segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Adão Cruz e Ethel Feldman no Terreiro da Lusofonia (I)
É noite, choram as carpideiras
Os mortos de cada dia
Boa safra que se escapa da vida
Doce é a partida
quando se faz desejada
Partem os homens de Boaventura
Restam as viúvas vestidas de luto
Trago no corpo, teu corpo
Salgado, agora sem vida
Memória de ti nas noites
Sem noite
Memória de ti em cada manhã
Amanhã e depois de amanhã
Mal anoiteça, estarás comigo
Até que eu adormeça
Etiquetas:
adão cruz,
ethel feldeman,
pintores portugueses,
poesia portuguesa
O dia do orgasmo!
Luís Moreira
Foi ontem o dia do orgasmo mas só agora dou conta aos nossos leitores não fosse distrair alguem de trabalho tão solitário.
Está bem, mesmo a dois é muito raro ser acompanhado, embora se saiba que é tudo feito, desenvolvido e terminado ao mesmo tempo.Dizem os próprios, sem se rir e prometendo que para a próxima é que é.Bem, estou desculpado,porque eu sou mesmo dos que estive ocupado e portanto nada de piadas obscenas que é no que dá quando se brinca com coisas que poucos fazem como deve ser...
Uma das coisas mais giras nos orgasmos são os sons, atrevo-me mesmo a dizer que a ideia de cada um ser por si, à vez, é para não perder os "cochichos" do parceiro, que matam um tipo a rir, tambem se não se ri numa ocasião destas é porque não tem sentido de humor, de amor e "hormonal" que é o que faz a coisa acontecer. As três! É muito dificil ter as três ao mesmo tempo, e a maioria já não tem os três...( é um trocadilho vulgar mas estou a virar o rabo à parceira, não dá para mais...)
Desculpem lembrar-vos disto, bem sei que há muito que se esqueceram, mas enfim, é com boa intenção...
Histórias de suicidios famosos em Portugal - José Brandão
José Fontana (1840-1876) -II
Giuseppe Silo Domenico Fontana — dito José Fontana em português — filho de Maria Clara Bertrand Bonardelli e de Giovanni Battista Fontana, nasceu em Cablio (Suíça) a 28 de Outubro de 1840 e morreu em Lisboa a 2 de Setembro de 1876, tendo conservado sempre a nacionalidade suíça, como consta no registo do funeral, realizado no Cemitério Ocidental de Lisboa (Prazeres).
Giuseppe Silo Domenico Fontana — dito José Fontana em português — filho de Maria Clara Bertrand Bonardelli e de Giovanni Battista Fontana, nasceu em Cablio (Suíça) a 28 de Outubro de 1840 e morreu em Lisboa a 2 de Setembro de 1876, tendo conservado sempre a nacionalidade suíça, como consta no registo do funeral, realizado no Cemitério Ocidental de Lisboa (Prazeres).
Com a profissão de encadernador e depois caixeiro de livraria, entrou para o serviço da Livraria Bertrand, da qual chegou a ser sócio.
Autodidacta, extraordinariamente culto, interessado nos problemas sociais da época, acompanhou a criação das primeiras associações operárias portuguesas e foi elemento decisivo para a criação do Partido Socialista em Portugal, no seguimento das resoluções do Congresso da Internacional Operária realizado em Haia e que preconizavam a criação de partidos operários nacionais.
domingo, 1 de agosto de 2010
Os processos de globalização - Boaventura Sousa Santos
Boaventura de Sousa Santos, nasceu em Coimbra em 15 de Novembro de 1940. Doutorado em Sociologia do Direito pela Universidade de Yale, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Distinguished Legal Scholar da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin - Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick. É também director dos Centro de Estudos Sociais e do Centro de Documentação e da revista editada pelo C.E.S., a Revista Crítica de Ciências Sociais. Abril, e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa .
Tem uma vasta obra ensaística publicada, da qual salientamos: Um Discurso sobre as Ciências,(1988); O Social e o Político na Transição Pós-moderna, (1989); Introdução a uma ciência pós-moderna1990: O Estado e a Sociedade em Portugal (1974-1988). 1993 (org.): Portugal: um retrato singular, 1994:"Pela mão de Alice - o social e o político na pós-modernidade". .2000 Para uma concepção pós-moderna do direito. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência, (.2001) (org.); Globalização: Fatalidade ou Utopia? (2004); Escrita INKZ, Rio de Janeiro: Aeroplano.2005: " A Universidade do Século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade". (2005): O Fórum Social Mundial: manual de uso. (2006): Viagem ao centro da pele.(2006 ): A gramática do tempo: para uma nova cultura política, (2006) ;The Heterogeneous State and Legal Pluralism in Mozambique, (2007): La Reinvención del Estado y el Estado Plurinacional. (2007); El derecho y la globalización desde abajo. : Anthropos.Cognitive Justice in a Global World: Prudent Knowledge for a Decent Life (Org.). 2007): Para uma revolução democrática da justiça. (2008) .A universidade no século XXI. Para uma universidade nova (com Naomar de Almeida Filho). (2008.2009) Epistemologias do sul. Com Maria Paula (Orgs.).
