Carlos Loures
Em 1984, um grupo de amigos produziu e editou a revista Questões e Alternativas da qual se publicaram quatro números. Era tudo gente de esquerda, em geral oriunda de partidos extra-parlamentares. As Questões e Alternativas, pode dizer-se,é uma iniciativa ligada á protohistória deste blogue, pois muitos dos nossos actuais colaboradores estiveram na sua base.
No chamado núcleo duro do projecto, o Carlos Leça da Veiga, médico, o Rui de Oliveira, médico também, a Augusta Clara Matos, bióloga, o Jaime Camecelha, bancário e dirigente cineclubista, o Bruno da Ponte, editor, a Clara Queiroz, professora da Faculdade de Ciências de Lisboa, o João Machado, sociólogo, o Pedro Godinho, ainda estudante de sociologia e este vosso amigo. Como se pode ver, são nomes que, na sua maior parte, estão ligados ao Estrolabio
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 12
Carlos Leça da Veiga
É uma realidade indesmentível, que desde a derrota ianque no Vietname, o poder económico daquele capitalismo comandado pelos chamados estados ocidentais, ao invés daquele outro dos emergentes, volteou num descendo irreversível razão bastante para nunca dever ter-se-lhes dado, no pós-25 de Abril, quaisquer ligações preferenciais.
Para Portugal havia uma alternativa política internacional reconhecidamente meritória, o Movimento dos Não-Alinhados, que foi recusada por interesses ideológicos e vantagens interesseiras dos possidentes. A população portuguesa, por força da subserviência aos ditames políticos do exterior, que as forças partidárias dominantes nunca deixaram de perfilhar, foi obrigada a ligar-se preferencialmente, numa subserviência exagerada, aos estados ocidentais quando, na verdade mais autentica, já estavam em franca decadência económica.
Por erro indesculpável, os dirigentes nacionais portugueses não optaram, como deviam, em estabelecer ligações preferenciais com aqueles estados em franca e declarada emergência económica que, também, muito positivo, tinham assento no Movimento dos Países Não-Alinhados. Os resultados, estão à vista!
Em 1974, entre vários dos Países que constituíam o Movimento dos Países Não-Alinhados, já era uma realidade irrecusável que as suas emergências económicas estavam em vias de fazer uma carreira muito promissora e francamente sustentada, razão suficiente para terem constituído a melhor opção política para Portugal e, acrescente-se, um opção que jamais limitaria os convívios estreitos com todos os Estados mundiais.
É uma realidade indesmentível, que desde a derrota ianque no Vietname, o poder económico daquele capitalismo comandado pelos chamados estados ocidentais, ao invés daquele outro dos emergentes, volteou num descendo irreversível razão bastante para nunca dever ter-se-lhes dado, no pós-25 de Abril, quaisquer ligações preferenciais.
Para Portugal havia uma alternativa política internacional reconhecidamente meritória, o Movimento dos Não-Alinhados, que foi recusada por interesses ideológicos e vantagens interesseiras dos possidentes. A população portuguesa, por força da subserviência aos ditames políticos do exterior, que as forças partidárias dominantes nunca deixaram de perfilhar, foi obrigada a ligar-se preferencialmente, numa subserviência exagerada, aos estados ocidentais quando, na verdade mais autentica, já estavam em franca decadência económica.
Por erro indesculpável, os dirigentes nacionais portugueses não optaram, como deviam, em estabelecer ligações preferenciais com aqueles estados em franca e declarada emergência económica que, também, muito positivo, tinham assento no Movimento dos Países Não-Alinhados. Os resultados, estão à vista!
Em 1974, entre vários dos Países que constituíam o Movimento dos Países Não-Alinhados, já era uma realidade irrecusável que as suas emergências económicas estavam em vias de fazer uma carreira muito promissora e francamente sustentada, razão suficiente para terem constituído a melhor opção política para Portugal e, acrescente-se, um opção que jamais limitaria os convívios estreitos com todos os Estados mundiais.
Etiquetas:
não-alinhamento,
neocolonialismo,
vietname
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República– 11
Carlos Leça da Veiga
Um caminho desprezado: o Não-Alinhamento.
O Não-Alinhamento, no pós 25 de Abril, podia ter sido uma boa solução política para um país que, depois de muitos anos de guerras coloniais, acabava de descolonizar o que restava do seu velho império e, como assim, na consequência de múltiplas razões, próprias ou impostas, conseguia fazê-lo sem deixar rasto de neocolonialismo, tudo a par de conseguir saber manter, senão poder reavivar, os seus relacionamentos seculares, agora, afirmados e estabelecidos tanto com os novos Estados, suas ex-colónias como, por igual, com a generalidade de todos os Estados afro-asiáticos encerrados, como foram, os resquícios das animosidades que o colonialismo, por muitos anos, fez viver.
Com a Revolução de 25 de Abril de 1974 houve uma tremenda e felicíssima modificação no viver nacional português e, também, como é obrigatório reconhecer-se, uma alteração significativa nos relacionamentos internacionais de Portugal. Com o fim da colonização portuguesa nasceram vários Países de Expressão Oficial Portuguesa o que passou a ser uma razão muito forte e muito propositada para que Portugal devesse querer rever o seu posicionamento com todo o mundo que, apesar de tudo, mais uma vez na História, tinha ajudado a modificar.
Nestas novas condições, a política exterior portuguesa devia ter procurado uma nova inserção mundial liberta, o mais possível, dos compromissos políticos de dependência que os interesses colonialistas, anos a fio, tinham determinado. Se éramos colonizadores também éramos colonizados; ao terminar com uma dessas vertentes devia ter-se apostado, com força e determinação, em findar, o mais possível, com a outra.
Um caminho desprezado: o Não-Alinhamento.
O Não-Alinhamento, no pós 25 de Abril, podia ter sido uma boa solução política para um país que, depois de muitos anos de guerras coloniais, acabava de descolonizar o que restava do seu velho império e, como assim, na consequência de múltiplas razões, próprias ou impostas, conseguia fazê-lo sem deixar rasto de neocolonialismo, tudo a par de conseguir saber manter, senão poder reavivar, os seus relacionamentos seculares, agora, afirmados e estabelecidos tanto com os novos Estados, suas ex-colónias como, por igual, com a generalidade de todos os Estados afro-asiáticos encerrados, como foram, os resquícios das animosidades que o colonialismo, por muitos anos, fez viver.
Com a Revolução de 25 de Abril de 1974 houve uma tremenda e felicíssima modificação no viver nacional português e, também, como é obrigatório reconhecer-se, uma alteração significativa nos relacionamentos internacionais de Portugal. Com o fim da colonização portuguesa nasceram vários Países de Expressão Oficial Portuguesa o que passou a ser uma razão muito forte e muito propositada para que Portugal devesse querer rever o seu posicionamento com todo o mundo que, apesar de tudo, mais uma vez na História, tinha ajudado a modificar.
Nestas novas condições, a política exterior portuguesa devia ter procurado uma nova inserção mundial liberta, o mais possível, dos compromissos políticos de dependência que os interesses colonialistas, anos a fio, tinham determinado. Se éramos colonizadores também éramos colonizados; ao terminar com uma dessas vertentes devia ter-se apostado, com força e determinação, em findar, o mais possível, com a outra.
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