente para descrédito da Monarquia, não poderia ser esquecido o Ultimato que, em 11 de Janeiro de 1890, o governo britânico (que designava o documento por «Memorando») entregou ao governo português exigindo a retirada das forças militares existentes no território compreendido entre as colónias de Moçambique e Angola, a maior parte nos actuais Zimbabué e Zâmbia), a pretexto de um incidente ocorrido entre portugueses e Macololos. A zona era reclamada por Portugal, que a incluíra no famoso Mapa Cor-de-Rosa, editado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1881, reclamando a partir da Conferência de Berlim uma faixa de território que ia de Angola a Moçambique.

A Sociedade de Geografia de Lisboa fora criada no ano de 1875 com o objectivo de «promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas». Surgira no contexto do movimento europeu de exploração e colonização, focando a sua actividade na exploração do continente africano. As pretensões portuguesas colidiam com o projecto britânico de construir uma linha de caminho-de-ferro ligando o Cairo à Cidade do Cabo, projecto megalómano que nunca se realizaria. O governo da rainha Vitória não aceitou as pretensões de Portugal. Dizia o documento:

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A República nos livros de ontem nos livros de hoje - 12 e 13 (José Brandão)

A Carbonária em Portugal
(1897-1910)

António Ventura

Livros Horizonte, 2004

O estudo das organizações secretas está limitado, como é natural, pelo seu carácter reservado, pela quase inacessibilidade ou inexistência de documentos que nos permitam olhá-las como simples objecto de investigação.
Em Portugal, é assinalada a existência de uma organização carbonária no início da década de trinta do século XIX, possivelmente com origem em emigrados liberais refugiados em Paris. Intermitentemente, ao longo da centúria de Oitocentos, surgem referências mais ou menos difusas à existência da Carbonária, nas décadas de quarenta e de cinquenta, tendo como centro irradiador a cidade de Coimbra.

Procuramos, neste livro, estudar, com as limitações já referidas, duas organizações carbonárias, ambas fundadas nos finais do século XIX, e que tiveram um papel determinante na preparação do advento da República: a Carbonária Portuguesa e a Carbonária Lusitana.
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Cartas de El-Rei D. Carlos a João Franco

João Franco

Lisboa, 1924

El-Rei D. Carlos recebera uma educação primorosa. Com uma instrução geral que o não deixava encontrar hóspede em qualquer assunto de conversação; conhecedor e possuidor das línguas, especialmente do francês e do inglês, por forma que delas se servia como da sua própria (e já o imperador Carlos V dizia que um homem que fala três línguas vale por três homens) dado ao gosto e cultura das Belas-Artes, em uma das quais, a pintura, foi distintíssimo; habituado aos sports e, como atirador, excepcionalmente forte – reunia a tudo isso ser o homem mais bem criado do seu pais, dotado de humor sempre igual, sem descair nunca na vulgaridade, nem deixar perceber de si, em qualquer circunstancia, sinal de contrariedade, despeito ou irritação.
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