Tem uma vasta obra ensaística publicada, da qual salientamos: Um Discurso sobre as Ciências,(1988); O Social e o Político na Transição Pós-moderna, (1989); Introdução a uma ciência pós-moderna1990: O Estado e a Sociedade em Portugal (1974-1988). 1993 (org.): Portugal: um retrato singular, 1994:"Pela mão de Alice - o social e o político na pós-modernidade". .2000 Para uma concepção pós-moderna do direito. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência, (.2001) (org.); Globalização: Fatalidade ou Utopia? (2004); Escrita INKZ, Rio de Janeiro: Aeroplano.2005: " A Universidade do Século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade". (2005): O Fórum Social Mundial: manual de uso. (2006): Viagem ao centro da pele.(2006 ): A gramática do tempo: para uma nova cultura política, (2006) ;The Heterogeneous State and Legal Pluralism in Mozambique, (2007): La Reinvención del Estado y el Estado Plurinacional. (2007); El derecho y la globalización desde abajo. : Anthropos.Cognitive Justice in a Global World: Prudent Knowledge for a Decent Life (Org.). 2007): Para uma revolução democrática da justiça. (2008) .A universidade no século XXI. Para uma universidade nova (com Naomar de Almeida Filho). (2008.2009) Epistemologias do sul. Com Maria Paula (Orgs.).
Solidão

António Sales
Sento-me numa pedra verde
no Monte da Lua,
olhando a alma
da folhagem densa e abandonando
os olhos pelo verde musgo
de sensualidades escondidas.
Memórias de outros verdes
bailam por entre as sombras
o cântico de pássaros encantados.
Parado na quietude da tarde engalanada
soletro a natureza enquanto
o sopro verde da solidão
abandona-se comigo ao prazer de estar sentado.
Uma voz interior desfolha o tempo.
Suspenso fico
sem olhar para nada nem ninguém
aguardando da intemporalidade suposta além..
Etiquetas:
desfolha,
monte da lua,
sensualidade,
solidao
República nos livros de ontem nos livros de hoje - 92 e 93 (José Brandão)
Lápides Partidas
Aquilino Ribeiro
Livraria Bertrand, 1969
A acção decorre no período em que a velha estrutura monárquica ia definitivamente cair e, caldeada de idealismos e esperanças, iria ser proclamada a República. «Foi essa uma viragem substancial, que eu pretendi traduzir», diz Aquilino Ribeiro, «o conflito visto não da crista da vaga, mas no seu recesso, lame de fond, anotando as reacções de uma personagem que entrava na constituição do magma revolucionário, a massa de fusão. Libório Barradas é um produto do meio, condicionado por ele, sua emanação, digamos.
Em 1906 Aquilino Ribeiro vai para Lisboa, onde a sua congénita personalidade de inconformado se adapta na perfeição ao ambiente revolucionário da capital nas vésperas da instauração da República. Em 1907 é preso e no ano seguinte evade-se, fugindo para Paris.
___________________________
A Leva da Morte
Artur Villares
Livros Horizonte, 1988
Há precisamente 70 anos Portugal fazia a primeira experiência totalitária da República, o Sidonismo, verdadeiro balão de ensaio do futuro consulado salazarista. Símbolo primeiro desse regime, Sidónio Pais dominou a época, as consciências e as pessoas.
Penetrando no dia-a-dia desse período, Artur Villares, sob a forma de memórias redigidas em 1933, cruza a realidade histórica com a ficção e relembra Fátima e o anti-clericalismo, a Grande Guerra e o dilema dos portugueses, a República e a Monarquia, o Poder e a violência, numa palavra, a Vida e a Morte entre 5 de Dezembro de 1917 e 14 de Dezembro de 1918.
70 anos depois, a crónica do Sidonismo, do Poder e da Ilusão, num texto emocionante, numa plena capacidade de comunicação, no limiar da Realidade e da Ficção.
Etiquetas:
aquilio ribeiro,
I república,
leva da morte,
regicídio
Memorial do Paraíso, de Sílvio Castro - 1
A minha terra era longe dali, no restante do mundo.
