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domingo, 29 de agosto de 2010

A poesia e a organização do trabalho

Carlos Loures

Prosseguindo neste debate em que, com o Adão Cruz, tenho vindo a dar achegas para a compreensão da poesia enquanto fenómeno social, trago hoje um testemunho de um filósofo e antropólogo britânico, George Derwent Thomson (1903-1987). Num estudo que publicou em 1945 e que a que deu o título de «Marxism and Poetry» (com uma edição portuguesa, da Teorema, em 1977 – «Marxismo e Poesia»), aborda o tema de uma óptica onde se integram a sociologia, a antropologia e a linguística. Baseia-se, principalmente, em estudos de campo e na recolha de testemunhos de sociedades primitivas, já que a poesia produzida por esse tipo de sociedades não pode ser estudada em espécimes escritos; a sua natureza oral antecede em muitos milhares de anos a escrita e o conceito de literatura. Como Thomson diz, a poesia representa um tipo especial de palavra – se queremos estudar a sua origem, temos de a procurar na origem da palavra e isto, em última análise, significa estudar a origem do homem, pois a palavra constitui um dos traços distintivos mais importantes do homem.