Mia Couto, grande escritor moçambicano e um dos maiores de língua portuguesa,nasceu em 1955 na Beira, Moçambique, filho de portugueses emigrados em meados do século XX. Em 1972 foi para a capital, Maputo, matriculando-se no curso de Medicina. Porém, seguindo as pisadas de seu pai, profissionalizou-se como jornalista vindo, após a independência a ser nomeado director da Agência de Informação de Moçambique. Em 1985 concluiu na Universidade Eduardo Mondlane a licenciatura em Biologia. Como escritor, estreou-se em 1983 com o poemário Raiz de Orvalho. O seu primeiro romance, premiado e saudado pela crítica, foi Terra Sonâmbula (1992).
Outras obras suas:
Vozes Anoitecidas (1986); Cada Homem é uma Raça (1990);Estórias Abensonhadas (1994);Contos do Nascer da Terra (1997); Berma de Nenhuma Estrada(1999); O Fio das Missanga (2003);A Varanda do Frangipani ( 1996)Mar Me Quer1998,)Vinte e Zinco ( 1999; O Último Voo do Flamingo ( 2000); O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska ( 2001);Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra ( 2002); A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (2004)O Outro Pé da Sereia (2006); O beijo da palavrinha, com ilustrações de Malangatana (2006); Jesusalém (
(2009).
De Mia Couto vamos ouvir um texto cheio de sabedoria - Sapatos Sujos.
Ao Terreiro desce hoje uma das mais importantes vozes poéticas de Moçambique – o poeta José Craveirinha.
José Craveirinha nasceu a 28 de Maio de 1922, em Lourenço Marques (actual Maputo), e faleceu a 6 de Fevereiro de 2003, na África do Sul. Entre 1964 e 1968 esteve preso, acusado de ligação à FRELIMO, conhecendo na prisão o pintor Malangatana. Primeiro Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação dos Escritores Moçambicanos, entre 1982 e 1987.Foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1991.
Principais obras: Xigubo (1964); Cela 1 (1980.); Karingana Ua Karingana (1974); Maria, (1988) Babalaze das Hienas (1997); Hamina e Outros Contos, , (1997); Obra Poética 1999.
No Festival Internacional de Poesia de Medellín., realizado em Abril de 2007 , foi lido o seu poema “Grito Negro”. Recordamos esse momento:
Malangatana Valente, um dos maiores pintores do espaço Lusófono, nasceu em Matalana, província de Maputo, Moçambique, em 6 de Junho de 1936. Exerceu profissões humildes, de pastor de gado a apanhador de bolas num clube de Lourenço Marques. Foi perseguido pela polícia políitica portuguesa e preso sob a acusação de pertencer à FRELIMO.
A partir de 1960, dedicou-se em exclusivo à pintura. Tem quadros nas colecções dos principais museus do mundo. As suas cores fortes e belas enchem hoje a manhã no Terreiro da Lusofonia.
É com o pintor moçambicano Roberto Chichorro que abrimos o Terreiro da Lusofonia, dedicado particularmente à poesia, à pintura e à música de todo o universo lusófono. Não teceremos considerações sobre as obras, pois apresentaremos grandes artistas. Pequenas notas biográficas e às vezes nem isso. Mais ou menos assim:
Este é um quadro da série "Karingana-estórias de era uma vez”. Roberto Chichorro nasceu em 1941, no Maputo. Fez a sua primeira exposição em 1967, mas só em 1980 se dedicou inteiramente à arte. Em 1982 recebeu uma bolsa do governo espanhol, tendo trabalhado em cerâmica no Taller Azul e em zincogravura com Óscar Manezzi, em Madrid. Obras suas fazem parte de colecções como a do Museu do Chiado em Lisboa e a do Museu de Arte Contemporânea de Luanda. Chichorro ilustrou vários livros, por exemplo, os do grande poeta José Craveirinha.
Importa falar de um dos períodos mais inquietantes da vida dos portugueses. São os anos entre 1961 e 1974 nos quais Portugal mergulhou numa guerra para alguns do Ultramar para outros Colonial. São treze anos de ansiedade, sofrimento e morte que atingiram praticamente todas as famílias portuguesas com consequências que ainda hoje perduram.
