Retomamos esta rubrica, agora com um formato e um horário diferentes . todos os dias repetiremos a publicação de um texto que tenha merecido particular interesse dos leitores quando da sua apresentação. O horário será este, o das três horas da manhã. Para iniciar, escolhemos
ANTECEDENTES IDEOLÓGICOS DO DIA DO TRABALHADOR (de Raúl Iturra)
Estava a acabar uma parte do texto da História de Portugal, para acrescentar os remotos antecedentes ideológicos do Dia do Trabalhador. Tenho comigo o livro de 1850, de Philippo Buonarroti, o, um dos membro fundadores da Carbonária1 no nosso país, editado por Chez C Garavay Jeune, em Paris. As dúvidas sobre como foi executado o regicídio em Portugal, são mais do que certas. A Carbonária tinha-se especializado em atentados contra figuras proeminentes da Europa, para semear o liberalismo preconizado por Napoleão, quem ao invadir Portugal sem sucesso de pôr no trono um seu familiar e destruir cidades, pelo menos deu azo a uma ideia nova, materializada na Constituição de 1828, que impôs ao Rei uma Assembleia para não ser um tirano absolutista. Ainda me lembro quando o actual Conde de Mangualde, tetraneto do Albuquerque da época de Bonaparte, me contava que para salvar a vila, hoje cidade, optara por entregar as chaves da fortaleza e ordenar a todos, civis e militares, não oporem resistência, evitando assim os saques, roubos, mortes e violações de direito e de pessoas. Filippo Giuseppe Maria Ludovico Buonarroti, usualmente referido em versão francesa ( French) Philippe Buonarroti (1761 - 1837) foi um italiano igualitário e socialista utópico (Italian egalitarian and utopian socialist), revolucionário, jornalista, escritor, agitador e freemason; a sua actividade foi realizada principalmente em France. De França passou a Portugal, ainda novo, para impor a República pela que o liberalismo lutava na Europa com certo sucesso. Não é possível esquecer que Buonarroti não era apenas sobrinho neto de Michelangelo, o universalmente conhecido escultor e pintor, como era discípulo de Grachus Babeuf revolucionário que com os seus panfletos no seu jornal L'Égalité, como O Manifesto dos Plebeus ou Le Manifeste de Plébéiens, publicado no seu jornal Le Tribun du peuple, de 9 de Frimario do ano IV (30 Novembro 1795), lutou contra a opressão da aristocracia. Os lemas manifestados no seu texto O Manifesto dos Plebeus, de 1885, inspiraram, mais tarde, em 1795, Sylvain Maréchal, que escreveu O Manifesto dos Iguais, e, em 1848, os Marxs, Jenny e Karl Heinrich Presborck Max, com o apoio de Engels, trouxeram a público O Manifesto dos Comunistas.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Terreiro da Lusofonia; Carlos Drummond de Andrade, um grande poeta brasileiro
O grande poeta brasileiro (1902-1987) é por demais conhecido e a sua obra (lembremos apenas Sentimento do Mundo ou A Rosa do Povo) faz parte do património das literaturas de língua portuguesa. Há uma dimensão, porém, não muito frequentada pela crítica e que se refere a um volume de poesia, O Amor Natural, até pelo modo, quase clandestino, como foi publicado. Em Agosto de 1985, a um jornalista que lhe pedia notícias sobre o livro, Drummond respondeu-lhe que não tinha intenção de publicar os seus versos eróticos, receando que o leitor os considerasse pornográficos.
Na verdade, o volume já tinha sido publicado em 1981 numa edição reservada de apenas dois exemplares, um dos quais entregue ao escritor argentino Manuel Graña Etcheverry, crítico literário e genro do poeta. O outro exemplar foi submetido à apreciação de outros amigos e estudiosos, que o avaliaram com apreço, mas Drummond continuou a mantê-lo em silêncio.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Liberdade
Adão Cruz
Sei que será difícil encontrar uma área, dentro da nossa sociedade, onde as coisas funcionem como deve ser, uma área onde não haja incompetências, corrupções, fraudes, crimes, mercado de influências, arbitrariedades, obstruções, subornos, perseguições, discriminações, subserviências e conformismos. Seja na medicina e na saúde, no ensino e na administração, no obscuro mundo do dinheiro e das religiões, no seio dos governos nacionais ou estrangeiros, em tudo o que é poder, a fasquia do homem pode ser, com efeito, muito rasteira. Arrepia-me que o seja, em qualquer circunstância, nas instituições tidas como as mais nobres, dignas e honrosas.
O meu respeito cresce na nobreza e na verdade das atitudes mas não se esgota nos erros e nas fragilidades da natureza humana. Perde-se sim, na hipocrisia, na mentira, no obscurantismo e na cobardia de figuras políticas, intelectuais e religiosas, quando falam e se apresentam como sábios e íntegros, aos considerados bacocos deste país. Não tenho estofo para admirar homens em quem não acredito, mas tenho a humildade suficiente para não me considerar mais do que um cidadão responsável. Bacoco nunca.
Por isso me indigna o que descaradamente se passa, todos os dias, com o beneplácito público, na esfera política, social e religiosa.
