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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dia Mundial do Animal - um coração para todos...

Luis Moreira ( um coração desenhado na perfeição)

Qualquer cão que me veja na rua, vem direitinho a mim, a rosnar, mesmo a ladrar, é certinho. Os donos dizem sempre que não percebem, pois o cão é meigo, não faz mal a ninguem. Mas eu sei porque é. Tenho um medo incrivel dos cães, ficou-me de quando andava nas quintas à fruta com a malta, e um dia andei quilómetros em cima de um muro com uns quantos cães a ladrarem-me às canelas. Então não é que os cães pressentem o meu medo?

Mas tive um cão (era de um amigo meu) um Labrador, que foi a excepção, o raio do cão que me via de 15 em 15 dias senão mais, logo que me via ia buscar uma pinha e atirava a pinha para os meus pés para eu brincar com ele. Atirava a pinha contra mim, levantava-se com a pinha na boca e mostrava-a e não me largava enquanto eu não brincasse com ele. Tive um desgosto quando morreu com uma daquelas doenças infecciosas que os atacam e que é fulminante.

Um dos cães que viviam com o Labrador era um Cão-de-Água algarvio, com os caracóis a cairem-lhe sobre os olhos, preto, que mal eu me atirava para a piscina ele já não me largava, bebi uns litros de água à conta do cão. Outro, tambem desse meu amigo, era um Serra da Estrela, taciturno, desaparecia por largos momentos e voltava de vez em quando para ver se estava tudo controlado para desaparecer a seguir.

Eram três animais completamente diferentes, não só no aspecto, mas muito principalmente no caracter, tive um enorme carinho por esses animais que gostavam de mim, não me ladravam e brincavam comigo. Eram animais com terreno para correr e brincar, assim gosto de ver e, palpita-me, que os cães que não gostam de mim é porque passam toda a vida dentro de um apartamento, são como eu, "cão de campo não gosta de capoeira".

Dia Mundial do Animal - Ode a Jean de La Fontaine podendo também passar por uma autocrítica

Versos de Carlos Loures e fotografias de José Magalhães



Os abutres, as hienas,
os tubarões, os chacais
são apenas animais
que lutam para viver.

Chamar abutre ou hiena,
tubarão, lobo ou chacal
a um grande industrial
ou importante banqueiro,
é abuso de linguagem
e ainda para mais
é o erro cometer
de insultar animais
cujo crime é a coragem
de querer sobreviver.



Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal –
não há nada que não venda,
que não importe ou exporte,
come com os dentes da fome
que devora milhões de homens,
vive com as garras da morte
que ceifa vidas à toa.

Mister multinacional
não é abutre, nem hiena,
nem tubarão, nem chacal.
A quem come carne humana
e converte a morte em ouro,
a vida em mercadoria
de reduzido valor,
é errar a pontaria
chamar abutre ou chacal:

- capitalista é canibal!
- capitalista é canibal!

Nota: Estes versos, cujo título é recente, foram escritos durante o PREC para um cantor, o Aristides. Era um sucesso, sobretudo o estribilho - capitalista é canibal! - era gritado por centenas de vozes num berreiro gisgantesco. Penso que não sobreviveram gravações - facto que em nada prejudica, quer a arte poética, quer a musical.  Agradeço ao José Magalhães o ter concordado em juntar as suas magníficas fotografias  a este regresso ao passado . (CL)