domingo, 2 de janeiro de 2011

Os hoteis estiveram cheios para o réveillon...

Luis Moreira


Os mesmos que no anos anteriores enchiam os hoteis, lá estiveram nos lugares do costume, cheios de alegria, dinheiro no bolso e champagne a correr...


Não são tontos nem sequer pouco previdentes, não precisam, fazem parte daquela metade da população que vive bem, agora ainda melhor que antes, com vencimentos fixos, carreiras asseguradas, "boys e "girls" a ganharem muito acima do razoável.


A outra metade afadiga-se a encolher a barriga de fome, a pagar a renda da casa, a arranjar um emprego, a pagar os livros dos filhos. Isto tudo pela mão de dois partidos, um socialista e outro social-democrata. A caminho de um país socialista como reza a constituição...


Entretanto e como de costume, o governo tira com uma mão aos mesmos de sempre, aos que mais precisam e dá às chefias dos funcionários públicos, percebe-se bem porque César lá de entre as ilhas fez o que fez. Foi o ensaio, para ver como reagiam os cordeiros, abrir um precedente, "o César já fez o mesmo...", mas quem é que acredita ainda na boa fé desta gente?


No mesmo dia que nos anuncia que o transporte em ambulâncias passa a ser pago, aumenta os directores e sub-directores e, no rasto destes todos os outros, num "forrobodó" miserável, com a desculpa esfarrapada que não há aumento da despesa, há mesmo menos despesa segundo essa ex-sindicalista convertida em ministra.


Antes que o OE/2011 entre em execução fazem-se as últimas tropelias , ainda antes da meia noite foi anunciado um aumento de capital na Caixa Geral de Depósitos, prenúncio que mais 500 milhões vão entrar no sorvedouro do BPN, para evitar agora a falência pois ,a concretizar-se, o prejuízo a registar na Conta do Estado, equivaleria ao montante da poupança conseguida com todas as medidas de contenção da despesa anunciadas e que iriam salvar o país.


Os próximos 3 meses vão ser lindos, a violência já anda aí à solta e ainda não se fizeram sentir em pleno as medidas de contenção. Tal como diz o texto, O que se vai passar na Economia Americana, também em Portugal e na Europa há um fosso cada vez maior entre os ricos e os pobres, o que vai levar à criação de movimentos na sociedade civil que podem corresponder a uma espiral de violência.

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Artigo do Embaixador da GB ao deixar Portugal: Expresso 18 Dez 2010

Coisas que nunca deverão mudar em Portugal

Portugueses: 2010 tem sido um ano difícil para muitos; incerteza, mudanças, ansiedade sobre o futuro. O espírito do momento e de pessimismo, não de alegria. Mas o ânimo certo para entrar na época natalícia deve ser diferente. Por isso permitam-me, em vésperas da minha partida pela segunda vez deste pequeno jardim, eleger dez coisas que espero bem que nunca mudem em Portugal.
1. A ligação intergeracional. Portugal é um país em que os jovens e os velhos conversam - normalmente dentro do contexto familiar. O estatuto de avô é altíssimo na sociedade portuguesa - e ainda bem. Os portugueses respeitam a primeira e a terceira idade, para o benefício de todos.

2. O lugar central da comida na vida diária. O almoço conta - não uma sandes comida com pressa e mal digerida, mas uma sopa, um prato quente etc, tudo comido à mesa e em companhia. Também aqui se reforça uma ligação com a família.

3. A variedade da paisagem. Não conheço outro pais onde seja possível ver tanta coisa num dia só, desde a imponência do rio Douro até à beleza das planícies do Alentejo, passando pelos planaltos e pela serra da Beira Interior.

4. A tolerância. Nunca vivi num país que aceita tão bem os estrangeiros. Não é por acaso que Portugal é considerado um dos países mais abertos aos emigrantes pelo estudo internacional MIPEX.

5. O café e os cafés. Os lugares são simples, acolhedores e agradáveis; a bebida é um pequeno prazer diário, especialmente quando acompanhado por um pastel de nata quente.

6. A inocência. É difícil descrever esta ideia em poucas palavras sem parecer paternalista; mas vi no meu primeiro fim de semana em Portugal, numa festa popular em Vila Real, adolescentes a dançar danças tradicionais com uma alegria e abertura que têm, na sua raiz, uma certa inocência.