Na minha maneira de ver, qualquer tentativa de esconder, camuflar ou conduzir a opinião pública à escamoteação e anulação de factos gravíssimos é ultrajante. A ofensiva contra a liberdade, contra a liberdade de expressão e independência do pensamento, é um mal imperdoável.
Sei que será difícil encontrar uma área, dentro da nossa sociedade, onde as coisas funcionem como deve ser, uma área onde não haja incompetências, corrupções, fraudes, crimes, mercado de influências, arbitrariedades, obstruções, subornos, perseguições, discriminações, subserviências e conformismos. Seja na medicina e na saúde, no ensino e na administração, no obscuro mundo do dinheiro e das religiões, no seio dos governos nacionais ou estrangeiros, em tudo o que é poder, a fasquia do homem pode ser, com efeito, muito rasteira. Arrepia-me que o seja, em qualquer circunstância, nas instituições tidas como as mais nobres, dignas e honrosas.
O meu respeito cresce na nobreza e na verdade das atitudes mas não se esgota nos erros e nas fragilidades da natureza humana. Perde-se sim, na hipocrisia, na mentira, no obscurantismo e na cobardia de figuras políticas, intelectuais e religiosas, quando falam e se apresentam como sábios e íntegros, aos considerados bacocos deste país. Não tenho estofo para admirar homens em quem não acredito, mas tenho a humildade suficiente para não me considerar mais do que um cidadão responsável. Bacoco nunca.
Por isso me indigna o que descaradamente se passa, todos os dias, com o beneplácito público, na esfera política, social e religiosa.
Na minha maneira de ver, qualquer tentativa de esconder, camuflar ou conduzir a opinião pública à escamoteação e anulação de factos gravíssimos é ultrajante. A ofensiva contra a liberdade, contra a liberdade de expressão e independência do pensamento, é um mal imperdoável.
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António Botto no Brasil, por António Augusto Sales - Preâmbulo
Preâmbulo
Em 1999, sob a assinatura de António Augusto Sales, publiquei através de Livros do Brasil o livro “António Botto, real e imaginário”, editado no centenário do nascimento do poeta. Se por um lado tinha por objectivo fornecer aos leitores uma visão global da sua obra (poesia, teatro, prosa, literatura infantil) por outro havia a biografia de um homem que foi contestado, mal amado e esquecido até hoje, sem omitir as contradições da sua personalidade e os exageros do seu carácter.
António Botto, no "Martinho da Arcada", com Raul Leal, Fernando Pessoa e Augusto Ferreira Gomes.
Sendo reais os factos e a obra não deixaram de ser imaginárias algumas situações que permitem ao autor dialogar com o poeta. Quero dizer, de certo modo o narrador participou na vida do biografado sem procurar com isso interferir na sua existência como personagem central da história.
A explicação deste expediente literário torna-se necessária para que se compreenda o clima criado entre o real e o imaginário que irá ter particular incisão nesta parte da vida do poeta no Brasil. Ao tempo da edição do livro um problema de direitos sobre o espólio de Botto, no Brasil, condicionou a pesquisa aos relatos que existam na imprensa portuguesa e outra ocasional documentação que tornou desequilibrado o último capítulo (Epílogo) do livro. Resolvido que foi esse problema e ficando tal espólio à guarda e classificação da Biblioteca Nacional de Lisboa, para consulta, se bem com condicionantes, permiti-me reconstituir todo o período e desenvolver um novo trabalho com vista a uma segunda edição que, até hoje, não consegui concretizar apesar da primeira se encontrar praticamente esgotada. Com o meu amigo Carlos Loures estudámos a hipótese de adaptar este período brasileiro para publicação no “Estrolabio”, que me obrigou a introduzir no texto alguns pedaços do meu citado livro “partindo” em capítulos menores para não tornar fastidiosa a leitura.
São estas as explicações sobre este trabalho em que desejo transmitir aos leitores a última fase da vida de um homem, grande poeta, que viveu o derradeiro acto do seu drama longe da pátria e mesmo depois de morto ainda foi para essa pátria um embaraço.
(Algueirão 10.08.2010)
Para completar este primeiro dia, vamos ouvir Mariza interpretando na Union Chapel, em Lndres, o tema 'Os anéis do meu cabelo', um dos poemas do livro Canções, de António Botto.
Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio: A Fome Infame
Há muito conhecido dos que estudam a questão alimentar, o escândalo finalmente estalou na opinião pública: a substituição da agricultura familiar, camponesa, orientada para a auto-suficiência alimentar e os mercados locais, pela grande agro-indústria, orientada para a monocultura de produtos de exportação (flores ou tomates), longe de resolver o problema alimentar do mundo, agravou-o. Tendo prometido erradicar a fome do mundo no espaço de vinte anos, confrontamo-nos hoje com uma situação pior do que a que existia há quarenta anos. Cerca de um sexto da humanidade passa fome; segundo o Banco Mundial, 33 países estão à beira de uma crise alimentar grave; mesmo nos países mais desenvolvidos os bancos alimentares estão a perder as suas reservas; e voltaram as revoltas da fome que em alguns países já causaram mortes. Entretanto, a ajuda alimentar da ONU está hoje a comprar a 780 dólares a tonelada de alimentos que no passado mês de Março comprava a 460 dólares.
