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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dia das Letras Galegas

Carlos Loures

Comemorando o Dia das Letras Galegas, Estrolabio dedicou toda a sua edição de hoje, 17 de Maio de 2010, à língua, à literatura, à História da Galiza. Não será um acto isolado na nossa orientação editorial – a Galiza, Cabo Verde, o Brasil… todo o espaço lusófono é para nós campo privilegiado de intervenção. Iremos, com frequência, publicar posts sobre temas relacionados com os países onde se fala o português, ou como dizia Carolina Michaëlis, onde se fala o galego-português.

Nesta irmandade de 200 milhões de falantes, os galegos são os nossos mais antigos irmãos, a sua história e a sua língua encontram-se a montante da nossa história e do idioma que falamos. Circunstâncias políiticas, originaram uma deriva que levou a Galiza a ser aculturada durante muitos séculos. Hoje, muitos intelectuais galegos querem integrar o universo lusófono. Devemos abrir-lhes os braços e apoiar, sem reservas, esse desiderato. As desconfianças devemos guardá-las para quem, aproveitando frustrações regionais manipuladas por caciques, pretende anexar o Norte do nosso País, criando algo a que chamam «região transfronteiriça» e que não tem qualquer suporte histórico ou cultural – sujas manobras de oportunistas. Porque a união de Portugal com a Galiza já existe e é de natureza cultural. No campo político terão de ser os galegos a decidir o seu destino,. Enquanto na sombra se desenvolvem estas manobras, com toda a transparência avança serenamente o projecto da integração do galego no espaço da lusofonia. Peço a vossa atenção para o vídeo que se segue.



Em 6 de Outubro de 2008 foi criada a Academia Galega de Língua Portuguesa, com sede em Santiago de Compostela e presidida pelo Professor José Martinho Montero Santalha. Segundo ele, a criação da Academia corresponde a uma ideia do Professor Carvalho Calero que, na década de 80, concebeu o projecto de uma instituição que «mantivesse de modo inequívoco a unidade linguística da Galiza com os outros países de língua portuguesa». A cerimónia de fundação da Academia, da qual vimos alguns momentos, realizou-se no Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago. Foi apadrinhada pelos Professores Malaca Casteleiro e Artur Anselmo, da Academia das Ciências de Lisboa, pelo escritor moçambicano João Craveirinha (filho de José Craveirinha), pelo Professor Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta, pelo Professor Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, pelo Professor Elías Torres Feijó, presidente da Associação Internacional de Lusitanistas e vice-reitor da Universidade de Santiago de Compostela, entre outros. Padrinhos não faltaram. Ângelo Cristóvão, presidente da Associação promotora da AGLP comentou: «Não podemos dizer que viemos ao mundo sem padrinhos!» E acrescentou: «queremos devolver ao galego o lugar que lhe corresponde, que é o de uma forma do português e não o de um dialecto do castelhano». Em 23 de Maio de 2009 realizou-se na Academia das Ciências de Lisboa, uma sessão as duas entidades. Agora, quando falarmos em países de língua portuguesa, não devemos esquecer a Galiza. Somos nove e não oito países. Foi na Galiza, que o galego-português, nasceu. Foi ali que pela primeira vez se falou a nossa língua, a língua de Camões, de Rosalía de Castro e de Fernando Pessoa.