Carlos Loures
Temos numerosos leitores no Brasil. Julgamos que são brasileiros e emigrantes portugueses. Por outro lado, a colónia brasileira em Portugal alcança dimensões consideráveis. Esta série de textos abordará, sem sequência cronológica, um período da História do Brasil iniciado há pouco mais de 70 anos e, felizmente encerrado em 1985, com o regresso do regime democrático. Navegará ao sabor da maré, da memória, das efemérides – divagações de um português. Peço perdão aos brasileiros por alguma imprecisão histórica que cometa e agradeço que me corrijam quanto a esses erros factuais. E também que manifestem acordo ou divergência. O Estrolabio é uma tribuna livre e democrática.
Por que motivo dei este nome à série – “Aquarela do Brasil” (nós dizemos aguarela)? Vamos começar por ouvir «Aquarela do Brasil», a canção de Ary Barroso( 1903-1963), cujo retrato podemos ver acima. Depois explicarei a razão de ser do título. Primeiro, ouçamos a bela interpretação de Gal Costa.
Mostrar mensagens com a etiqueta 1984. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1984. Mostrar todas as mensagens
sábado, 21 de agosto de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
A república alheada!
“Mehr Licht !” ―as últimas palavras de Goethe,no sentido de mais instrução, ciência, verdade !
Segue uma tradução ligeiramente abreviada de um ensaio de Richard David Precht* publicado em DER SPIEGEL 26/2010 de 28.06.2010, “Die entfremdete Republik”. O ensaio, quanto às linhas mestras e estratégicas, em minha opinião não só reflecte o estado da democracia na Alemanha mas também o da União Europeia e de todos os seus estados membros, incluindo naturalmente Portugal. Artigo original em alemão em:
http://www.spiegel.de/spiegel/0,1518,703254,00.html
*Nascido em 1964, o filósofo e escritor alemão Richard David Precht escreve para vários jornais, entre eles o semanário Die Zeit. É conhecido, sobretudo, pelos seus livros de divulgação da Filosofia, como “Quem sou eu e, se sim, quanto?”, que vendeu 800 mil exemplares e foi traduzido para 23 idiomas. Mais sobre o autor:
http://www.presseurop.eu/pt/content/author/99971-richard-david-precht
Ensaio: A República alheada
Na eleição do Presidente Federal trata-se de algo mais do que apenas um cargo ou uma pessoa.
Por Richard David Precht
A forma como os pais da constituição quiseram eleger o Presidente Federal, quanto aos pormenores deixaram-na em aberto. Apesar das propostas que faziam as fracções, em princípio cada membro do grémio eleitoral - Convenção Federal – podia escrever num papel quem considerava o melhor – se nomeado ou não.
Segue uma tradução ligeiramente abreviada de um ensaio de Richard David Precht* publicado em DER SPIEGEL 26/2010 de 28.06.2010, “Die entfremdete Republik”. O ensaio, quanto às linhas mestras e estratégicas, em minha opinião não só reflecte o estado da democracia na Alemanha mas também o da União Europeia e de todos os seus estados membros, incluindo naturalmente Portugal. Artigo original em alemão em:
http://www.spiegel.de/spiegel/0,1518,703254,00.html
*Nascido em 1964, o filósofo e escritor alemão Richard David Precht escreve para vários jornais, entre eles o semanário Die Zeit. É conhecido, sobretudo, pelos seus livros de divulgação da Filosofia, como “Quem sou eu e, se sim, quanto?”, que vendeu 800 mil exemplares e foi traduzido para 23 idiomas. Mais sobre o autor:
http://www.presseurop.eu/pt/content/author/99971-richard-david-precht
Ensaio: A República alheada
Na eleição do Presidente Federal trata-se de algo mais do que apenas um cargo ou uma pessoa.
Por Richard David Precht
A forma como os pais da constituição quiseram eleger o Presidente Federal, quanto aos pormenores deixaram-na em aberto. Apesar das propostas que faziam as fracções, em princípio cada membro do grémio eleitoral - Convenção Federal – podia escrever num papel quem considerava o melhor – se nomeado ou não.
Etiquetas:
1984,
Alemanha,
república.democracia,
Richard David Precht
terça-feira, 8 de junho de 2010
1984, de Georges Orwell
Carlos Loures
Nineteen Eighty-Four, de George Orwell, teve a sua primeira edição em 8 de Junho de 1949, faz hoje 61 anos. Reproduz-se a capa dessa edição da Secker and Warburg, de Londres. O livro surgiu numa Inglaterra que sangrava ainda das feridas da Segunda Guerra. O romance marcou indelevelmente a literatura do século XX e descreve o quotidiano de um regime totalitário, mostrando como uma sociedade oligárquica e repressivamente colectivista pode destruir quem a ela se oponha. Orwell narra com brilhantismo um futuro de pesadelo baseado nos absurdos do presente. Escrito em 1948, diz-se que por pressão dos editores, os dois últimos dígitos foram invertidos, dando lugar a 1984.