A opinião pública está a ser sistematicamente desinformada sobre esta matéria para que se não dê conta do que se está a passar. É que o que se está a passar é explosivo e pode ser resumido do seguinte modo: a fome do mundo é a nova grande fonte de lucros do grande capital financeiro e os lucros aumentam na mesma proporção que a fome.
A fome no mundo não é um fenómeno novo. Ficaram famosas na Europa as revoltas da fome (com o saque dos comerciantes e a imposição da distribuição gratuita do pão) desde a Idade Média até ao século XIX. O que é novo na fome do século XXI diz respeito às suas causas e ao modo como as principais são ocultadas. A opinião pública tem sido informada que o surto da fome está ligado à escassez de produtos agrícolas, e que esta se deve às más colheitas provocadas pelo aquecimento global e às alterações climáticas; ao aumento de consumo de cereais na Índia e na China; ao aumento dos custos dos transportes devido à subida do petróleo; à crescente reserva de terra agrícola para produção dos agro-combustíveis. Todas estas causas têm contribuído para o problema, mas não são suficientes para explicar que o preço da tonelada do arroz tenha triplicado desde o início de 2007. Estes aumentos especulativos, tal como os do preço do petróleo, resultam de o capital financeiro (bancos, fundos de pensões, fundos hedge [de alto risco e rendimento]) ter começado a investir fortemente nos mercados internacionais de produtos agrícolas depois da crise do investimento no sector imobiliário. Em articulação com as grandes empresas que controlam o mercado de sementes e a distribuição mundial de cereais, o capital financeiro investe no mercado de futuros na expectativa de que os preços continuarão a subir, e, ao fazê-lo, reforça essa expectativa. Quanto mais altos forem os preços, mais fome haverá no mundo, maiores serão os lucros das empresas e os retornos dos investimentos financeiros. Nos últimos meses, os meses do aumento da fome, os lucros da maior empresa de sementes e de cereais aumentaram 83%. Ou seja, a fome de lucros da Cargill alimenta-se da fome de milhões de seres humanos.
O escândalo do enriquecimento de alguns à custa da fome e subnutrição de milhões já não pode ser disfarçado com as “generosas” ajudas alimentares. Tais ajudas são uma fraude que encobre outra maior: as políticas económicas neoliberais que há trinta anos têm vindo a forçar os países do terceiro mundo a deixar de produzir os produtos agrícolas necessários para alimentar as suas próprias populações e a concentrar-se em produtos de exportação, com os quais ganharão divisas que lhes permitirão importar produtos agrícolas... dos países mais desenvolvidos. Quem tenha dúvidas sobre esta fraude que compare a recente “generosidade” dos EUA na ajuda alimentar com o seu consistente voto na ONU contra o direito à alimentação reconhecido por todos os outros países.
O terrorismo foi o primeiro grande aviso de que se não pode impunemente continuar a destruir ou a pilhar a riqueza de alguns países para benefício exclusivo de um pequeno grupo de países mais poderosos. A fome e a revolta que acarreta parece ser o segundo aviso. Para lhes responder eficazmente será preciso pôr termo à globalização neoliberal, tal como a conhecemos. O capitalismo global tem de voltar a sujeitar-se a regras que não as que ele próprio estabelece para seu benefício. Deve ser exigida uma moratória imediata nas negociações sobre produtos agrícolas em curso na Organização Mundial do Comércio. Os cidadãos têm de começar a privilegiar os mercados locais, recusar nos supermercados os produtos que vêm de longe, exigir do Estado e dos municípios que criem incentivos à produção agrícola local, exigir da União Europeia e das agências nacionais para a segurança alimentar que entendam que a agricultura e a alimentação industriais não são o remédio contra a insegurança alimentar. Bem pelo contrário.
(Publicado na revista "Visão" em 8 de Maio de 2008)
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República nos livros de ontem nos livros de hoje - 133 e 134 e 135 (José Brandão)
Para a História da Monarquia do Norte
José Luciano Sollari Allegro
Lousã, 1988
Deixados por meu Pai, o capitão António Adalberto Sollari Allegro, possuo diversos documentos relacionados cora a proclamação da Monarquia no Porto e no Norte do País, em 19 de Janeiro de 1919.
Essa circunstância fez nascer em mim, desde há muito, a intenção de trazer tais documentos ao conhecimento público, ajudando a fazer a história daquilo que ficou a chamar-se a «Monarquia do Norte». Não é possível conhecer as razões por que nesse momento se enveredou pela proclamação da Monarquia, sem fazer uma ideia do que foram os oito primeiros anos da República, incluindo o último desses anos, durante o qual decorreu o governo do Presidente Sidónio Pais. Por isso torna-se necessário recordar vários aspectos da história política dessa época e ter presentes acontecimentos ocorridos desde 5 de Outubro de 1910 até ao assassinato de Sidónio Pais, em 24 de Dezembro de 1918.
