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domingo, 24 de outubro de 2010
O Zé Povinho está desactualizado?
O Zé Povinho criado por Rafael Bordalo Pinheiro não corresponde, na sua imagem gráfica, ao português típico do nosso tempo. Hoje, talvez tivesse que ser caracterizado graficamente de outra forma - segurando na mão esquerda um portátil e na direita um diploma das "novas oportunidades", por exemplo. Os tempos eram outros nesse último quartel do século XIX, embora os problemas de fundo não fossem assim tão diferentes como isso.
Entre 1851 e 1871, ocupando diversas pastas em vários governos, foi neste último ano nomeado primeiro-ministro António Maria Fontes Pereira de Melo(1818-1887). Em mais dois governos, ocupou o mesmo lugar de chefe do Governo até 1887. Pertencendo ao Partido Regenerador, foi, como se pode ver por estas datas, uma personagem que ao longo de quase quatro décadas esteve na ribalta da cena política. O seu programa de fomento, de desenvolvimento das obras públicas, nomeadamente das comunicações, ficou conhecido por «fontismo».
Foi o alvo preferido do humor cáustico de Bordalo Pinheiro que, inclusivamente, deu o seu nome a uma das suas revistas «O António Maria». Porquê, esta fixação do genial artista?
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terça-feira, 29 de junho de 2010
Novas Viagens na Minha Terra
Manuela Degerine
Capítulo XXXIII
Passeio pelos museus:
Museu da Cidade e Museu Rafael Bordalo Pinheiro
No Museu da Cidade, aponto Felicitas Julia Olisipo, o nome latino de Lisboa e a frase de Estrabão (Geografia, livro 3°, primeira parte): o rio é muito rico em peixe e abundante em ostras. Tomo aliás nota desta descrição cada vez que venho ao museu... E até a cito num romance. Agora, olhando para uma litografia do século XIX que representa o Palácio das Necessidades, no largo do qual passam vários cavaleiros, ocorre-me que seriam hoje ciclistas – vemos cada vez mais por Lisboa, não é?... E um quadro de Albertino Guimarães, Largo da Senhora da Saúde, pintado em 1839, mostra uma rua da Mouraria que não reconheço: resta a igreja. Mas, de então para cá, ganhámos a tão bela calçada representando a projecção da sombra da igreja. E... também ganhámos o centro comercial da Mouraria com o que lá dentro se passa. (Esta frase não é apenas irónica: gosto de deambular por este espaço heteróclito, de aqui comprar quiabos, lentilhas e chá indiano.)
Vejo a exposição que assinala os cem anos do Museu da Cidade: Lisboa tem histórias. Aponto os versos de Bocage sobre a estanqueira do Loreto, célebre pelo tamanho do nariz: Disse-lhe um sério taful / Que tabaco lhe comprara: / A sua loja é pequena; / Por que não vende na cara? / Deu a estanqueira um espirro / Gritam os vizinhos seus, / Julgando ser terramoto: / Misericórdia, meu Deus! A fotografia da jovem peixeira Ilda Fernandes, eleita Rainha dos Mercados em 1929, aos dezasseis anos, ajuda-me compreender alguns fados (A Rosinha dos Limões, por exemplo; cuja letra, como os leitores se recordam, se conclui com um engraçado atalho narrativo: ...fico pensando / Que, qualquer dia, por graça / Vou comprar limões à praça / E depois caso com ela). Na mesma exposição, uma imagem legendada Pretas calhandreiras leva-me a recordar uma palavra que ouvi, em várias ocasiões, a minha mãe empregar a propósito de um ou outro maldizente: é um calhandreiro. Uma metáfora eficaz pela pestilência que evoca, sendo o calhandro um pote para o qual se despejavam os bacios; cabia aos mais pobres, não raro escravos, irem despejar, com frequência para o rio, aquela sujidade: os calhandreiros, portanto. Ora, como todos sabemos, os maldizentes arrastam matérias não menos fedorentas...
Capítulo XXXIII
Passeio pelos museus:
Museu da Cidade e Museu Rafael Bordalo Pinheiro
No Museu da Cidade, aponto Felicitas Julia Olisipo, o nome latino de Lisboa e a frase de Estrabão (Geografia, livro 3°, primeira parte): o rio é muito rico em peixe e abundante em ostras. Tomo aliás nota desta descrição cada vez que venho ao museu... E até a cito num romance. Agora, olhando para uma litografia do século XIX que representa o Palácio das Necessidades, no largo do qual passam vários cavaleiros, ocorre-me que seriam hoje ciclistas – vemos cada vez mais por Lisboa, não é?... E um quadro de Albertino Guimarães, Largo da Senhora da Saúde, pintado em 1839, mostra uma rua da Mouraria que não reconheço: resta a igreja. Mas, de então para cá, ganhámos a tão bela calçada representando a projecção da sombra da igreja. E... também ganhámos o centro comercial da Mouraria com o que lá dentro se passa. (Esta frase não é apenas irónica: gosto de deambular por este espaço heteróclito, de aqui comprar quiabos, lentilhas e chá indiano.)
Vejo a exposição que assinala os cem anos do Museu da Cidade: Lisboa tem histórias. Aponto os versos de Bocage sobre a estanqueira do Loreto, célebre pelo tamanho do nariz: Disse-lhe um sério taful / Que tabaco lhe comprara: / A sua loja é pequena; / Por que não vende na cara? / Deu a estanqueira um espirro / Gritam os vizinhos seus, / Julgando ser terramoto: / Misericórdia, meu Deus! A fotografia da jovem peixeira Ilda Fernandes, eleita Rainha dos Mercados em 1929, aos dezasseis anos, ajuda-me compreender alguns fados (A Rosinha dos Limões, por exemplo; cuja letra, como os leitores se recordam, se conclui com um engraçado atalho narrativo: ...fico pensando / Que, qualquer dia, por graça / Vou comprar limões à praça / E depois caso com ela). Na mesma exposição, uma imagem legendada Pretas calhandreiras leva-me a recordar uma palavra que ouvi, em várias ocasiões, a minha mãe empregar a propósito de um ou outro maldizente: é um calhandreiro. Uma metáfora eficaz pela pestilência que evoca, sendo o calhandro um pote para o qual se despejavam os bacios; cabia aos mais pobres, não raro escravos, irem despejar, com frequência para o rio, aquela sujidade: os calhandreiros, portanto. Ora, como todos sabemos, os maldizentes arrastam matérias não menos fedorentas...
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