Raúl Iturra
Parece-me que as pessoas pensam que ser escritor é a alegria da vida. Sentar-se numa cadeira ora com caneta e papel, ora com máquina de escrever ou, ainda, com um computador. Pode ser escritor quem viva da sua obra literária, ou escrevedor, quem escreve mal, verbo que roubo ao meu amigo e colega da Universidade de Cambridge, Jorge ou Mario Vargas Llosa.
Era bom que fosse assim tão simples! As palavras não aparecem do imaginário do autor de uma obra literária ou científica. Nem das sua ideias, ou representações que se formam no espírito.
Mostrar mensagens com a etiqueta mario vargas llosa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mario vargas llosa. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
A miséria e a injustiça
Adão Cruz
Tal como disse hoje Paulo Rato no seu texto, também eu nunca pude viver com a ideia de que a pobreza e a injustiça são coisas naturais.
Ainda com a presença na minha mente dos sujos e obscenos golpes da Venezuela e Honduras, bem ao estilo do imperialismo americano, e decorrendo de mais um miserável golpe na América Latina, no Equador, o meu pensamento voltou a escurecer e a enovelar-se num misto de raiva, revolta e indignação.
Tal como disse hoje Paulo Rato no seu texto, também eu nunca pude viver com a ideia de que a pobreza e a injustiça são coisas naturais.
Ainda com a presença na minha mente dos sujos e obscenos golpes da Venezuela e Honduras, bem ao estilo do imperialismo americano, e decorrendo de mais um miserável golpe na América Latina, no Equador, o meu pensamento voltou a escurecer e a enovelar-se num misto de raiva, revolta e indignação.
Etiquetas:
mario vargas llosa,
paulo rato,
prémio nobel
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Mario Vargas Llosa – Um Nobel que é uma vitória da boa literatura.
Carlos Loures
Ainda há dias, numa troca de comentários com o Professor Raúl Iturra, dizia como me parecia injusta a não atribuição até agora do prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa. Habituados, como estamos, aos tortuosos critérios da Academia de Estocolmo, não havia, porém motivos para surpresas. Houve, na minha perspectiva, prémios imerecidos – não estou a referir-me a Saramago – poderia, no entanto dizer muitos nomes que só por motivos marginais à literatura podem ter sido honrados com o Nobel. Critérios políticos, quase sempre. Principalmente durante a Guerra Fria.
Mario Vargas Llosa, oriundo da aristocracia peruana, homem que foi de esquerda e depois assumiu posições de um neoliberalismo radical, parece-me, no entanto, um daqueles casos em que apenas foram levados em conta argumentos literários – é, quanto a mim – um excepcional escritor. Talvez haja, mesmo na América Latina, escritores de uma grandeza superior que não conseguiram o prémio – Jorge Luis Borges é um desses casos. Tendo cooperado com a junta militar, manchou com uma lamentável posição política uma obra de uma excepcional qualidade intelectual. Outro argentino – Ernesto Sábato, de quem Saramago foi grande admirador, é outro caso de inexplicável “esquecimento”. Vive, embora à beira de completar um século, é marxista assumido – o que não tem sido motivo de exclusão.
Ainda há dias, numa troca de comentários com o Professor Raúl Iturra, dizia como me parecia injusta a não atribuição até agora do prémio Nobel da Literatura a Mario Vargas Llosa. Habituados, como estamos, aos tortuosos critérios da Academia de Estocolmo, não havia, porém motivos para surpresas. Houve, na minha perspectiva, prémios imerecidos – não estou a referir-me a Saramago – poderia, no entanto dizer muitos nomes que só por motivos marginais à literatura podem ter sido honrados com o Nobel. Critérios políticos, quase sempre. Principalmente durante a Guerra Fria.
Mario Vargas Llosa, oriundo da aristocracia peruana, homem que foi de esquerda e depois assumiu posições de um neoliberalismo radical, parece-me, no entanto, um daqueles casos em que apenas foram levados em conta argumentos literários – é, quanto a mim – um excepcional escritor. Talvez haja, mesmo na América Latina, escritores de uma grandeza superior que não conseguiram o prémio – Jorge Luis Borges é um desses casos. Tendo cooperado com a junta militar, manchou com uma lamentável posição política uma obra de uma excepcional qualidade intelectual. Outro argentino – Ernesto Sábato, de quem Saramago foi grande admirador, é outro caso de inexplicável “esquecimento”. Vive, embora à beira de completar um século, é marxista assumido – o que não tem sido motivo de exclusão.
Etiquetas:
literatura,
mario vargas llosa,
prémio nobel
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Piadas de português ou os nossos queridos irmãos brasileiros
Carlos Loures
No romance de Mario Vargas Llosa, La tía Júlia y el escribidor, há a personagem deliciosa de Pedro Camacho, criador de rádio novelas, que tem uma obsessão contra os argentinos que chega ao ponto, de o embaixador da Argentina no Peru (no romance, entenda-se) ter ido à estação de rádio pedir a interrupção dos folhetins. As referências maldosas de Camacho aos argentinos vêm sempre, porém. embrulhadas em elogios como, «os nossos queridos irmãos portenhos, cuja proclamada virilidade é um mito, pois como se sabe são maioritariamente homossexuais passivos» ou «os nossos queridos irmãos argentinos que, como sabemos, têm a antiga tradição de fazer as necessidades fisiológicas num balde, na mesma divisão em que comem e dormem»… Não sei se a frases são exactamente assim, citei de memória, pois apenas quis dar um exemplo dos envenenados “elogios”aos argentinos que a personagem vai debitando ao longo da história. Diga-se de passagem que o livro de Vargas Llosa deu lugar a um magnífico filme americano, realizado por Jon Amiel e interpretado pelo Peter Falk, o velho Columbo, pelo Keanu Reeves e pela Barbara Hershey – Tune in Tomorrow (1990). O livro é delicioso e o filme uma pérola. Falk representa o papel de Pedro Camacho e os argentinos são substituídos pelos albaneses.
Ora bem, quando digo, os «nossos queridos irmãos brasileiros» não é com a intenção de em seguida os denegrir. Apraz-me que haja actualmente em Portugal um fluxo de imigração brasileira. Acho que, tanto quanto possível e cada um de per si o mereça, os devemos tratar tão bem como tratamos os nossos compatriotas. Nunca esquecendo também os milhões de luso-descendentes que vivem no Brasil e que são brasileiros.
Etiquetas:
brasil,
eduardo lourenço,
jô soares,
mario vargas llosa,
mariza,
paulo autran,
piadas de português
Subscrever:
Mensagens (Atom)




