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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Mário Soares está errado.


Rolf Damher

A União Europeia precisa avançar no seu projeto político de paz e de bem-estar social para as populações, lutando contra o desemprego, a pobreza, e pela integração multicultural dos imigrantes, que nos enriquecem”.

Soa muito bem mas aqui Mário Soares erra profundamente, pois o que ele propõe é um projecto primariamente introvertido e egocêntrico. É precisamente por isso que a UE chegou aonde actualmente se encontra: à beira da desintegração. Correcto seria se a UE avançasse a desenvolver cerca de 3 mil milhões de pobres no mundo nos seus próprios países, transformando a exclusão social e económica em inclusão (New Deal). Como resultado dessa estratégia diversa, a UE obteria tudo aquilo que com a actual estratégia errada tenta alcançar em vão.





Rolf Damher

sábado, 18 de dezembro de 2010

Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (27)

(Continuação)

Abertamente os sectores mais radicais do MFA, pronunciando-se por uma “prática política realmente isenta de toda e qualquer influencia dos partidos” e pelo afastamento da “equipa dirigente” do Movimento. Umas actuação hábil destas forças moderadas leva à destituição do Primeiro Ministro Vaco Gonçalves, à formação de novo Governo (o VI, chefiado por Pinheiro de Azevedo) e, por fim, à nomeação do Capitão Vasco Lourenço (um dos “nove”) para o comando da região militar de Lisboa, em substituição de Otelo (24 de Novembro).Estas alterações são o rastilho para um último golpe militar, desferido em 25 de Novembro, pelos pára-quedistas de Tancos, em defesa de Otelo e do processo revolucionário. Este golpe, por pouco, não coloca o País numa guerra civil, acaba por se malograr e, com ele, as tentativas da esquerda revolucionária para tomar o poder. Ficava aberto o caminho para a implantação de uma democracia liberal .

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (21)

(Continuação)

Capítulo 6-Lembranças do passado: organização de sindicatos.


Sobre Sindicatos, todos sabemos alguma coisa. Há duas formas de saber: pela lei e pelos factos. Pela lei de Portugal, os Sindicatos estão legislados no Código do Trabalho e em leis especiais, conforme a época de legislatura e de quando começaram a aparecer O Portugal após o denominado Pronunciamento Militar de 1974, que derrubou, sem guerra nem mortos nem prisioneiros, teve, no entanto, que mudar a legislação, que tratava aos trabalhadores como mercadoria para ser trocada por convénios, tratados, retirar de dinheiro como imposto para os trabalhadores que eram convidados trabalhar fora de Portugal. Como era também o caso da Galiza, narrado por mim, com lei e citações, quer nos livros referidos sobre Vilatuxe, ou, ainda, no texto escrito por mim para a Revista Galega Estúdios Migratórios. Arquivo da Emigración Galega. Consello da Cultura Galega, cuja Directora era a minha amiga, Catedrática de História Contemporânea, em Compostela, a Professora Doutora Maria Xosé Rodríguez Galdo . Tive essa grande sorte de encontrar uma foto que, apresentada aos descendentes, como refiro no livro tão citado por mim, da Profedições, o denominado mal vendido livro. Mas, ao tornar ao tema do texto, se Portugal teve que organizar a lei, no caso do Chile, Allende teve que organizar e reorganizar as leis sindicais. Nem preciso ir as páginas habituais, para me lembrar. Nos anos 50 e 60 do Século XX, eu próprio participei na organização de Sindicatos, especialmente Sindicatos de Trabalhadores rurais, omissos no Código do Trabalho Chileno.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Democracia - homens bons vs turba

Carlos Loures

Em Outubro de 1987, Karl Popper (1902-1994), veio fazer uma conferência a Lisboa a convite de Mário Soares, então presidente da República. Nessa conferência, contou como, atraído na juventude pelo Comunismo, foi verificando ao longo da vida que a teoria da História de Marx e a sua profecia sobre o advento do Socialismo, apresentavam muitas falhas. Quem sou eu para contestar Popper, mas, na minha modesta opinião, as falhas não foram de Marx, que só podia raciocinar com os elementos de que dispunha – a máquina a vapor, símbolo da Revolução Industrial, estava a revolucionar o mundo do trabalho, a transformar artífices em operários, a criar um «proletariado» e um «lumpen» ou seja, um «subproletariado». Quanto a esta última classe, colocada à margem do processo produtivo, Marx entendia-a como susceptível de se unir à vanguarda revolucionária ou de ser instrumentalizada e transformada em núcleo principal do exército contra-revolucionário. Gente que nada tem é mais vulnerável às promessas, sobretudo às falsas promessas.