_____________________________________
Para a História da Revolução - I
Teixeira de Sousa
Coimbra, 1912
A publicação que se segue, e que é relato documentado dos acontecimentos políticos dos primeiros dias de Outubro de 1910, acompanhada de referência a factos anteriores, mas que com aqueles têm íntima conexão, foi escrita logo a seguir á proclamação da Republica. Aguardei que a serenidade substituísse a agitação, não só pelo motivo de querer afastar-me de tudo o que pudesse passar por intervenção minha na vida politica do país; mas ainda para que, sem paixão, pudesse ser apreciada a minha legitima defesa. O tempo vai decorrendo, os motivos que me levam a dizer em público da minha justiça não se desvaneceram. Tudo me determina a não esperar mais tempo.
______________________________________
Para a História da Revolução - II
Teixeira de Sousa

Coimbra, 1912
Investido numa missão de confiança, se assim não houvesse procedido, granjearia legitimamente o ódio dos vencidos e o desprezo dos próprios vencedores. A Monarquia caiu porque, salvas raras excepções não teve quem a defendesse como era mister, não por covardia, de que não acuso ninguém, mas certamente porque contra ela tinha a paixão de muitos e a indiferença da maior parte, sem excluir a força pública. Era a confirmação do que, naquela frase que passará á historia, o rei D. Carlos pensava do espírito monárquico em Portugal: – Monarquia sem monárquicos.
José Luciano Sollari Allegro
Lousã, 1988
Deixados por meu Pai, o capitão António Adalberto Sollari Allegro, possuo diversos documentos relacionados cora a proclamação da Monarquia no Porto e no Norte do País, em 19 de Janeiro de 1919.
Essa circunstância fez nascer em mim, desde há muito, a intenção de trazer tais documentos ao conhecimento público, ajudando a fazer a história daquilo que ficou a chamar-se a «Monarquia do Norte». Não é possível conhecer as razões por que nesse momento se enveredou pela proclamação da Monarquia, sem fazer uma ideia do que foram os oito primeiros anos da República, incluindo o último desses anos, durante o qual decorreu o governo do Presidente Sidónio Pais. Por isso torna-se necessário recordar vários aspectos da história política dessa época e ter presentes acontecimentos ocorridos desde 5 de Outubro de 1910 até ao assassinato de Sidónio Pais, em 24 de Dezembro de 1918.
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Para a História da Revolução - I
Teixeira de Sousa
Coimbra, 1912
A publicação que se segue, e que é relato documentado dos acontecimentos políticos dos primeiros dias de Outubro de 1910, acompanhada de referência a factos anteriores, mas que com aqueles têm íntima conexão, foi escrita logo a seguir á proclamação da Republica. Aguardei que a serenidade substituísse a agitação, não só pelo motivo de querer afastar-me de tudo o que pudesse passar por intervenção minha na vida politica do país; mas ainda para que, sem paixão, pudesse ser apreciada a minha legitima defesa. O tempo vai decorrendo, os motivos que me levam a dizer em público da minha justiça não se desvaneceram. Tudo me determina a não esperar mais tempo.
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Para a História da Revolução - II
Teixeira de Sousa

Investido numa missão de confiança, se assim não houvesse procedido, granjearia legitimamente o ódio dos vencidos e o desprezo dos próprios vencedores. A Monarquia caiu porque, salvas raras excepções não teve quem a defendesse como era mister, não por covardia, de que não acuso ninguém, mas certamente porque contra ela tinha a paixão de muitos e a indiferença da maior parte, sem excluir a força pública. Era a confirmação do que, naquela frase que passará á historia, o rei D. Carlos pensava do espírito monárquico em Portugal: – Monarquia sem monárquicos.
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A nossa encantadora Natureza - 4
Andreia Dias
Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus, Erinaceus de ericius = ouriço-cacheiro/ barreira de espinhos.
É um dos animais por quem tenho mais estima. Tive um cão que durante anos nos presenteava com estes animais. Depois do seu passeio, trazia-os na boca e do focinho despontavam gotículas de sangue causadas pelos espinhos do ouriço. Feliz e a abanar a cauda, colocava os animais cuidadosamente no tapete da entrada da cozinha, parecendo querer agradecer algo. Os pobres coitados, espinhosos e cheios de pulgas que se viam a passear pelas estradinhas do seu dorso, dentro da sua lentidão tentavam fugir… facto que acabava sempre por acontecer.
O ouriço-cacheiro é um animal de hábitos essencialmente nocturnos, podendo ser observado nas últimas horas do dia e ao amanhecer. Quando sente perigo enrosca-se, expondo os espinhos como armas de defesa. Hiberna entre Novembro e Março.
Alimenta-se sobretudo de invertebrados que encontra no solo - minhocas, escaravelhos, lagartas, aranhas e lesmas - embora também por vezes consuma ovos e pequenos vertebrados - sapos, lagartos, crias de roedores e de aves. Também come peixe, até porque é um excelente nadador. Cada ninhada é composta por 4 a 6 crias.