João Guimarães Rosa
Navegar, minha amada e infeliz filha, é poder num só momento viver tantos momentos; estar presente ao que se assiste e às lembranças; sentir e pressentir, chegar e esperar. O mar é este gentil caminho que nos leva em todas as direções e nos envolve como um manto. Navegar é estar sozinho sem solidão. Por isso te recordo, minha Maria, neste mar e nesta terra nova, e quero contar-te todas as andanças que me acompanham. Sei que te sentes sempre triste com a tua existência incompreendida, e quero alegrar-te um pouco e estar contigo em nossa casa. Então, pensei, escreverei para minha Maria todas as comoções das minhas viagens e as revelações delas. Para ela falarei de tudo que vivo e descubro, assim mesmo como farei para o meu Rei e meu Senhor. Já lá se vão tantos dias de minha partida, mas começarei hoje, como me ordenou meu Comandante. Quando daqui a dias a nave de Gaspar de Lemos retornar a Lisboa e nós continuaremos para as Índias, junto com a carta para El-Rei, irá também este diário para Maria. Nele, Maria, te contarei tudo. Começo hoje. Mas parto daquele primeiro dia em Belém. Assim, muitas coisas que te direi serão puras lembranças. Outras, verdades.
João Guimarães Rosa
Navegar, minha amada e infeliz filha, é poder num só momento viver tantos momentos; estar presente ao que se assiste e às lembranças; sentir e pressentir, chegar e esperar. O mar é este gentil caminho que nos leva em todas as direções e nos envolve como um manto. Navegar é estar sozinho sem solidão. Por isso te recordo, minha Maria, neste mar e nesta terra nova, e quero contar-te todas as andanças que me acompanham. Sei que te sentes sempre triste com a tua existência incompreendida, e quero alegrar-te um pouco e estar contigo em nossa casa. Então, pensei, escreverei para minha Maria todas as comoções das minhas viagens e as revelações delas. Para ela falarei de tudo que vivo e descubro, assim mesmo como farei para o meu Rei e meu Senhor. Já lá se vão tantos dias de minha partida, mas começarei hoje, como me ordenou meu Comandante. Quando daqui a dias a nave de Gaspar de Lemos retornar a Lisboa e nós continuaremos para as Índias, junto com a carta para El-Rei, irá também este diário para Maria. Nele, Maria, te contarei tudo. Começo hoje. Mas parto daquele primeiro dia em Belém. Assim, muitas coisas que te direi serão puras lembranças. Outras, verdades.
Etiquetas:
literatura brasileira,
pero vaz de caminha,
silvio castro
Autores fundadores da antropologia (de Raúl Iturra)
Sir Archibald Reginald (Birmingham, 17 de Janeiro de 1881 — Londres, 24 de Outubro de 1955) foi um cientista social britânico, considerado um dos maiores expoentes da Antropologia, tendo desenvolvido a teoria do funcionalismo estrutural. Esta forma de análise, usada por ele e vários outros, é definida como: Funcionalismo (do Latim fungere, ‘desempenhar) é um ramo da Antropologia e das Ciências Sociais que procura explicar aspectos da sociedade em termos de funções realizadas por indivíduos ou suas consequências para sociedade como um todo. É uma corrente sociológica associada à obra de Émile Durkheim. Para ele cada indivíduo exerce uma função específica na sociedade e sua má execução significa um desregramento da própria sociedade. Sua interpretação de sociedade está directamente relacionada ao estudo do facto social, que segundo Durkheim, apresenta características específicas: exterioridade e a coercibilidade. O facto social é exterior, na medida em que existe antes do próprio indivíduo, e coercivo, na medida em que a sociedade impõe tais postulados, sem o consentimento prévio do indivíduo. Entre os académicos que usaram este método analítico da conduta social, estão: Michel Foucault, Bronislaw Malinowski , Alfred Reginald Radcliffe-Brown , Émile Durkheim , Talcott Parsons, Niklas Luhmann, Louis Althusser, Nikos Poulantzas,George Murdoch,Kinglsey Davis , Wilbert Moore, Jeffrey Alexander, G. A. Cohen, Herbert J. Gans e Pierre Bourdieu.
Etiquetas:
antropologia,
archibald reginald,
durkheim,
polinésia
Eduardo Galeano e a defesa da palavra
Carlos Loures
Eduardo Galeano nasceu em Montevideu, em 1940), é um escritor e jornalista uruguaio. Autor de mais de 40 obras traduzidas em diversos idiomas, a mais conhecida das quais é «Las venas abiertas de América Latina», 1971 («As Veias abertas da América Latina», com prefácio de Isabel Allende, edição de Paz e Terra, São Paulo, 2007).Preso em 1973, quando do golpe militar, exilou-se depois na Argentina, de onde, em 1976, com a criminosa ditadura de Videla, teve também de fugir, pois estava nas listas dos esquadrões da morte. Refugiou-se em Espanha, regressando ao Uruguai quando, em 1985, a democracia voltou. No seu livro «Crónicas 1963-1988», publicou o texto «Defensa de la palabra», no qual inspiro a presente crónica – aconselhando vivamente a leitura das obras deste lúcido escritor latino-americano). Este texto mereceria uma análise mais aprofundada, porque referindo-se à América Latina, tem um alcance universal, abordando problemas que afectam e afligem todos os que usam a palavra como arma e como ferramenta de trabalho.