Guerra que mobilizou mais de 800 mil combatentes da chamada Metrópole enviados para as distantes e desconhecidas matas de África onde alastrava a revolta apoiada por alguns países próximos.
Em Angola, a partir de 4 de Fevereiro de 1961, na Guiné, a partir de 23 de Janeiro de 1963, em Moçambique, a partir de 25 de Setembro de 1964, a guerra é declarada pelos movimentos de libertação nacional que teimam em levar por diante o seu propósito de total independência do domínio colonial europeu.
Pela parte portuguesa, a guerra era sustentada pelo princípio político de defesa daquilo que era considerado território nacional, baseado no conceito de nação pluricontinental e multirracial. Pela parte dos movimentos de libertação, a guerra justificava-se pelo inalienável princípio da autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à sua luta.
Guerrilheiros, ou terroristas – conforme a atitude política – resistem num terreno que lhes é familiar causando baixas nas Forças Armadas portuguesas como nunca se vira antes.
Segundo o Estado-Maior General das Forças Armadas, morreram na Guerra de África 8.831 militares portugueses. Destas quase nove mil baixas, 3.455 aconteceram em Angola, 2.240 na Guiné e 3.136 em Moçambique.
O Exército, ramo militar sobre o qual recaiu a maior parte do trabalho bélico, teve à sua conta a quase totalidade dos mortos – 8.290 homens. A Força Aérea, por seu turno, contou em 346 as suas perdas e a Marinha de Guerra enterrou 195 dos seus elementos.
De acordo com a mesma fonte, 4.280 militares (48,5 por cento) morreram em resultado directo de acções de combate e 4.551 (51,5 por cento) em acidentes e doenças. Estas duas últimas causas de morte devem ser encaradas com reservas, já que havia na época a intenção clara de diminuir o número de baixas em combate tornado público.
Com cerca de 9.000 mortos, cerca de 30.000 feridos evacuados, em mais de 100.000 doentes e feridos, dos quais resultaram perto de 14.000 deficientes físicos, (5.120 com grau de deficiência superior a 60 por cento) e ainda, possivelmente, 140.000 neuróticos de guerra, rara é a família portuguesa que não foi ferida pela Guerra de África. Os telegramas do Ministro do Exército a apresentar «mais sentidas condolências» pela morte «por motivo combate defesa da Pátria» de «seu filho soldado fulano tal», chegavam aos lares dos portugueses semeando a dor da perda de um filho, marido, pai, irmão ou outro grau de familiaridade existente.
Sucediam-se os comunicados militares que diariamente o Ministério da Guerra mandava publicar nos jornais. "O Serviço de Informações Públicas das Forças Armadas comunica que morreram em combate, na Província de Angola, os seguintes militares:" e seguiam-se os nomes de mais uns tantos que, naquele ano, entre a noite de Natal e a de fim de ano, não iriam aparecer na TV, a desejar festas felizes. Moçambique foi o teatro de operações onde morreram mais militares em combate (1.569 em 10 anos de guerra), seguindo-se Angola (1.360 em 13 anos) e a Guiné (1.342 em 11 anos). Tendo em conta a duração da guerra em cada um dos teatros de operações, as tropas portuguesas sofreram por ano 157 mortos em combate em Moçambique, 122 na Guiné e 105 em Angola.
Quanto ao número total de mortos, independentemente das causas oficiais da morte, as Forças Armadas portuguesas sofreram por ano 285 baixas mortais em Moçambique, 246 em Angola e 186 na Guiné. Do total de mortos nas três guerras, cerca de 70 por cento eram expedicionários recrutados na chamada Metrópole. No conjunto das três frentes de guerra, entre 1961 e 1974, morreram em média 630 militares portugueses por ano.
Em números redondos, morreram nas três guerras de África: 1 general, 2 brigadeiros, 3 coronéis, 15 tenentes-coronéis, 22 majores, 100 capitães, 40 tenentes, 300 alferes, 900 sargentos e furriéis, 1.600 cabos e 5.500 soldados e marinheiros.