7. Um profundo espírito de independência. Olhando para o mapa ibérico parece estranho que Portugal continue a ser um país independente. Mas é e não é por acaso. No fundo de cada português há um espírito profundamente autónomo e independentista.

8. As mulheres. O Adido de Defesa na Embaixada há quinze anos deu-me um conselho precioso: "Jovem, se quiser uma coisa para ser mesmo bem feita neste país, dê a tarefa a uma mulher". Concordei tanto que me casei com uma portuguesa.

9. A curiosidade sobre, e o conhecimento, do mundo. A influência de "lá" é evidente cá, na comida, nas artes, nos nomes. Portugal é um pais ligado, e que quer continuar ligado, aos outros continentes do mundo.

10. Que o dinheiro não é a coisa mais importante no mundo. As coisas boas de Portugal não são caras. Antes pelo contrário: não há nada melhor do que sair da praia ao fim da tarde e comer um peixe grelhado, acompanhado por um simples copo de vinho.

Então, terminaremos a contemplação do país não com miséria, mas com brindes e abraços.

Feliz Natal.

A Guerra da Cisplatina


Bandeira da Província Oriental
Carlos Loures

Em dois de Janeiro de 1825, eclodiu a guerra da Cisplatina. Foi um conflito armado entre o e a Províncias Unidas do Rio da Prata, de 1825 a 1828, pela posse da Província Cisplatina, a região do actual Uruguai. A região fora já disputada disputada por Portugal e Espanha desde a fundação pelos portugueses da Colónia do Santíssimo Sacramento em 1680. Foi objecto de tratados territoriais - o Tratado de Madrid, em 1750, o Tratado de Santo Ildefonso ou Tratado dos Limites, em 1777) e o Tratado de Badajoz, em 1801.

Coisas do futebol - por Carlos Godinho

2011 - As Equipas de Todos Nós




Se já não bastavam os problemas económicos, financeiros e sociais no nosso país, também o futebol quis juntar-se à causa, vivendo-se neste momento um período delicado na organização da modalidade. Já vivi alguns períodos transitórios difíceis, mas este é de facto um dos mais complicados. Sempre que se vivem momentos de tensão e confusão, nunca podemos afirmar com total certeza que esses problemas ficam isolados e que não se transmitem à própria estrutura organizativa que vai estando permanentemente no terreno. Se é verdade que as selecções nacionais se têm mantido distantes dos problemas, e não sofreram, até ao momento, reflexos directos das discussões públicas, não é menos verdade que a partir de meados de Janeiro, com o avolumar das actividades, pode-se correr o risco de contágio e essa será uma situação extremamente delicada. Só para acentuar o que digo, e sem falar nos estágios intercalares que irão decorrer a curto prazo, as selecções nacionais têm um conjunto de actividades extremamente intensas, até Julho de 2011, que passo a enumerar: a Selecção Nacional "AA" irá ter jogos de preparação com a Argentina, Chile e Finlândia, antes do jogo fundamental com a Noruega, em Junho, em Lisboa, decisivo para a nossa qualificação para o Euro 2012. A Selecção "Sub/21", sob novo comando técnico, terá jogos de preparação com a Suécia, Roménia, Dinamarca, Alemanha e Áustria e ainda o sorteio para o Euro 2013, já em Fevereiro. A Selecção "Sub/20" está em preparação para o Mundial da categoria que decorrerá em Agosto, na Colômbia, e terá vários jogos, além da participação no Torneio de Toulon, em Maio/Junho. As Selecções Nacionais "Sub/19" e "Sub/17" participarão nos respectivos Torneios de Elite, em Maio e Abril, respectivamente, que apurarão para as fases finais dos europeus. A Selecção de Futsal terá o apuramento para o Campeonato da Europa que decorrerá na Polónia, já em Fevereiro. A Selecção Feminina "Sub/19" tem também a qualificação para a respectiva fase final. Além das actividades referidas haverá ainda outras para as restantes Selecções Nacionais de "Sub/23", "Sub/18", "Sub/16" e "Sub/15" e "AA" Feminina, com bastantes torneios e jogos internacionais. Ou seja, uma actividade global imparável, que na prática, não pode, não deve, vir a sofrer grandes ondas de choque, sob pena de se colocar em causa muito deste trabalho, que não é só da FPF, mas de todo o futebol português, ou seja, dos clubes, das associações distritais, das associações de classe e do futebol profissional. Que o novo ano traga mais tranquilidade e consenso e que com os esforços e vontade de todos os envolvidos se chegue a um acordo para o futuro, em que ninguém perca e todos ganhem. São os meus votos para o futebol para 2011.

