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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra

Capitulo 2


Foste feito, eu existo. Como era.


Questão que se coloca qualquer antropólogo que deseja entender o que toda criança observa. Como era. È a primeira questão que colocam nas nossas mentes, quando estamos a observar o presente. Exemplo paradigmático do assunto, é o caso dos estudos de Jack Goody, especialmente na sua Lógica da escrita e a organização da sociedade, escrito em inglês em 1986. Mas, como o próprio Goody reconhece ao longo da sua obra, bem como Maurice Godelier ao longo da sua são as ideias, oralmente exprimidas e transmitidas, as que constituem a organização e a interacção social. A pequenada que temos observado, orientada por nos, têm-nos demonstrado nos seus diários de campo, como é que entende aos seus adultos. E o que cada criança vê, é um mundo heterogéneo, cujos antecedentes só começa a perguntar já em adulto, ainda que em pequeno, viva os resultados. Como era? Como é que era? Se eu existo, como será que tu foste feito? E o que é o que foste feito? Um produto de produtores, como eu tenho denominado já em outros textos? (1995 e 1992). Será a genealogia pela qual a criança pergunta? Ou o contexto social total, que, como no seu caso, envolve também aos seus progenitores?

A- Victoria

O caso de Victoria é simples: nasceu do matrimónio de Clodomiro Berrios e Reneria Castro, como defini antes. Clodomiro é gestor das terras das famílias antigas da aristocracia espanhola e criolla, nas terras do fundo El Almendro, da hacienda Quepo, que se estende entre a cidade de Talca e o Concelho de Pencahue. Nasce filho do feitor das terras onde o Libertador do Chile, Bernardo O´Higgins Riquelme, fora criado, dois séculos antes, quando as terras pertenciam a família portuguesa de Albano Pereira, quem, por encargo do Vice Rei da Coroa Espanhola, Ambrósio O´Higgins, pai do Libertador que andava de amores com uma dama da alta aristocracia criolla, Doña Isabel Riquelme y Mesa. Por conveniências sociais, a criança nascida para ser Libertad foi levado a Talca, onde foi criado ao cuidado de Don Juan Albano Pereira e de sua esposa, Doña Bartolina de la Cruz. Não podia casar com Doña Isabel Riquelme, por causa do seu cargo todo Vice-Rei deve ser solteiro para não usufruir para si ou a sua família, bens de Coroa Reinante. Com todo, reconheceu ao filho, fez dele o seu herdeiro e o enviara a educar na Inglaterra e Espanha.


Bernardo O´Higgins Riquelme a lutar pela independência do Chile en 1810.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Saber (Parte de um livro meu em edição…)

Raúl Iturra


Queira lembrar o leitor, que denomino tempo á cronologia. Esse, que era delineado enquanto expunha saber. E pense o leitor, que talvez Jack Goody (1973,1976), bem como os seus mestres Meyer Fortes (1938 e 1970) e Evans Pritchard (1962) – todos eles mestres meus também, tenham tido razão ao correlacionar o tempo e a estrutura dos grupos sociais, entre os quais, o doméstico. Como debato em outro texto (1991). O tempo é o crescimento da experiência. O tempo é a reprodução do grupo. O tempo é o ganhar saber do indivíduo. O tempo, em fim, é a entrada do indivíduo aos vários sítios sociais. Quer a sua entrada ao próprio saber, quer ao saber do grupo, aberto como um leque. Cada momento da vida, é entendido de forma diferente, conforme a experiência pragmática que a pessoa desenvolve e incute no seu entendimento. Nas suas ideias, nas suas alianças com os outros, nas suas separações dos outros, nos seus lutos, nas suas novas alianças. Victoria é muito característica. Uma pequena Picunche, no seu tempo de criança subordinada ao lar, que vive as experiências dos seus pais, sem dar por isso.

sábado, 26 de junho de 2010

Ontem e hoje: o crescimento das crianças (2)

Raúl Iturra




Essa é a oscilação entre adulto e criança. Em adulto, passa a ser uma lembrança simpática e divertida, enquanto que em criança, um pesadelo regado em lágrimas. A vida adulta é a construção do comportamento social e pessoal dos mitos do saber do tempo cíclico, que um dia foram agir real, e que passam a dizer o que fazer. Como quando dois adultos não se entendem, não gostam um do outro e os comentários são sarcásticos, irónicos, de desencontros, Como as crianças fazem. Só que não dizem o teu pai bate no meu, simplesmente dizem a tua teoria e má e não é o que dizes. Mas no corredor, nunca em frente. Em frente, passa-se…sem cumprimentar, ou com um cumprimento de circunstancias, formal. Ou com uma zanga directa, na cara do outro. Como essa que tive a oportunidade de observar, enquanto preparava Vilatuxe na Inglaterra de 1973. Era o seminário da sesta feira, famoso por anos. Presidia Jack Goody e atendíamos vários, entre os quais Meyer Fortes, Allan Macfarlane, Caroline Humphreys, Steven Hugh-Jones. Falava Sir Julian Pitt-Rivers. Sobre Malinowski. Sir Edmund Leach quis chegar tarde, ainda que era o Decano do sítio onde sempre tínhamos o seminário de debate semanal. Entrou com o barulho no corpo e espalhou o barulho pela sala, enquanto sentava de costas á mesa. Quando Pitt Rivers menciona ter sido o mais novo e último discípulo de Malinowski, essa gloria que, reconhecida, da prestigio, Leach virou-se, bateu na mesa, disse que não era verdade e acrescentou que o texto todo lido por Pitt-Rivers, não era verdade também. Os mais novos calamos, assustados. A sabedoria de Meyer Fortes calmou aos contingentes. Até Jack Goody fugiu, saiu, não quis ficar. Porque enquanto o adulto é útil ao outro, há sorrisos, visitas, passeios. Porque ainda não há crescimento no outro, e o outro pensa que é ignorando a sua senioridade, essa que o faz pensar ser adulto. Quando já o não o é, distancia, maledicência, não convites, esquecimentos, um dia de estes, tem que ser, de certeza. O confronto. Os factos e as frases que a nada conduzem. Mas, mantêm o entendimento estrutural. A criançada é útil, enquanto tem o que interessa ao outro o que o outro tem. Como digo no meu nunca reeditado livro tão procurado sobre a memória social, A construção social do insucesso escolar.