As principais causas de mortalidade são a fome durante a hibernação e a predação por raposas, aves de rapina nocturnas, texugos ou mesmo cães. Os atropelamentos na estrada constituem também um importante factor de mortalidade desta espécie.
Curiosidades: na série de jogos “Sonic the Hedgehog”, o ouriço “Sonic” é a principal personagem. A SEGA criou o “Sonic” uma vez que os ouriços eram muito famosos na década de 1980, sendo utilizados como animais domésticos no Japão.
Diz o povo (erradamente), que os ouriços foram desde há muito, influenciados pelas bruxas, para roubar de noite leite das vacas.
Diz a lenda que, o homem que queira conquistar uma mulher, terá de esfolar um ouriço-cacheiro, e depois borrifá-lo com sumo de erva-de-diabo. Com esta magia, a mulher ficará apaixonada, e fará tudo o que ele lhe exigir.
Ouriço-cacheiro Erinaceus europaeus, Erinaceus de ericius = ouriço-cacheiro/ barreira de espinhos.
É um dos animais por quem tenho mais estima. Tive um cão que durante anos nos presenteava com estes animais. Depois do seu passeio, trazia-os na boca e do focinho despontavam gotículas de sangue causadas pelos espinhos do ouriço. Feliz e a abanar a cauda, colocava os animais cuidadosamente no tapete da entrada da cozinha, parecendo querer agradecer algo. Os pobres coitados, espinhosos e cheios de pulgas que se viam a passear pelas estradinhas do seu dorso, dentro da sua lentidão tentavam fugir… facto que acabava sempre por acontecer.
O ouriço-cacheiro é um animal de hábitos essencialmente nocturnos, podendo ser observado nas últimas horas do dia e ao amanhecer. Quando sente perigo enrosca-se, expondo os espinhos como armas de defesa. Hiberna entre Novembro e Março.
Alimenta-se sobretudo de invertebrados que encontra no solo - minhocas, escaravelhos, lagartas, aranhas e lesmas - embora também por vezes consuma ovos e pequenos vertebrados - sapos, lagartos, crias de roedores e de aves. Também come peixe, até porque é um excelente nadador. Cada ninhada é composta por 4 a 6 crias.
As principais causas de mortalidade são a fome durante a hibernação e a predação por raposas, aves de rapina nocturnas, texugos ou mesmo cães. Os atropelamentos na estrada constituem também um importante factor de mortalidade desta espécie.
Curiosidades: na série de jogos “Sonic the Hedgehog”, o ouriço “Sonic” é a principal personagem. A SEGA criou o “Sonic” uma vez que os ouriços eram muito famosos na década de 1980, sendo utilizados como animais domésticos no Japão.
Diz o povo (erradamente), que os ouriços foram desde há muito, influenciados pelas bruxas, para roubar de noite leite das vacas.
Diz a lenda que, o homem que queira conquistar uma mulher, terá de esfolar um ouriço-cacheiro, e depois borrifá-lo com sumo de erva-de-diabo. Com esta magia, a mulher ficará apaixonada, e fará tudo o que ele lhe exigir.
O crescimento das crianças
Raúl Iturra
Capítulo 6
Pencahue, Vilatuxe, Vila Ruiva.
Século XXI
Queira o leitor saber o que penso destes três sítios visitados estes últimos anos. É evidente de que cada um deles, está intimamente ligado a mim, a causa da pesquisa e do prazer retirado do convívio com os amigos que aí fui deixando, ao longo dos anos. Como se fossem da minha família. Queira o leitor saber também, que a mudança que nos três tem é material acontecido, bem como elas estão todas ligadas entre si e como elas estão ligadas. Não apenas pela economia mundial, bem como pela memória do tempo. Cada um deles, como indicara persistentemente em cada capítulo, acaba por fazer deles lugares diferentes. Visitados, também, por um antropólogo diferente, que com a experiência de investigação, vai mudando. Talvez, não no físico, mas sim nas ideias e pensamento. Pensei que em Chile era possível falar com liberdade. E não era certo. Os Picunche que conheci antigamente como inquilinos e cujos sindicatos colaborei a formar nos anos sessenta, são hoje em dia pessoas individuais e autónomas, uma quase empresa individual e autónoma. A única forma de eles sobreviverem ao contexto sócio - histórico que têm vivido, e vivem. As famílias solidárias e submetidas ao patrão, parecem não existir. Ou são patrões eles próprios, ou empregados que já não aceitam o nome de jornaleiro, embora o sejam no que diz respeito a horas de trabalho e ordenados. O matrimónio endogámico tem-se aprofundado e, por causa do hábito, tem passado a ser uma necessidade económica. A mudança é tão substancial que abre uma certa liberdade às pessoas para se juntarem e viverem como casados, sem contrato primeiro, a seguir passou-se ao contrato e ao sacramento, que dão a segurança da propriedade da união entre duas pessoas. Matrimónios realizado com separação de bens, pactuada antes do casamento, com acta de capitulações. Um matrimónio dito a prova, é dizer, com relações íntimas antes do contrato. O que acaba por levar ao amor entre casais. A herança, é resultado da aplicação do Código Civil, partilhas para todos por igual, e melhoras para os filhos mais requestados para os pais. Esses filhos, com todo, estão a abandonar a agricultura e o trabalho pesado das indústrias. Hoje em dia não se vê jovem nenhum a trabalhar no campo, excepto a colaborar com os pais de uma geração anterior na terra própria. Não há casa em Pencahue, que não tenha uma descendência habilitada pelos estudos pagos por eles próprios, enquanto trabalham em cafés, bombas de gasolina, u outros sítios transitórios. Os jovens que entram no século XXI, sabem que todos trabalhos são transitório e subordinado a contrato.