(in Todos Somos Portugal)


Bertolt Brecht


João Machado


1898 - 1956


Bertolt Brecht foi um dramaturgo, encenador e poeta alemão. Pelas descrições que lemos da sua vida percebemos que esteve sempre ligado ao teatro, e que este foi sempre o seu grande interesse. Teve de fugir da Alemanha com o advento do nazismo, viveu e trabalhou nos EUA e na Europa, e voltou a Berlim em 1948, onde fundou o Berliner Ensemble. A sua relação com o regime vigente na RDA foi contraditória; viu o partido comunista ordenar a retirada de cena da peça A Condenação de Lúculo, mas posteriormente atribuíram-lhe o prémio Estaline; os seus detractores acusam-no de lealdade ao regime, mas nunca terá aderido ao partido comunista. O que é inegável é que foi um autor de primeira importância. John Willett (1917-2002), um dos estudiosos da sua vida e obra, que traduziu várias das suas peças para inglês, no artigo que escreveu para a Enciclopédia Collier's, sublinha que Brecht foi acima de tudo um poeta com um grande domínio sobre as formas e os estilos, o que lhe permitia transmitir ao seu trabalho, sobretudo na sua fase mais madura, como que uma simplicidade forçada, com uma força verbal e uma energia que marcavam decisivamente as suas peças. A sua característica principal era o modo aperfeiçoado como conseguia combinar os elementos componentes do seu teatro (as palavras, a música, o enredo, a montagem, a encenação, a teoria) num todo, com tudo relacionado com a sua visão do mundo, marxista, plebeia e antimilitarista (os termos são de Willett). 

Noctívagos, insones & afins - O tempo definido entre picunche, galegos e portugueses

Mulher mapuche com as sua joias  tradicionais que indicam a pasagem do tempo

Raúl Iturra

Tenho escrito uma carta aberta ao Poder Legislativo de Portugal, para definir una política da educação como primeira prioridade do seu Governo. As ideias não têm sido retiradas de ideias improvisadas. Uma delas, provem de um livro, resultado do meu trabalho de campo em vários sítios diferentes, texto usado já antes para o blogue: Como era quando não era o que sou. O crescimento das crianças, Profedições, Porto, 1998. A minha teoria sobre a educação não está apenas materializada em este texto, bem como em outros vários que os leitores devem conhecer. Este excerto é apenas parte do livro citado e a teimosia de três raparigas que queriam aprender na vida académica, o que já sabiam na vida real, empregar-se e ganhar dinheiro para serem livres das tutelas familiares.

Os dez mais: Acompanhantes de luxo

Luís Moreira

Salazar era tacanho , comparado com as vedetas de hoje


Esteve 47 anos a viver entre a D. Maria e o galinheiro de S. Bento, cheio de medo, não ía para lado nenhum, era o "sr. esteve" porque nunca se anunciava que ía, anunciava-se que tinha ido, manteve todo um povo na miséria, nenhum governante estrangeiro o recebia, meteu-se em guerras onde sempre perdeu, todo um país exposto ao rídiculo.Poderia ter feito tudo "democraticamente",
à luz do dia, com viagens por todo o mundo . Se eu não tivesse um ódio profundo "ao sr. professor" ainda acreditava que o melhor mesmo é uma ditadurazinha, não se gasta dinheiro em eleições, pode sempre dizer-se que a ditadura é "a bem da nação". Só vejo um mal, são aqueles discursos de três horas do "querido líder", mas alguma coisa se havia de arranjar, nem que fosse entrar na clandestinidade...

PS: agora me lembro que Manuela Ferreira Leite já teve esta ideia, mas era só por seis meses...

O baile de Pinto da Costa

Um verdadeiro baile que Pinto da Costa deu para as câmaras televisivas. Um baile a quem o fez passar por coisas menos boas, por notícias sobre a sua vida e o seu património, mas um baile, no caso, uma valsa, ao governo na pessoa do secretário de estado do desporto.