domingo, 25 de julho de 2010

Reflexões sobre Bolonha - 3

Júlio Marques Mota*

(Continuação)

ANEXO (1)

Nota Prévia (de um texto de Economia Internacional)

O presente trabalho é a reformulação e a simplificação de um texto do mesmo nome que foi durante anos utilizado nesta disciplina. A redução da carga horária, ao abrigo das normas e dos objectivos decorrentes do chamado processo de Bolonha levou a que neste texto se procedesse a certos e, por vezes, prolongados “cortes”, de modo a adaptá-lo aos tempos de leccionação estabelecidos e ao momento na licenciatura em que genericamente estes conteúdos são estudados. Não é a mesma coisa ensinar dada matéria a alunos do quarto ano ou do terceiro ano, e também não pode ser indiferente se é ensinada no primeiro semestre ou no segundo.

Trata-se pois de fazer as respectivas adequações que no fundo se traduzem numa simples expressão: trata-se de fazer as simplificações adequadas, de modo a que o nível de ensino se enquadre no primeiro ciclo do ensino universitário pós processo de Bolonha.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 65 e 66 (José Brandão)

História da República

Carlos Ferrão

Editorial Século, 1960

A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA. EM 5 DE OUTUBRO DE 1910 foi um acontecimento de decisiva importância na história de Portugal. Com ele se iniciou, na vida e na evolução do povo português, uma época nova, assinalada por episódios relevantes. Meio século decorrido sobre esse acontecimento, é possível avaliar a sua significação, na perspectiva do tempo, e medir as suas profundas consequências. As gerações, que surgiram depois dele, nem sempre puderam fazê-lo com a indispensável atenção e o interesse que merece, o que não impediu que o regime então implantado se consolidasse e criasse raízes indestrutíveis na alma e na consciência dos homens da nossa época.

Uma larga campanha de doutrinação e esclarecimento, realizada na Imprensa, em reuniões públicas, no Parlamento, nas escolas, mo convívio dos cidadãos, preparou a mudança das instituições políticas... (do texto introdutório)
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História da República

5 Volumes

Raúl Rêgo

Círculo de Leitores, 1986

 História da República Portuguesa que agora nos oferece representa decerto um enorme labor de pesquisa, de investigação original e de interpretação, mas não pode também deixar de reflectir essa vivência profunda do homem que toda a vida amou entranhadamente a liberdade e foi obrigado, décadas a fio, a viver em ditadura, animado tão-só pelo exemplo honrado dos homens da Primeira República, eles também, na sua esmagadora maioria, fiéis até ao fim aos seus ideais patrióticos de liberdade e de justiça social.

Mário Soares

Presidente da República


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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mário Soares entre o PS e Fernando Nobre


Luís Moreira

Mário Soares esteve ontem numa manifestação de amigos em Arcos de Valdevez onde se encontrou com Fernando Nobre.Estes encontros nunca são fortuitos, são calculados e é assim que deve ser analizado como um apoio a quem se propõe candidatar a Presidente da Republica.

Mário Soares não perdoa a humilhação de há quatro anos quando foi derrotado sem apelo por Alegre, apesar de apoiado pelo PS.Agora, perante o apoio envergonhado do PS a Alegre, Mário Soares é a face visivel de quem, dentro do PS, não apoia Alegre, o que o leva a gerir o tempo e apoios.