Eduardo Galeano nasceu em Montevideu, em 1940), é um escritor e jornalista uruguaio. Autor de mais de 40 obras traduzidas em diversos idiomas, a mais conhecida das quais é «Las venas abiertas de América Latina», 1971 («As Veias abertas da América Latina», com prefácio de Isabel Allende, edição de Paz e Terra, São Paulo, 2007).Preso em 1973, quando do golpe militar, exilou-se depois na Argentina, de onde, em 1976, com a criminosa ditadura de Videla, teve também de fugir, pois estava nas listas dos esquadrões da morte. Refugiou-se em Espanha, regressando ao Uruguai quando, em 1985, a democracia voltou. No seu livro «Crónicas 1963-1988», publicou o texto «Defensa de la palabra», no qual inspiro a presente crónica – aconselhando vivamente a leitura das obras deste lúcido escritor latino-americano). Este texto mereceria uma análise mais aprofundada, porque referindo-se à América Latina, tem um alcance universal, abordando problemas que afectam e afligem todos os que usam a palavra como arma e como ferramenta de trabalho.
Etiquetas:
américa latina,
eduardo galeano,
jornalismo
Poemas do meu tio Alfredo Prior - 1

Luis Moreira
O presidente da Câmara da Mêda achou por bem, "promover a publicação de edições de livros de poetas populares"
Diz o Presidente : Conheço, pessoalmente, há várias décadas o Sr. Alfredo Prior. Personalidade multifacetada de amigo do seu amigo.Agora aparece-nos noutra faceta, de poeta popular.
Longroiva e o concelho da Mêda ficaram mais ricos, porque o livro de Alfredo Prior tem a preocupação, justamente, de divulgar a sua terra e algumas paisagens locais, usos, costumes e reflecte a religiosidade do Homem beirão, na consagração dos seus valores e na religião que acredita.
Como já escrevi o meu tio Alfredo tem 84 anos, nenhuma doença, não toma comprimidos, come um prato de sopa às 5 da manhã, quando se levanta para nascer com a vida, como ele diz, ouvir os sons da natureza, conhece os pássaros pelo canto e come mais um prato de sopa ao meio da tarde.Sachola as pequenas courelas que ainda tem e preside à Junta de Freguesia de Longroiva.Ganha sempre por unanimidade as eleições da Junta, já lhe disse que é por o quererem a trabalhar, a tomar conta do que é de todos, mas ele anda feliz com isso.
Nunca foi à escola, mas isso não o impede de ser músico, cantador de romarias.Ninguem nasce médico ou engenheiro, mas ningeum aprende a ser poeta, e o meu tipo nasceu com esse Dom. Canta a sua terra natal, a natureza, a melancolia, a mãe que perdeu muito cedo,a sua profunda crença religiosa.E é com profunda heronia que canta:
O médicao ganha dinheiro
Enriquece em poucos anos
Porque não paga ao coveiro
Pŕa lhe enterrar os enganos.
Vou publicando os poemas do livro "Poemas de Alfredo Prior" e contar facetas da sua vida tão rica, tão dificil e tambem tão feliz!
Etiquetas:
alfredo prior,
o meu tio,
poemas .Longroiva
Novas Viagens na Minha Terra

Manuela Degerine
Capítulo LXVI
Décima sétima etapa: de Vilarinho a Barcelos (continuação II)
O italiano chama-se Sérgio. Para esconjurar mal-entendidos, aviso, sem precauções oratórias, apenas se aproxima, não só sou lenta, também gosto de parar, de olhar, de conversar, não vim aqui fazer ginástica, perder quilos, mortificar o corpo, passear o tédio, mas ver, ouvir e apreciar, por conseguinte, se lhe apetece devorar quilómetros, avante e boa viagem, voltaremos a encontrar-nos, se tal for o nosso fado. Ele replica, algo surpreendido, que não tem pressa: apanhou o avião para andar a pé.
Etiquetas:
barcelos,
caminho de santiago,
tibete,
vilarinho
Navegação de Henrique
Sílvio Castro*
Poema circunstancial, por ocasião do nascimento de Henrique (Brasília, 9 de abril de 2007)
Você chegou, Henrique, sob os astros
de Brasília neste 9 de abril de um outono
primaveril, nos 7 primeiros anos de
um tempo, neste abril, aberto e novo
a anos mil, navegado por quem
traz dos tempos o fervor dos Castros.
Mais que fervor, Henrique feito do amor
de Rodrigo e Letícia, você traz outras prendas
presentes para os olhos: você, andante
comandante, traz toda alegria navegante
de oceanos mares a planaltos de verdes rendas.