Capítulo 6
Pencahue, Vilatuxe, Vila Ruiva.
Século XXI
Queira o leitor saber o que penso destes três sítios visitados estes últimos anos. É evidente de que cada um deles, está intimamente ligado a mim, a causa da pesquisa e do prazer retirado do convívio com os amigos que aí fui deixando, ao longo dos anos. Como se fossem da minha família. Queira o leitor saber também, que a mudança que nos três tem é material acontecido, bem como elas estão todas ligadas entre si e como elas estão ligadas. Não apenas pela economia mundial, bem como pela memória do tempo. Cada um deles, como indicara persistentemente em cada capítulo, acaba por fazer deles lugares diferentes. Visitados, também, por um antropólogo diferente, que com a experiência de investigação, vai mudando. Talvez, não no físico, mas sim nas ideias e pensamento. Pensei que em Chile era possível falar com liberdade. E não era certo. Os Picunche que conheci antigamente como inquilinos e cujos sindicatos colaborei a formar nos anos sessenta, são hoje em dia pessoas individuais e autónomas, uma quase empresa individual e autónoma. A única forma de eles sobreviverem ao contexto sócio - histórico que têm vivido, e vivem. As famílias solidárias e submetidas ao patrão, parecem não existir. Ou são patrões eles próprios, ou empregados que já não aceitam o nome de jornaleiro, embora o sejam no que diz respeito a horas de trabalho e ordenados. O matrimónio endogámico tem-se aprofundado e, por causa do hábito, tem passado a ser uma necessidade económica. A mudança é tão substancial que abre uma certa liberdade às pessoas para se juntarem e viverem como casados, sem contrato primeiro, a seguir passou-se ao contrato e ao sacramento, que dão a segurança da propriedade da união entre duas pessoas. Matrimónios realizado com separação de bens, pactuada antes do casamento, com acta de capitulações. Um matrimónio dito a prova, é dizer, com relações íntimas antes do contrato. O que acaba por levar ao amor entre casais. A herança, é resultado da aplicação do Código Civil, partilhas para todos por igual, e melhoras para os filhos mais requestados para os pais. Esses filhos, com todo, estão a abandonar a agricultura e o trabalho pesado das indústrias. Hoje em dia não se vê jovem nenhum a trabalhar no campo, excepto a colaborar com os pais de uma geração anterior na terra própria. Não há casa em Pencahue, que não tenha uma descendência habilitada pelos estudos pagos por eles próprios, enquanto trabalham em cafés, bombas de gasolina, u outros sítios transitórios. Os jovens que entram no século XXI, sabem que todos trabalhos são transitório e subordinado a contrato.
A escola pública pode ser assim - de excelência!
Luis Moreira
A Escola Secundária do Entroncamento é uma escola com uma dimensão significativa: um corpo docente que ronda os 150 professores, os mil alunos em regime diurno e os 200 em regime nocturno. Bem relacionada com o seu meio ambiente e de proximidade com a comunidade do meio escolar e ainda pela aprazibilidade dos seus espaços físicos.
"Ganhamos um prémio de excelência graças ao trabalho de um grupo de pessoas que se juntaram num objectivo comum, partilhando boas práticas e que nos colocaram no bom caminho como mostram os resultados atingidos. 27% dos nossos alunos tiveram uma média superior a 17,5% valores, dos que concluiram o ensino secundário."
A relação escola/família/comunidade consubstanciada numa participação activa dos pais e encarregados de educação nos projectos da escola, no envolvimento dos pais no processo ensino/aprendizagem e numa melhoria efectiva dos canais de comunicação da escola com as famílias. Para isso foi criado um gabinete de Provedoria com o intuito de receber e ouvir todos os que nos procuram com novas ideias, sugestões, reclamações e podermos responder em tempo útil.
Numa lógica de abertura à comunidade estabeleceram-se parcerias com associações civis e empresariais, com a Autarquia e outras instituições de ensino, alugaram-se as nossas instalações para obter receitas próprias e assim melhorar o equipamento e comprar materiais didácticos. O cartão electrónico, preocupados como estamos com a segurança, por forma a que os diversos serviços que escola fornece possam ser pagos sem dinheiro "vivo" e ,paralelamente, controlar quem entra e sai da escola.
Enfim, uma escola virada para o exterior, para e com os alunos!
A Escola Secundária do Entroncamento é uma escola com uma dimensão significativa: um corpo docente que ronda os 150 professores, os mil alunos em regime diurno e os 200 em regime nocturno. Bem relacionada com o seu meio ambiente e de proximidade com a comunidade do meio escolar e ainda pela aprazibilidade dos seus espaços físicos.
