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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (36)


(Continuação)

A referência a sua obra etnográfica, da minha parte, é interesseira. Os livros editados por ele, são uma boa referência para todos, especialmente para mim, não nascido em Portugal, com as minhas memórias de infância em outros sítios, quer no Chile, quer na Grã-bretanha, ou em Espanha ou em França e, hoje em dia, memórias da infância dos meus netos, aos que raramente vejo.


Ficamos por estes sítios com o nosso Professor Doutor João Leal. Digo nosso, porque, ao se transferir de volta para a sua Universidade de origem, o não perdemos, ficou no CEAS até hoje.

domingo, 26 de setembro de 2010

Noctívagos, insones & afins - Se eu não me sentisse confuso de como fui feito

Raúl Iturra

...o que um filho diria a um pai que se importa com ele, toma conta e é feliz…por ter um pai por perto….e não compra o filho e vai-se embora….ensaio de etnopsicologia da infância…

À minha descendência


Feito

Porque de certeza não foi o espírito que me criou. Faz já dez anos. Não foi o espírito que entrou no corpo da minha mãe e depositou aí o meu corpo. Diz a minha mãe que foi ela quem me trouxe ao mundo. Que me pôs neste mundo. Que me deu à luz. Que entregou o meu corpo à família e ao pai. E aos vizinhos. Que me viram no dia do baptismo. Diz a mãe que me levou-me no seu ventre durante cumprido tempo. Diz a mãe. A mãe sempre diz todo o que ela sofreu comigo dentro. Diz que sofreu por ter que acordar à noite para me amamentar. Diz a mãe que teve de mudar as minhas fraldas milhares de vezes quando era pequeno e não sabia usar penico. Diz a mãe.