Você, Henrique, visto sob estes astros
inaugurais de um tempo certo,
mostra aos olhos um novo olhar dos Castros.
____________________
*Sílvio Castro, poeta, romancista, contista, ensaísta, crítico e historiador literário, critico de arte, teve seu primeiro livro de poesia, Infinito Sul, publicado em 1956, sendo o volume Poemas Construtivos, o último, em edição Galo Branco, Rio de Janeiro, de 2007. O presente poema fará parte do livro de Sílvio Castro, 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, programado para publicação em 2011, sempre em edição Galo Branco.
Poema circunstancial, por ocasião do nascimento de Henrique (Brasília, 9 de abril de 2007)
Você chegou, Henrique, sob os astros
de Brasília neste 9 de abril de um outono
primaveril, nos 7 primeiros anos de
um tempo, neste abril, aberto e novo
a anos mil, navegado por quem
traz dos tempos o fervor dos Castros.
Mais que fervor, Henrique feito do amor
de Rodrigo e Letícia, você traz outras prendas
presentes para os olhos: você, andante
comandante, traz toda alegria navegante
de oceanos mares a planaltos de verdes rendas.
Você, Henrique, visto sob estes astros
inaugurais de um tempo certo,
mostra aos olhos um novo olhar dos Castros.
____________________
*Sílvio Castro, poeta, romancista, contista, ensaísta, crítico e historiador literário, critico de arte, teve seu primeiro livro de poesia, Infinito Sul, publicado em 1956, sendo o volume Poemas Construtivos, o último, em edição Galo Branco, Rio de Janeiro, de 2007. O presente poema fará parte do livro de Sílvio Castro, 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, programado para publicação em 2011, sempre em edição Galo Branco.
Dois estrolábicos vão ocupar o Terreiro da Lusofonia
Depois do protesto dos ficcionistas, seguiu-se um pré-aviso de greve dos estrolábicos - «então nós não temos acesso ao Terreiro da Lusofonia?» disse indignado o delegado sindical. Tivemos de ceder. A verdade é que os colaboradores do Estrolabio são todos lusófonos. O Josep A. Vidal é catalão, mas descendente de galegos, o que o transforma em lusófono. Então, para compensar o facto de só agora lhes ter sido reconhecido esse direito, entre amanhã, dia 2 de Agosto, e sexta-feira, dia 6, o Adão Cruz e a Ethel Feldman montam a sua exposição de quadros e de poemas. Temos então o prazer de vos anunciar para os próximos dias neste Terreiro -
Cinco pinturas de Adão Cruz e outros tantos poemas de Ethel Feldman nelas inspirados.
Cinco pinturas de Adão Cruz e outros tantos poemas de Ethel Feldman nelas inspirados.
Histórias de suicidios famosos em Portugal - José Brandão
O suicida não é um homem que odeia a vida, como à primeira vista pode parecer. Pelo contrário: é um homem que a quer prolongar de qualquer maneira, nem que seja no remorso dos outros.
Miguel Torga
Introdução
Se em todas as épocas existem suicidas, nem todas elas os produzem saídos da mesma massa. Os que vamos ver nestas páginas são pessoas que viviam intensamente os problemas, estavam no centro deles e foram mesmo origens de alguns. Não foi, pois, a incomunicabilidade que os empurrou para a morte, mas talvez o excesso de comunicação com o Portugal que viam e que desfilava por eles como um funeral.
Para eles, a morte estava presente no mais despreocupado despregar de mãos. Viver a vida e cortá-la ao primeiro transtorno, após uma série de outros que já não se suportaram mais, corroídos pelo banal dia-a-dia gastos pela «doença de pátria», não era estado de incomunicabilidade.
O período que medeia a passagem do século XIX para o XX, factualmente compreendido entre o Ultimatum Inglês, de 11 de Janeiro de 1890 e a implantação da República, de 5 de Outubro de 1910, retrata uma longa e múltipla carência da sociedade portuguesa quanto ao seu papel cultural para com os seus escritores e os seus escritos.
A inexistência de meios, a falta de estímulos, a incompreensão e o desapego a que foram sujeitos, os homens da “bela arte de escrever”, como um Antero de Quental, um Camilo Castelo-Branco, um Soares dos Reis, um Júlio César Machado ou um José Fontana, entre muitos outros, provoca-lhes um sentimento de decepção para com a comunidade em que vivem. A morte apossara-se-lhe das vidas. Ninguém sabe doutra coisa, ninguém tem outra maneira de se afirmar — de protestar, de procurar a resignação — senão através do suicídio.