"Ganhamos um prémio de excelência graças ao trabalho de um grupo de pessoas que se juntaram num objectivo comum, partilhando boas práticas e que nos colocaram no bom caminho como mostram os resultados atingidos. 27% dos nossos alunos tiveram uma média superior a 17,5% valores, dos que concluiram o ensino secundário."
A relação escola/família/comunidade consubstanciada numa participação activa dos pais e encarregados de educação nos projectos da escola, no envolvimento dos pais no processo ensino/aprendizagem e numa melhoria efectiva dos canais de comunicação da escola com as famílias. Para isso foi criado um gabinete de Provedoria com o intuito de receber e ouvir todos os que nos procuram com novas ideias, sugestões, reclamações e podermos responder em tempo útil.
Numa lógica de abertura à comunidade estabeleceram-se parcerias com associações civis e empresariais, com a Autarquia e outras instituições de ensino, alugaram-se as nossas instalações para obter receitas próprias e assim melhorar o equipamento e comprar materiais didácticos. O cartão electrónico, preocupados como estamos com a segurança, por forma a que os diversos serviços que escola fornece possam ser pagos sem dinheiro "vivo" e ,paralelamente, controlar quem entra e sai da escola.
Enfim, uma escola virada para o exterior, para e com os alunos!
José Gomes Ferreira –2
Carlos Loures
Quando José Gomes Ferreira, vindo da Noruega, voltou a Lisboa, encontrou outro um país – A Revolução continua – diziam os apoiantes da «nova ordem» que reinava nas ruas e com a repressão que condicionava as mentes. Com um ou outro acidente de percurso, a direita católica e conservadora, o chamado Governo da Ditadura Militar, ia, decreto a decreto, sob a orientação cautelosa, mas obstinada, de um tal Oliveira Salazar, eliminando os vestígios da República, suprimindo as liberdades fundamentais.
Alguns amigos eram os mesmos, outros tinham morrido. E surgiram alguns novos – Manuel Mendes, Bernardo e Ofélia Marques (seus «compadres», padrinhos de seu filho Raúl), Carlos Botelho, Diogo de Macedo, José Rodrigues Miguéis, João Gaspar Simões Cottinelli Telmo, a Maria e o Chico Keil… E os neo-realistas Alves Redol, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, Manuel da Fonseca, Soeiro Pereira Gomes, Carlos Queiroz… Olha, ainda há flores/ Mas quem se atreve/a cantar as flores do verde pino/no madrigal desta manhã de pesadelos?/ E tu, papoila, minha bandeira breve,/quando voltarás ao teu destino/ de enfeitar cabelos?
Quando José Gomes Ferreira, vindo da Noruega, voltou a Lisboa, encontrou outro um país – A Revolução continua – diziam os apoiantes da «nova ordem» que reinava nas ruas e com a repressão que condicionava as mentes. Com um ou outro acidente de percurso, a direita católica e conservadora, o chamado Governo da Ditadura Militar, ia, decreto a decreto, sob a orientação cautelosa, mas obstinada, de um tal Oliveira Salazar, eliminando os vestígios da República, suprimindo as liberdades fundamentais.
Alguns amigos eram os mesmos, outros tinham morrido. E surgiram alguns novos – Manuel Mendes, Bernardo e Ofélia Marques (seus «compadres», padrinhos de seu filho Raúl), Carlos Botelho, Diogo de Macedo, José Rodrigues Miguéis, João Gaspar Simões Cottinelli Telmo, a Maria e o Chico Keil… E os neo-realistas Alves Redol, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, Manuel da Fonseca, Soeiro Pereira Gomes, Carlos Queiroz… Olha, ainda há flores/ Mas quem se atreve/a cantar as flores do verde pino/no madrigal desta manhã de pesadelos?/ E tu, papoila, minha bandeira breve,/quando voltarás ao teu destino/ de enfeitar cabelos?
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AS MINHAS RECORDAÇÕES DE PABLO NERUDA - O Professor Raúl Iturra dá um valioso contibuto para o nosso debate centrado na poesia - recordações do seu convívio com Pablo Neruda, o grande poeta chileno, Prémio Nobel da Literatura em 1971
Raúl Iturra
Foi um acaso, o que se diz normalmente, uma casualidade. Tinha eu quinze anos, el deve ter tido uma idade indefinida, mas eram já os tempos da sua idade indefinida.(1) Os poetas não têm idade vivem a vida a dar saltos entre a realidade transformada em realidade en verso. Éramos vizinhos de uma das sua três casas, a de Valparaíso o La Sebastiana. Conhecemos, na nossa lua-de-mel, a minha noiva, agora esposa, a primeira que fez no Chile: Isla Negra. Não era, de facto uma ilha, era uma quinta que ficava ao pé da casa dos nossos amores, em Algarrobo, praia balnear perto de Valparaiso. Neruda não conseguia viver sem ver o amor. Entrar na Sebastiana com a minha mãe, foi uma delícia: via-se, como era da nossa vizinha casa, toda a Baia do porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La Chascona, feita para o agrado da mulher que amava, Matilde Urrutia e os seus encontros clandestinos. La Chascona, por causa do telhado de totora (2). Nem pensar que, por ser poeta, falasse em verso, falava como todo ser humano nascido no centro Sul do Chile, engolindo as consonantes e um cantar típico que compassava as suas frases.