É uma boa maneira de andarmos duas semanas sem falar no Freeport, nem no Face Oculta, foi por isso que o Laurentino veio a correr dizer que era grave, muito grave, tão grave que mandou instaurar um inquérito, sem ouvir o interessado, diz Pinto da Costa

Eu já estive num almoço, mais uma vintena de pessoas, com o Pintinho que é um poço de humor, de capacidade oratória, capaz de entreter uma plateia durante duas horas com o pessoal rendido à sua erudição . Conta histórias, que se percebe serem verdadeiras, sem nunca pisar o risco, nessa tarde o "bombo da festa" foi o major,(presente) toda a gente percebia, mas o sr Pinto da Costa, fazia de conta que não era com ninguem, jogadores vendidos duas vezes com a massa e entrar outras tantas, mas ninguem se queixa, segundo o velho principio "zangam-se as comadres..."

Um tratado , deu-se ao luxo de aconselhar o governo sobre o limite do rídiculo, já chamou "filho da puta" aos maiores amigos, e não é só no Porto, é em todo o lado, é até uma prova de amizade, "meu cabrão por onde andas..." tudo amizade e é a maneira de se estar no futebol, linguagem universal, "ó maricas passa aí a bola..." só quem não percebe nada de bola é que acha que isto são ofensas, nada, é tudo carinho, ferramentas, ambiente dos balneários...


Acompanhantes e visitas na blogosfera

Um dia um colega de blogue revelou-me que eu tinha um texto intitulado "Acompanhantes a 6,49 Euros" que já tinha sido visitado por milhares de pessoas. Eu, francamente,achei grotesco, é um texto simples que tenta fazer humor com as acompanhantes de mão cheia, que custam dinheiro, mas são companhia em qualquer parte. Com glamour, inteligência, saber estar...

Incomodado com a revelação, perguntei a outra colega do mesmo blogue como se explicava aquilo, tantas visitas e um ano depois ainda com visitas.A resposta foi lúcida e sagaz, "pois, Luis, sempre que no Google alguem escreve a palavra "acompanhante", o teu texto é um dos seleccionados"!

Lá se foi o prémio da literatura blogueira!

Música romântica do Século XX - 45

Fita amarela é um samba criado e gravado em 1932 pela dupla Francisco Alves e Mário Reis, e que se tornou no grande êxito do Carnaval de 1933. Entre as numerosas gravações existentes, escolhemos a de Sílvio Caldas e Eliseth Cardoso (1957):


Noite calma,

Música romântica à uma, um dos dez textos mais lidos às duas e, às três, a nossa atenção vai para os que não dormem.

E agora um momento de humor com Jô Soares:

ma

sábado, 1 de janeiro de 2011









De Novo, o Ano Novo


Ethel Feldman




Quero uma agenda sem começo.
Como o tempo que sinto.
Contínuo nos intervalos.
Entre a infância e a semana passada, confundo o passado.
Subi a montanha. Presa no tronco, a dois passos do chão - chorei com medo da queda.
Presa com a boia, junto à terra - tive medo de me afundar.
Na escola, aprendi a ler. O 'A 'vem antes do 'C' e do 'B'. O '2' acompanha o '3'.
Há sempre um antes e outro depois. O tempo a subtrair tempo, no tempo que aprendo.
O tempo de ontem, no ventre da minha mãe.
Noto o mar preguiçoso, mesmo quando se mostra revolto.
Daqui a pouco sereno. É assim o seu tempo. Sempre novo.
O rio acaricia a montanha, a borboleta beija a flor.
Saboreio a maçã, toco meu corpo molhado.
É assim a natureza. Em todos os intervalos.
Uma agenda sem início, nem fim.

Boaventura de Sousa Santos no Estrolabio - Respirar é Possível



As eleições no Brasil tiveram uma importância internacional inusitada. As razões diferem consoante a perspectiva geopolítica que se adopte. Vistas da Europa, as eleições tiveram um significado especial para os partidos de esquerda. A Europa vive uma grave crise que ameaça liquidar o núcleo duro da sua identidade: o modelo social europeu e a social democracia. Apesar de estarmos perante realidades sociológicas distintas, o Brasil ergueu nos últimos oito anos a bandeira da social democracia e reduziu significativamente a pobreza. Fê-lo, reivindicando a especificidade do seu modelo, mas fundando-o na mesma ideia básica de combinar aumentos de produtividade económica com aumentos de protecção social. Para os partidos que na Europa lutam pela reforma, mas não pelo abandono, do modelo social, as eleições no Brasil vieram trazer um pouco mais de ar para respirar.