Sãos os tempos das crises de consciência, em que o mundo e a sua moral subvertida nos transportam, tendo sempre como sombra o ruir dos velhos alicerces, a uma sociedade feita de angústia, opressão e instabilidade. São as ditaduras veladas do rotativismo político, ou declaradas como o franquismo. São as viciações e as desonestidades do aparelho governativo e dos seus resultados eleitorais, com o consequente descrédito total do parlamentarismo monárquico. São as desconfianças permanentes do sistema económico e financeiro, a par do desespero, da impotência e da derrota das questões internacionais. São os desânimos pelo crescimento do obscurantismo e da ignorância, acompanhados pelo desenraizamento de quem se identifica como responsável e portador de uma natureza defeituosa, da qual, apenas se conhece a doença, mas não a cura. Em suma, são os tempos em que apenas se vivia a renúncia, a indiferença, o cansaço e o pessimismo.
Miguel Unamuno, logo após o regicídio, em 1908, viaja até Portugal onde conta com a amizade de algumas das mais destacadas figuras da vida cultural e política. Das impressões dessa deslocação, o prestigiado escritor espanhol haveria de publicar um livro que só passados setenta e cinco anos seria traduzido e publicado em Portugal.
Por Terras De Portugal E Da Espanha, é dos mais interessantes documentos que alguma vez foi escrito sobre este pedaço de chão que tem Lisboa por capital. Ler este livro de um estrangeiro ajuda a conhecer melhor quem somos e o que somos. Unamuno fala deste País com palavras de uma verdade crua, sincera e ao mesmo tempo arrasadora. Diz este autor:
«Portugal representa-se-me como uma formosa e doce jovem camponesa que, de costas para a Europa, sentada à beira-mar, com os pés descalços na praia onde a espuma das gemebundas ondas os banha, os cotovelos fincados nos joelhos e o rosto entre as mãos, olha como o sol se põe nas águas infinitas. Porque para Portugal o sol não nasce nunca: morre sempre no mar que foi teatro das suas façanhas e berço e sepulcro das suas glórias. […]É o oceano um vasto cemitério, sobretudo para Portugal. O mar, essa é a «campa», esse é o cemitério desta desgraçada pátria de Vasco da Gama, de João de Castro, de Albuquerque, de Cabral, de Magalhães, de todos os maiores navegadores do mundo, desta pátria do infante D. Fernando, do rei D. Sebastião, que além do mar morreram. Nesse imenso cemitério vivo, que vem a murmurar fados beijar as praias deste «Jardim da Europa, à beira-mar plantado,»
Nesse imenso cemitério descansa a glória de Portugal, cuja história é um trágico naufrágio de séculos. E este murmúrio do oceano, estas queixas que vêm do seu seio quando o sol nele se deita, — não são acaso as vozes das pobres almas portuguesas que vagueiam errantes nas suas ondas? Não pedem sufrágios aos vivos? Não é aqui o mar do Purgatório?»
E, naquela que é seguramente a parte mais eloquente do seu testemunho sobre Portugal e sobre o povo que nele vive, ficaria o registo de um capítulo a que o autor quis dar o título de UM POVO SUICIDA:
«Portugal é um povo triste, e é-o até quando sorri. A sua literatura, inclusive, a sua literatura cómica e jocosa, é triste. Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida. A vida não tem para ele sentido transcendente. Querem viver talvez, sim; mas para quê? Vale mais não viver.»
Neste mesmo capítulo, e com a data de Novembro de 1908, Miguel de Unamuno dá a conhecer uma carta de Manuel Laranjeira, seu amigo de grande afecto:
«Em Portugal chegou-se a este princípio de filosofia desesperada o suicídio é um recurso nobre, é uma espécie de redenção da moral. Neste malfadado país, tudo o que é nobre suicida-se; tudo o que é canalha triunfa.
Chegámos a isto, amigo. Eis a nossa desgraça. Desgraça de todos nós, porque todos a sentimos pesar sobre nós, sobre o nosso espírito, sobre a nossa alma desolada e triste, como uma atmosfera de pesadelo, depressiva e má. O nosso mal é uma espécie de cansaço moral, de tédio moral, o cansaço e o tédio de todos os que se fartaram — de crer.
Crer...! Em Portugal, a única crença ainda digna de respeito é a crença na morte libertadora.
É horrível, mas é assim.
[…]
Eu, por mim, não sei, não sei: em boa verdade, amigo, não sei para onde vamos. Sei que vamos mal. Para onde? Para onde nos levarem os maus ventos do destino. Para onde? Vamos...
[…]
Não falta mesmo quem diga que isto não é já um povo, mas sim — o cadáver de um povo.»