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Novas Viagens na Minha Terra
Manuela Degerine
Capítulo XCVI
Vigésima terceira etapa: em Pontevedra (continuação)
Encontramos os dois venezianos, que hoje só caminharam de Redondela a Pontevedra, restando-lhes força e tempo para visitar a cidade. Propomos que participem no nosso piquenique, porém eles descobriram um restaurante com preço e aparência atractivos, no centro, sugerem que guardemos as compras e lhes façamos companhia; eu sinto-me incapaz de dar mais um passo fora do albergue. Contamos uns aos outros, com todos os pormenores, as aventuras dos últimos dias.
Inquiro como fazem para secar a roupa. A veneziana confia que o melhor método é, quando acabamos de a lavar, retirar o máximo de humidade com papel absorvente; assim, no dia seguinte, embora húmida, não a vestimos encharcada. Convém lavar apenas a do dia, que usaremos no seguinte, trazendo sempre a mesma, evitando fechar roupa suja dentro de plásticos. O que eu fiz... Sugere que a deite no lixo pois, até chegar a casa, com esta humidade, as bactérias terão proliferado: será impossível desodorizá-la. Resigno-me a seguir o conselho. Para além do cheiro, pouco agradável, não a podendo lavar, por não a poder secar, a camisola pesa na mochila sem utilidade. E, daqui por três dias, quando chegar a Santiago, comprarei outra.
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Canta Galiza!
Hoje preenchemos este espaço com uma canção muito bonita «A Rula», interpretada por Uxía Senlle e Dulce Pontes - duas vozes de ouro num dueto magníifico.
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Gaivotas
Augusta Clara de Matos
Tínhamos combinado ir ver as gaivotas. Contar a vida já meio contada.
Era uma relação meio a caminho.. Uma amizade meio começada.
Quem sabe porque não veio?
Estacionei o carro e, enquanto esperava, olhei o rio, um prazer que busco especialmente nas tardes de Inverno.
O movimento era o habitual: um navio de cruzeiros, um porta-contentores, dois barcos à vela, a lancha dos pilotos da barra cumprindo o protocolo e a delicadeza do adeus a quem parte.
Um entardecer de brisa terna.
Um homem passou à beira da água. Foi andando até lá ao fundo e voltou. E voltou a ir e tornou a voltar.
Nessa altura despertou-me a atenção. Mas não era ele, quem eu esperava.
Parecia desesperado e eu pensei: “Espero que não se atire ao rio”.
O tempo passou e não veio. Até hoje, não sei porquê.
Quem sabe se o homem do andar alucinado também esperava alguém que não chegou.
Um enxame de japoneses tirava fotografias de todos os quadrantes.
O homem alucinado foi-se embora.
E, nesse dia, as gaivotas nem sequer apareceram.
Tínhamos combinado ir ver as gaivotas. Contar a vida já meio contada.
Era uma relação meio a caminho.. Uma amizade meio começada.
Quem sabe porque não veio?
Estacionei o carro e, enquanto esperava, olhei o rio, um prazer que busco especialmente nas tardes de Inverno.
O movimento era o habitual: um navio de cruzeiros, um porta-contentores, dois barcos à vela, a lancha dos pilotos da barra cumprindo o protocolo e a delicadeza do adeus a quem parte.
Um entardecer de brisa terna.
Um homem passou à beira da água. Foi andando até lá ao fundo e voltou. E voltou a ir e tornou a voltar.
Nessa altura despertou-me a atenção. Mas não era ele, quem eu esperava.
Parecia desesperado e eu pensei: “Espero que não se atire ao rio”.
O tempo passou e não veio. Até hoje, não sei porquê.
Quem sabe se o homem do andar alucinado também esperava alguém que não chegou.
Um enxame de japoneses tirava fotografias de todos os quadrantes.
O homem alucinado foi-se embora.
E, nesse dia, as gaivotas nem sequer apareceram.
Terreiro da Lusofonia - Cesária Évora, a voz de Cabo Verde
Cesária Évora, nasceu na cidade do Mindelo,na lha de São Vicente, em 1941. É a cantora cabo-verdiana mais conhecida internacionalmente. Chamam-lhe a «a diva dos pés descalços» e a «rainha da morna», pois a morna é o género musical
que Cesária mais interpreta, embora na execução de outro tipo de música seja igualmente exímia. Todos os elogios já lhe foram feitos, pelo que nada mais acrescentamos. Passadeira vermelha para uma das maiores cantores do mundo lusófono.
Vem cantar Angola.
que Cesária mais interpreta, embora na execução de outro tipo de música seja igualmente exímia. Todos os elogios já lhe foram feitos, pelo que nada mais acrescentamos. Passadeira vermelha para uma das maiores cantores do mundo lusófono.
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