No continente americano, as eleições no Brasil tiveram uma relevância sem precedentes. Duas perspectivas opostas se confrontaram. Para o governo dos EUA, o Brasil de Lula foi um parceiro relutante, desconcertante e, em última análise, não fiável. Combinou uma política económica aceitável (ainda que criticável por não ter continuado o processo das privatizações) com uma política externa hostil. Para os EUA é hostil toda a política externa que não se alinhe integralmente com as decisões de Washington. Tudo começou logo no início do primeiro mandato de Lula, quando este decidiu fornecer meio milhão de barris de petróleo à Venezuela de Hugo Chávez que nesse momento enfrentava uma greve do sector petroleiro depois de ter sobrevivido a um golpe em que os EUA estiveram envolvidos. Este acto significou um tropeço enorme na política norte-americana de isolar o governo de Chávez. Os anos seguintes vieram confirmar a pulsão autonomista do Governo de Lula. O Brasil manifestou-se veementemente contra o bloqueio a Cuba, criou relações de confiança com governos eleitos mas considerados hostis, a Bolívia e o Equador, e defendeu-os dos golpes da direita tentados em 2008 e 2010 respectivamente. O Brasil promoveu formas de integração regional, tanto no plano económico, como no político e militar, à revelia dos EUA. E, ousadia das ousadias, procurou um relacionamento independente com o governo “terrorista” do Irão.




Na década passada, a guerra no Médio Oriente fez com que os EUA “abandonassem” a América Latina. Estão hoje de regresso, e as formas de intervenção são mais diversificadas que antes. Dão mais importância ao financiamento de organizações sociais, ambientais e religiosas cujas agendas as afastem dos governos hostis a derrotar, como acaba de ser documentado nos casos da Bolívia e do Equador. O objectivo é sempre o mesmo: promover governos totalmente alinhados. E as recompensas pelo alinhamento total são hoje maiores que antes. A obsessão de Serra com o narcotráfico na Bolívia (um actor secundaríssimo) era o sinal do desejo de alinhamento. A visita de Hillary Clinton e a confirmação, pouco antes das eleições, de um embaixador duro (“falcão”), Thomas Shannon, são sinais evidentes da estratégia norte-americana: um Brasil alinhado com Washington provocaria, qual efeito dominó, a queda dos outros governos não-alinhados do sub-continente. O projecto vai manter-se mas por agora ficou adiado.




A outra perspectiva sobre as eleições foi o reverso da anterior. Para os governos “desalinhados” do continente e para as classes e movimentos sociais que os levaram democraticamente ao poder, as eleições brasileiras foram um sinal de esperança: há espaço para uma política regional com algum grau de autonomia e para um novo tipo de nacionalismo, apostado em mais redistribuição da riqueza colectiva.








OPINIÃO
AUTORES
TEMAS
Folha de São Paulo

O que se vai passar na economia americana em 2011

Robert Reich

(Enviado por Júlio Marques Mota)


Um texto importante - Robert Reich, ex-ministro do Trabalho na Administração Clinton escreve sobre a América. A ler com atenção e com atenção descobre-se que escreve também sobre o que está para além da América.
E sobre a América cada vez mais dividida entre a América dos ricos e a América dos pobres, deixa-nos uma sugestão, uma sugestão a pensar numa regime democrático. Diz-nos Reich: «Haverá, certamente, um momento em que a diferença entre as duas economias será tão grande e tão evidente que ninguém mais a poderá ignorar. Progressistas, gentes esclarecidas do Tea Party, Independentes, organizações de trabalhadores, minorias e os jovens formarão um novo movimento progressista com a missão de voltar a unir a América.» E é tudo. Parece pouco mas é muito. Júlio Mota






O que é que se vai passar na economia americana em 2011? Se nos estamos a referir aos benefícios das grandes empresas e a Wall Street, o próximo ano será provavelmente um bom ano. Mas se falamos da média dos trabalhadores americanos, estamos muito longe de pensar que será um bom ano .


As duas economias da América - a da Grande Finança e a da economia da família média de trabalhadores - vão continuar a divergir. Os lucros das empresas vão continuar a aumentar, como o dos mercados bolsistas. Mas os salários típicos não irão em nenhum lado aumentar , o desemprego continuará a ser elevado, as longas filas dos desempregados vai continuar a aumentar, a retoma do alojamento permanecerá no ponto morto e a confiança dos consumidores continuará em baixa.