Manuel Laranjeira haveria de se suicidar passados menos de quatro anos sobre esta carta a Unamuno. Seria o último de uma lista aterradora de suicidas que começa em 1876 com José Fontana e que continua com o médico Francisco da Cruz Sobral, em 1888, com o escultor Soares dos Reis, em 1889, Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado e o sertanejo Silva Porto em 1890, Antero de Quental, em 1891, o militante operário Luís de Carvalho, em 1893, o escritor operário Henrique Verdial, em 1900, Mouzinho de Albuquerque, em 1902, o escritor e jurista Trindade Coelho e o jornalista Alberto Costa, o «PadZé», em 1908, o almirante Cândido dos Reis, membro da Carbonária Portuguesa, em 1910, Guedes Quinhones, velho militante socialista e jornalista operário, em 1911. E, depois de Manuel Laranjeira, em 1912, suicida-se o poeta Mário de Sá-Carneiro, em 1916, e Florbela Espanca, em 1930.
Portugal é um desespero trágico que aflige os melhores filhos do seu possível orgulho nacional. Alexandre Herculano exclamara: «isto dá vontade da gente morrer!». Rodrigo da Fonseca murmurara: «nascer entre brutos, viver entre brutos e morrer entre brutos é triste»? E no final de um soneto António Nobre apregoa: «Amigos, que desgraça nascer em Portugal! [...] Todos nós falhamos… Nada nos resta. Somos uns perdidos. Choremos, abracemo-nos, unidos! Que fazer? Porque não nos suicidamos?»
As dez histórias de suicídios aqui apresentadas são apenas uma parte de tantos outros que ocorreram durante esse mesmo período.
São famosos e são do melhor que Portugal tem na sua História.
Ao suicidarem-se é um pouco de Portugal que se suicida.
Miguel Torga
Introdução
Se em todas as épocas existem suicidas, nem todas elas os produzem saídos da mesma massa. Os que vamos ver nestas páginas são pessoas que viviam intensamente os problemas, estavam no centro deles e foram mesmo origens de alguns. Não foi, pois, a incomunicabilidade que os empurrou para a morte, mas talvez o excesso de comunicação com o Portugal que viam e que desfilava por eles como um funeral.
Para eles, a morte estava presente no mais despreocupado despregar de mãos. Viver a vida e cortá-la ao primeiro transtorno, após uma série de outros que já não se suportaram mais, corroídos pelo banal dia-a-dia gastos pela «doença de pátria», não era estado de incomunicabilidade.
O período que medeia a passagem do século XIX para o XX, factualmente compreendido entre o Ultimatum Inglês, de 11 de Janeiro de 1890 e a implantação da República, de 5 de Outubro de 1910, retrata uma longa e múltipla carência da sociedade portuguesa quanto ao seu papel cultural para com os seus escritores e os seus escritos.
A inexistência de meios, a falta de estímulos, a incompreensão e o desapego a que foram sujeitos, os homens da “bela arte de escrever”, como um Antero de Quental, um Camilo Castelo-Branco, um Soares dos Reis, um Júlio César Machado ou um José Fontana, entre muitos outros, provoca-lhes um sentimento de decepção para com a comunidade em que vivem. A morte apossara-se-lhe das vidas. Ninguém sabe doutra coisa, ninguém tem outra maneira de se afirmar — de protestar, de procurar a resignação — senão através do suicídio.
Sãos os tempos das crises de consciência, em que o mundo e a sua moral subvertida nos transportam, tendo sempre como sombra o ruir dos velhos alicerces, a uma sociedade feita de angústia, opressão e instabilidade. São as ditaduras veladas do rotativismo político, ou declaradas como o franquismo. São as viciações e as desonestidades do aparelho governativo e dos seus resultados eleitorais, com o consequente descrédito total do parlamentarismo monárquico. São as desconfianças permanentes do sistema económico e financeiro, a par do desespero, da impotência e da derrota das questões internacionais. São os desânimos pelo crescimento do obscurantismo e da ignorância, acompanhados pelo desenraizamento de quem se identifica como responsável e portador de uma natureza defeituosa, da qual, apenas se conhece a doença, mas não a cura. Em suma, são os tempos em que apenas se vivia a renúncia, a indiferença, o cansaço e o pessimismo.
Miguel Unamuno, logo após o regicídio, em 1908, viaja até Portugal onde conta com a amizade de algumas das mais destacadas figuras da vida cultural e política. Das impressões dessa deslocação, o prestigiado escritor espanhol haveria de publicar um livro que só passados setenta e cinco anos seria traduzido e publicado em Portugal.