Na altura própria manifestará esse apoio a Alegre, mas com um capital político na mão suficiente para o jogar dentro do partido, na altura da substituição de Sócrates como secretário-geral do PS.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Socialismo ou barbárie - 2

Carlos Loures

Os primeiros tempos trouxeram os tais debates com Anton Pannekoek e um influxo de ex-Bordigistas para o grupo, grupo que era composto por intelectuais e trabalhadores, defensores da tese de que os principais inimigos da sociedade eram as estruturas burocráticas que governavam o capitalismo moderno. Analisaram a luta contra a burocracia no seu jornal. Seguindo a crença de que o que a classe trabalhadora encarava na luta diária era o conteúdo real do socialismo, os intelectuais encorajavam os trabalhadores no grupo a relatarem o seu dia a dia laboral. Socialisme ou Barbarie divergia do leninismo, rejeitando o «centralismo democrático» de um partido revolucionário e defendendo a criação de “conselhos de trabalhadores”. Alguns partiram para formar outros grupos, mas os que ficaram tornaram-se cada vez mais críticos do marxismo. Segundo recorda Jean Laplanche, um dos membros-fundadores: «a atmosfera depressa se tornou impossível».

Além de escrever os artigos de fundo, Castoriadis liderava o jornal, impondo a sua tese recorrente na época de que era inevitável uma terceira guerra mundial, coisa difícil para outros elementos suportarem: «continuar as nossas vidas, pensando ao mesmo tempo que o mundo seria destruído por uma explosão atómica dentro de poucos anos. Era uma visão apocalíptica». A Revolução Húngara de 1956 e outros acontecimentos da década de 1950 levou à chegada de mais membros ao grupo. Propunham um ponto central: ...«a necessidade do capitalismo de, por um lado reduzir, os trabalhadores a simples executores de tarefas e, por outro, a sua impossibilidade de continuar funcionando se for bem sucedido nesse ínterim. O capitalismo precisa de atingir objectivos mutuamente incompatíveis: a participação e a exclusão do trabalhador na produção».

Isso ficou caracterizado como a distinção entre o dirigente e o executante.
Essa perspectiva permitiu que o grupo expandisse seu entendimento às novas formas de conflito social que emergiam fora da esfera da produção.

Em 1958 desentendimentos quanto ao papel político do grupo levou à saída de membros importantes. Claude Lefort e Henri Simon saíram, formando o Informations et Liaison Ouvrières. Em 1960, o grupo tinha crescido para cerca de 100 membros e tinha desenvolvido novas ligações internacionais, primariamente na emergência de uma organização irmã na Grã-Bretanha chamada Solidarity. No começo dos anos 60, disputas dentro do grupo sobre a crescente rejeição do marxismo por Castoriadis levou ao abandono e à criação do jornal Pouvoir Ouvrier. O Socialisme ou Barbarie continuou a ser publicado até a edição final em 1965, depois do que o grupo permaneceu inactivo e foi então dissolvido. Uma tentativa de Castoriadis para relançar o grupo durante o Maio de 68, fracassou. A Internacional Situacionista foi associada ao grupo e influenciada através de Guy Debord, que era membro de ambos. O movimento social italiano Autonomia também foi influenciado, mas menos directamente.

A questão que queria hoje colocar é a que nos é levantada pelo título do jornal de Castoriadis e do seu grupo – “Socialismo ou Barbárie”. Por aquilo que nos é permitido saber, a alternativa ao Socialismo é a barbárie – e não estou a falar do «socialismo real», nem do «socialismo em liberdade» ou «de face humana». Estou a referir-me à jamais cumprida utopia socialista, sem os centralismos democráticos de Lenine ou do neo-liberalismo que Soares, com alguns ouropéis formais, introduziu em Portugal e anda por aí à solta. A barbárie, por assim dizer.

Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Como Rosa Luxemburgo, coloco como única alternativa ao verdadeiro socialismo uma sociedade onde, mesmo que sob o rótulo de «democracia», impere a barbárie. É essa «democracia» que temos – a da barbárie. Dizer-se desta pobre democracia que temos que, sendo o pior dos sistemas à excepção de todos os outros, não chega. Wiston Churchill não era propriamente um ideólogo. A frase tem graça, o Sérgio Godinho aproveitou-a bem, mas não é verdadeira. A medicina que temos não cura todas as doenças. É a melhor que se pode arranjar o que não é caso para se deixar de investigar, de encontrar fármacos e terapias que resolvam amanhã o que ainda hoje não se pode resolver.