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domingo, 13 de junho de 2010

O pintor D’Assumpção e a Pirâmide


Carlos Loures

O falecimento de António Manuel Couto Viana veio, por associação de ideias recordar-me a revista “Tempo Presente” e, por consequência, um “aviso aos distraídos” que, a propósito dessa publicação, saiu numa revista que coordenei – a “Pirãmide”.

Já aqui falei antes na Pirâmide, revista publicada entre 1959 e 1960, da qual fui um dos coordenadores. Como disse, mais por circunstâncias fortuitas do que por razões de adesão consistente, a publicação esteve ligada ao movimento surrealista português. Porém, em 1965 travei uma acesa polémica com o papa do movimento em Portugal, Mário Cesariny de Vasconcelos. Talvez um dia me resolva a descrever essa polémica que me valeu a informal expulsão de um movimento do qual já me auto excluíra, pois nessa altura aderira a um grupo político, fui preso e o meu surrealismo superficial (fascínio pelo su revestimento formal) não resistiu à lógica da inevitabilidade do socialismo revolucionário que então imperava. Fui excluído, mas voluntariamente eu já saíra.