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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Auto-retrato de uma assinatura: António Sales

Numa tarde de Abril de 1936, em Torres Vedras, em pequena e modesta casa onde os meus pais viviam, saltei cá para fora a berrar que nem um danado. A gravidez da minha mãe fora de risco mas eu apareci escorreito. Meu pai terá respirado fundo e certamente jurou que nunca mais se metia noutra aventura daquelas. Era homem de palavra e cumpriu.

A infância mostrou teimosia e paciência. Notou-se logo às refeições em que o tempo, sendo imaterial, para mim não existia. Não raro juntava o almoço com o lanche e este com o jantar sem me levantar da mesa. Minha mãe perdia as estribeiras. Cheguei a estar mais do que uma hora com uma peça de fruta no prato. Era no tempo da guerra e eu entretinha-me inventando batalhas mas a fruta não a comia. Comer era já em si uma batalha, ou melhor um desafio à paternidade austera daquele tempo. Abandonei a fruta aos 12 anos e o vinho aos 14, até hoje.

A adolescência não foi recomendável. Os castigos e reguadas recebidos na Primária tiveram a faculdade de despertar a rebeldia contra a autoridade. Com 12 anos tinha no liceu o “cadastro” de cábula; quando me provocavam e perdia a paciência (coisa difícil) tinha a fúria de um touro levando tudo à frente.

Carta do Céu: signo Touro, ascendente Virgem, 1º decanato, Marte em Touro, mais Urano e Mercúrio. Belo retrato!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Apresentando António Sales

António Sales nasceu em 1936 em Torre Vedras. Começou a escrever com apenas 17 anos. Concluído o Curso Geral dos Liceus, foi colaborador da «Visor», da «Imagem» e da «Vértice», escrevendo sobre cinema. Em 1956, foi um dos fundadores do Cineclube de Torres Vedras. Entre 1961 e 1964, coordenou um “Suplemento Cultural” no jornal “Badaladas”. Interessou-se também por teatro e levou à cena “O Doido e a Morte” de Raul Brandão. Em 1964 trabalhou numa editora de Lisboa, Em 1972 criou, com dois sócios, uma agência publicitária, actividade em que, a partir de então, se profissionalizou. Durante 15 anos, publicou crónicas semanais no diário «A Capital».

Principais obras: um Diário de Espectador de Cinema (1961), A Primeira Manhã, contos (1964), Uma longa e Estranha Pausa, seu primeiro romance (1970) , Barcelona, Cidade na Catalunha, (1972), crónicas suscitadas pelas suas deslocações à capital catalã durante as quais privou com o grande escritor Manuel de Pedrolo (1918-1990), Requiem pelos fiéis defuntos, (1976), contos inspirados nos que viveram os tempos do fascismo, Corpo Enigmático (1993), Uma Mulher no Papel (1996), seu segundo romance, António Botto, real e imaginário (1997 ), biografia do grande poeta, Os Guardadores do Tempo, (2007), um grande painel sobre a vida em Torres Vedras no princípio do século XX, e Roteiro Turístico de Torres Vedras, (2008).