A história é contada por Winston Smith, um homem insignificante, funcionário do Ministério da Verdade, que executa a tarefa de refazer diariamente a história do regime através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o Partido e o governo do «Grande Irmão» estejam sempre certos e tenham sempre razão. Os problemas de Winston começam quando começa a questionar a opressão que o Partido exerce sobre os cidadãos. Pensar de modo diferente, era cometer crimideia (crime cometido em pensamento, segundo a novilíngua) e quem incorresse nesse crime era preso pela Polícia do Pensamento. Rapidamente, desaparecia, era vaporizado. como se nunca tivesse existido.
Obviamente inspirado na opressão dos regimes totalitários que, naquele final dos anos 40 ainda estava bem presente na memória de todos, o romance de Orwell critica o fascismo e o estalinismo, mas também todo e qualquer processo de controlo do indivíduo em nome dos supremos interesses da sociedade. Mas houve quem visse no romance o que queria ver, sendo considerado por muitos, quando da sua publicação, uma crítica ao socialismo e ao Partido Trabalhista. Numa carta escrita meses antes da morte, Orwell esclareceu que era um socialista convicto (combatera pela República, na Guerra Civil de Espanha, sendo ferido). Avisava que o totalitarismo, venha de onde vier, da direita ou da esquerda, «se não for combatido, pode triunfar em qualquer sitio». No ensaio Why I Write (Por que escrevo), auto-designou-se como «socialista-democrático».
Muitas das palavras inventadas por Orwell perduram ainda seis décadas depois - big brother, duplipensar, novilíngua, por exemplo, são expressões usadas por pessoas que nunca leram o romance. Orwelliano" é um termo usado comummente para referir invasões da privacidade e de usurpação dos direitos dos cidadãos ocorridas na vida real ou na ficção.
1984 é, sem dúvida, uma das obras mais marcantes e impressivas do século XX.
Nineteen Eighty-Four, de George Orwell, teve a sua primeira edição em 8 de Junho de 1949, faz hoje 61 anos. Reproduz-se a capa dessa edição da Secker and Warburg, de Londres. O livro surgiu numa Inglaterra que sangrava ainda das feridas da Segunda Guerra. O romance marcou indelevelmente a literatura do século XX e descreve o quotidiano de um regime totalitário, mostrando como uma sociedade oligárquica e repressivamente colectivista pode destruir quem a ela se oponha. Orwell narra com brilhantismo um futuro de pesadelo baseado nos absurdos do presente. Escrito em 1948, diz-se que por pressão dos editores, os dois últimos dígitos foram invertidos, dando lugar a 1984.
A história é contada por Winston Smith, um homem insignificante, funcionário do Ministério da Verdade, que executa a tarefa de refazer diariamente a história do regime através da falsificação de documentos públicos e da literatura a fim de que o Partido e o governo do «Grande Irmão» estejam sempre certos e tenham sempre razão. Os problemas de Winston começam quando começa a questionar a opressão que o Partido exerce sobre os cidadãos. Pensar de modo diferente, era cometer crimideia (crime cometido em pensamento, segundo a novilíngua) e quem incorresse nesse crime era preso pela Polícia do Pensamento. Rapidamente, desaparecia, era vaporizado. como se nunca tivesse existido.
Obviamente inspirado na opressão dos regimes totalitários que, naquele final dos anos 40 ainda estava bem presente na memória de todos, o romance de Orwell critica o fascismo e o estalinismo, mas também todo e qualquer processo de controlo do indivíduo em nome dos supremos interesses da sociedade. Mas houve quem visse no romance o que queria ver, sendo considerado por muitos, quando da sua publicação, uma crítica ao socialismo e ao Partido Trabalhista. Numa carta escrita meses antes da morte, Orwell esclareceu que era um socialista convicto (combatera pela República, na Guerra Civil de Espanha, sendo ferido). Avisava que o totalitarismo, venha de onde vier, da direita ou da esquerda, «se não for combatido, pode triunfar em qualquer sitio». No ensaio Why I Write (Por que escrevo), auto-designou-se como «socialista-democrático».
Muitas das palavras inventadas por Orwell perduram ainda seis décadas depois - big brother, duplipensar, novilíngua, por exemplo, são expressões usadas por pessoas que nunca leram o romance. Orwelliano" é um termo usado comummente para referir invasões da privacidade e de usurpação dos direitos dos cidadãos ocorridas na vida real ou na ficção.
1984 é, sem dúvida, uma das obras mais marcantes e impressivas do século XX.
Etiquetas:
1984,
big brother,
george orwell,
literatura inglesa
Subscrever:
Mensagens (Atom)