Por Terras De Portugal E Da Espanha, é dos mais interessantes documentos que alguma vez foi escrito sobre este pedaço de chão que tem Lisboa por capital. Ler este livro de um estrangeiro ajuda a conhecer melhor quem somos e o que somos. Unamuno fala deste País com palavras de uma verdade crua, sincera e ao mesmo tempo arrasadora. Diz este autor:
«Portugal representa-se-me como uma formosa e doce jovem camponesa que, de costas para a Europa, sentada à beira-mar, com os pés descalços na praia onde a espuma das gemebundas ondas os banha, os cotovelos fincados nos joelhos e o rosto entre as mãos, olha como o sol se põe nas águas infinitas. Porque para Portugal o sol não nasce nunca: morre sempre no mar que foi teatro das suas façanhas e berço e sepulcro das suas glórias. […]É o oceano um vasto cemitério, sobretudo para Portugal. O mar, essa é a «campa», esse é o cemitério desta desgraçada pátria de Vasco da Gama, de João de Castro, de Albuquerque, de Cabral, de Magalhães, de todos os maiores navegadores do mundo, desta pátria do infante D. Fernando, do rei D. Sebastião, que além do mar morreram. Nesse imenso cemitério vivo, que vem a murmurar fados beijar as praias deste «Jardim da Europa, à beira-mar plantado,»
Nesse imenso cemitério descansa a glória de Portugal, cuja história é um trágico naufrágio de séculos. E este murmúrio do oceano, estas queixas que vêm do seu seio quando o sol nele se deita, — não são acaso as vozes das pobres almas portuguesas que vagueiam errantes nas suas ondas? Não pedem sufrágios aos vivos? Não é aqui o mar do Purgatório?»
E, naquela que é seguramente a parte mais eloquente do seu testemunho sobre Portugal e sobre o povo que nele vive, ficaria o registo de um capítulo a que o autor quis dar o título de UM POVO SUICIDA:
«Portugal é um povo triste, e é-o até quando sorri. A sua literatura, inclusive, a sua literatura cómica e jocosa, é triste. Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida. A vida não tem para ele sentido transcendente. Querem viver talvez, sim; mas para quê? Vale mais não viver.»
Neste mesmo capítulo, e com a data de Novembro de 1908, Miguel de Unamuno dá a conhecer uma carta de Manuel Laranjeira, seu amigo de grande afecto:
«Em Portugal chegou-se a este princípio de filosofia desesperada o suicídio é um recurso nobre, é uma espécie de redenção da moral. Neste malfadado país, tudo o que é nobre suicida-se; tudo o que é canalha triunfa.
Chegámos a isto, amigo. Eis a nossa desgraça. Desgraça de todos nós, porque todos a sentimos pesar sobre nós, sobre o nosso espírito, sobre a nossa alma desolada e triste, como uma atmosfera de pesadelo, depressiva e má. O nosso mal é uma espécie de cansaço moral, de tédio moral, o cansaço e o tédio de todos os que se fartaram — de crer.
Crer...! Em Portugal, a única crença ainda digna de respeito é a crença na morte libertadora.
É horrível, mas é assim.
[…]
Eu, por mim, não sei, não sei: em boa verdade, amigo, não sei para onde vamos. Sei que vamos mal. Para onde? Para onde nos levarem os maus ventos do destino. Para onde? Vamos...
[…]
Não falta mesmo quem diga que isto não é já um povo, mas sim — o cadáver de um povo.»
Manuel Laranjeira haveria de se suicidar passados menos de quatro anos sobre esta carta a Unamuno. Seria o último de uma lista aterradora de suicidas que começa em 1876 com José Fontana e que continua com o médico Francisco da Cruz Sobral, em 1888, com o escultor Soares dos Reis, em 1889, Camilo Castelo Branco, Júlio César Machado e o sertanejo Silva Porto em 1890, Antero de Quental, em 1891, o militante operário Luís de Carvalho, em 1893, o escritor operário Henrique Verdial, em 1900, Mouzinho de Albuquerque, em 1902, o escritor e jurista Trindade Coelho e o jornalista Alberto Costa, o «PadZé», em 1908, o almirante Cândido dos Reis, membro da Carbonária Portuguesa, em 1910, Guedes Quinhones, velho militante socialista e jornalista operário, em 1911. E, depois de Manuel Laranjeira, em 1912, suicida-se o poeta Mário de Sá-Carneiro, em 1916, e Florbela Espanca, em 1930.
Portugal é um desespero trágico que aflige os melhores filhos do seu possível orgulho nacional. Alexandre Herculano exclamara: «isto dá vontade da gente morrer!». Rodrigo da Fonseca murmurara: «nascer entre brutos, viver entre brutos e morrer entre brutos é triste»? E no final de um soneto António Nobre apregoa: «Amigos, que desgraça nascer em Portugal! [...] Todos nós falhamos… Nada nos resta. Somos uns perdidos. Choremos, abracemo-nos, unidos! Que fazer? Porque não nos suicidamos?»
As dez histórias de suicídios aqui apresentadas são apenas uma parte de tantos outros que ocorreram durante esse mesmo período.
São famosos e são do melhor que Portugal tem na sua História.
Ao suicidarem-se é um pouco de Portugal que se suicida.
Subscrever:
Mensagens (Atom)