E se os custos humanos foram de grandes dimensões para um pequeno velho país de menos de 10 milhões de habitantes, as perdas materiais atingiram um nível muito próximo do colapso económico. O esvaziamento dos recursos financeiros para a sustentação da guerra foi equivalente, ao longo dos treze anos de conflito armado, a uma média de trinta e três por cento do Orçamento do Estado, tendo-se ultrapassado, em toda a segunda metade da década de 60, os quarenta por cento.
Com a Revolução do 25 de Abril de 1974 estavam criadas condições para terminarem as guerras que Portugal mantinha desde 1961. Contudo, já depois do 25 de Abril ainda morreram nos três teatros de guerra 530 militares portugueses, 159 dos quais em resultado directo de acções de combate. Embora, na metrópole, a intervenção popular tivesse assegurado profundas e imediatas repercussões para o 25 de Abril, as transformações ocorridas em Lisboa não provocaram alterações súbitas na maior parte do disperso Império Português. Portugal foi o último país europeu a conservar um autêntico império colonial. Em 1951 transformara as colónias em territórios ultramarinos e, em 1956. intitulou-as províncias, mas sem mudar praticamente a estrutura anterior. O Ministério das Colónias passou a chamar-se do Ultramar e em dezenas de organismos oficiais e empresas particulares o vocábulo colonial foi substituído por outro um pouco mais longo: ultramarino.
O governo português, ao considerar os territórios africanos como parte integrante da nação, negava que eles pudessem ter direito à autodeterminação ou que existisse uma nacionalidade angolana, guineense ou moçambicana.
Porém, em 1961, a revolta em Angola assinalou o começo da guerra de guerrilhas que se estenderia à Guiné e a Moçambique. Esta guerra, onde o exército português se consumia ano após ano, foi uma das causas determinantes da Revolução Portuguesa de 25 de Abril de 1974 que derrubou o regime corporativo do Estado Novo.
Apesar de raramente registarem vitórias decisivas, a guerra das forças de guerrilha conseguiu criar a confusão suficiente para exigir de Portugal o envio de milhares de soldados para África e o dispêndio de algo como metade do orçamento estatal nessa colossal presença militar.
Portugal manteve entre 1961 e 1973 uma média anual de 105 mil homens envolvidos nas três guerras coloniais: aproximadamente, 54 mil em Angola, 20 mil na Guiné e 31 mil em Moçambique. Os efectivos no conjunto dos três teatros de guerra foram sempre crescendo de 1961 a 69, baixaram ligeiramente em 70, aumentando de novo para chegar aos valores mais elevados em 1973, quando atingiram o total de 148.090 homens. Quando chega o 25 de Abril de 1974 Portugal é um país cansado de tanto caminhar para terras distantes e por lá morrer.
Regressada a liberdade, Portugal não podia negar essa mesma liberdade aos povos que a reclamavam de armas na mão. Em consequência das alterações ocorridas em Portugal, as colónias africanas portuguesas acederam à independência entre o termo de 1974 e finais de 1975.
Ficava para a História mais uma página da presença de Portugal no Mundo.
Extraído do livro Cronologia da Guerra Colonial, José Brandão, 2008
Adão Cruz
Alexandra Pinheiro
Andreia Dias
António Gomes Marques
António Marques
António Mão de Ferro
António Sales
Augusta Clara de Matos
Carla Romualdo
Carlos Antunes
Carlos Durão
Carlos Godinho
Carlos Leça da Veiga
Carlos Loures
Carlos Luna
Carlos Mesquita
Clara Castilho
Ethel Feldman
Eva Cruz
Fernando Correia da Silva
Fernando Moreira de Sá
Fernando Pereira Marques
Hélder Costa
João Machado
José Brandão
José Magalhães
Josep Anton Vidal
Júlio Marques Mota
Luís Moreira
Luís Rocha
Manuel Simões
Manuela Degerine
Marcos Cruz
Maria Inês Aguiar
Paulo Melo Lopes
Paulo Rato
Pedro Godinho
Raúl Iturra
Rui de Oliveira
Sílvio Castro