UMA CRONOLOGIA DA GUERRA COLONIAL uma nova obra de José Brandão

todos os dias às 18:00 horas

VerbArte - Revista Pirâmide


Grupo Surrealista de Lisboa -I (Exposição dos Surrealistas, Junho/Julho, 1949).
Na foto, da esquerda para a direita: Henrique Risques Pereira, Mário Henrique Leiria, António Maria Lisboa, Pedro Oom, Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas, Carlos Eurico da Costa e Fernando Alves dos Santos.
Carlos Loures

A revista «Pirâmide» da qual, entre Fevereiro de 1959 e Dezembro de 1960, se publicaram três números, e da qual fui um dos coordenadores, teve uma história curta, mas atribulada. Na Primavera de 1958, passei a frequentar o Café Gelo, onde se reunia o grupo dos surrealistas, com figuras como Mário Cesariny, Luiz Pacheco, Raul Leal, António José Forte, Ernesto Sampaio, Virgílio Martinho e tantos outros, surrealistas ou não. Havia os que não eram tão assíduos, como o João Vieira, o Gonçalo Duarte, o Mário Henrique Leiria, o Manuel D’Assumpção e muitos outros.

Participara na edição de um «poema-manifesto» - “O Menino que não saltou a Cancela”, coisa incipiente, reflectindo a confusão que me ia na cabeça: leituras apressadas, de Marx, Sartre, Breton, alguma determinação antifascista e pouco mais. Porém, o opúsculo serviu de cartão de ingresso naquela tertúlia tão elitista como permissiva. Bastava ser-se um pouco louco, ou mesmo apenas fingi-lo, para se ser aceite. A figura dominante era Cesariny, que funcionava como aglutinador de personalidades tão diferentes como Luiz Pacheco, Herberto Hélder, Raul Leal, Manuel de Castro, António José Forte, Ernesto Sampaio e outros. O deus tutelar, António Maria Lisboa, que morrera em 1953, deixando uma obra reduzida em extensão, mas plena de sugestões geniais.


Um depoimento que prestei ao Daniel Pires para o seu «Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa», diz o essencial. Daí transcrevo algumas linhas: «Com a impaciência, o pragmatismo e o voluntarismo próprios de quem quer resolver a sua confusão interior pela ordenação do mundo exterior, nós, os recém-chegados ao grupo, entendemos que era importante que aquela reunião quotidiana de talentos se traduzisse em algo de concreto - uma revista. A ideia foi acolhida com alguma ironia pelos elementos mais parasitários e com entusiasmo pelos mais valiosos, nomeadamente por Cesariny, que sugeriu o título e que organizou verdadeiramente o primeiro número, o mais ortodoxo dos três que se publicaram.» (…)
«Dadas as vicissitudes de um grupo tão heterogéneo como aquele, onde a intriga representava um papel determinante, o segundo número, surgido em Junho de 1959 (quatro meses depois do primeiro), representava já uma contestação à “liderança” de Cesariny. «O número 3, publicado em Dezembro de 1960, estava já quase totalmente esvaziado do inicial conteúdo surrealizante. É, no entanto, o mais autêntico, pois é o único em que ninguém nos “segurou a mão”. Aliás, foi já realizado fora do grupo do Gelo, com gente que parava uns metros adiante, no Café Restauração». Grupo constituído pelo Alfredo Margarido, Edmundo Bettencourt, Manuel de Castro e outros.

O Processo Educativo - nova obra do Professor Raúl Iturra a partir de dia 3 de Janeiro às 15 horas



«Todo o grupo social precisa de transmitir a sua experiência acumulada no tempo à geração seguinte, como condição da sua continuidade histórica. O facto de os membros individuais do grupo estarem sempre a renovar-se, seja pela morte, seja pelo nascimento, dinamiza a necessidade de que essa experiência acumulada, que se denomina saber e existe fora do tempo individual, fique organizada numa memória que permaneça no tempo histórico. A questão está em saber se é mais útil para a reprodução do grupo que os novos reproduzam o saber; ou que entendam a necessidade dele por meio de praticar a sua utilidade. O primeiro seria ensinar o que já se tem, subordinada à letra do que já se possui como explicação da natureza e das relações entre os homens; o segundo seria aprender o processo que dinamiza as operações pelas quais a mente humana resolve uma questão cada vez uma problemática se lhe coloca. »

Da Introdução

A partir da próxima segunda-feira às 15 horas

O PROCESSO EDUCATIVO
Por Raúl Iturra
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