Carlos Leça da Veiga
Não quero intervir na polémica sobre a questão de Hiroxima, aliás, estéril. Quem eram os maus da fita? Os ianques ou os japoneses? Qual mais bárbaro se atacar Pearl Harbour ou Hiroxima? Uma questão do número das vitimas?
Nos passados anos quarenta, o General Norton de Matos, num texto jornalístico, a propósito do anunciado perigo nuclear, afirmou que na guerra seguinte nunca era usada a arma mais terrifica utilizada na anterior. Atrevo-me a pensar que tinha razão. São passados 65 anos e, felizmente, nada aconteceu.
Posso testemunhar – tinha 13 anos – que o lançamento da bomba no Japão foi um motivo de grande satisfação para a população portuguesa e, estou certo, para a de todo o mundo “aliado”. Quem não acompanhou a guerra não consegue compreender o modo como foi a reacção favorável ao lançamento da bomba. Os Homens não são nada bons e o ódio que havia aos japoneses (por ex. a sua acção em Timor) ditou que o seu genocídio fosse considerado como uma coisa boa. Naquele 6 de Agosto estava em Coimbra e quando a noticia chegou houve uma explosão de alegria!!! Esperemos que não haja razões para uma qualquer repetição. Não será por invectivar a "bomba" que ela não é deitada. É fundamental acusar os interesses mais profundos que estão na origem dos conflitos e não ter alianças com essa gente.
Uns já deitaram duas bombas; outros estão na mira duma necessidade. É muito saudável ver acusar as grandes potências e as sua corridas ao armamento nuclear mas curioso é nunca ver a esquerda a atacar os Estados da união europeia – os nossos aliados – que têm a “atómica”. Serão melhores que os outros?
Nunca vi nenhuma das chamadas esquerdas portuguesas a exigir que os seus comparsas da união europeia – estes, pelo menos – destruam os respectivos arsenais atómicos. Curioso? O prato das lentilhas alimenta todos!!!
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O nosso Carlos Loures, já há vários dias, nas páginas deste “Estrolabio”, pronunciou-se sobre o título “de esquerda precisa-se”. Razões de ordem vária impediram-me de, como agora, tentar-lhe um comentário que, aproveito, considerar extensivo aos demais intervenientes na pequena troca de impressões então suscitada.
Precisar-se-á?
Organizados há alguns partidos – não são poucos – que reivindicam serem a esquerda ou, modestamente, de serem de esquerda. Desorganizados há um ror imenso de Homens e Mulheres que, honrosamente, prosseguem a reclamar o seu estatuto de esquerdistas. Entre estes têm aflorado algumas intenções – aliás excelentes – de quererem dar origem a essa tão desejada esquerda. De tentativa em tentativa são consumidas as maiores energias e as melhores dedicações. Resultados? Uma sucessão de desilusões.
Pergunta-se, valerá a pena recomeçar?
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Bomba atómica - foi um crime mas não a terias usado?
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Luis Moreira
Foi o Presidente Truman quem deu a ordem para lançar a bomba sobre Hiroshima e Nagasaki, mas foi o Presidente Roosevelt quem juntou os homens e os meios necessários para a construir. Os cientistas europeus que tinham fugido à guerra e que viviam nos US, incluindo Einstein, que não fez parte da equipa de Los Alamos mas que incentivou Roosevelt a "construí-la primeiro que todos os outros".
Os conhecimentos técnicos e científicos já estavam ao alcance daquela equipa, como estavam ao alcance de outras equipas que, afanosamente, queriam chegar primeiro.E, chegar primeiro, correspondia a não ter que responder a esta angustiante pergunta: "tê-la-ías usado?" Esta pergunta seria sempre feita a quem chegasse em segundo porque o primeiro usava a bomba, fosse quem fosse, naquele cenário, usaria sempre a bomba. Era para a usar que todos queriam chegar em primeiro! Sendo a técnica conhecida mais tarde ou mais cedo todos chegam à mesma conclusão.
Luis Moreira
Foi o Presidente Truman quem deu a ordem para lançar a bomba sobre Hiroshima e Nagasaki, mas foi o Presidente Roosevelt quem juntou os homens e os meios necessários para a construir. Os cientistas europeus que tinham fugido à guerra e que viviam nos US, incluindo Einstein, que não fez parte da equipa de Los Alamos mas que incentivou Roosevelt a "construí-la primeiro que todos os outros".
Os conhecimentos técnicos e científicos já estavam ao alcance daquela equipa, como estavam ao alcance de outras equipas que, afanosamente, queriam chegar primeiro.E, chegar primeiro, correspondia a não ter que responder a esta angustiante pergunta: "tê-la-ías usado?" Esta pergunta seria sempre feita a quem chegasse em segundo porque o primeiro usava a bomba, fosse quem fosse, naquele cenário, usaria sempre a bomba. Era para a usar que todos queriam chegar em primeiro! Sendo a técnica conhecida mais tarde ou mais cedo todos chegam à mesma conclusão.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Breve reflexão sobre Hiroxima e Nagasáqui
Carlos Loures
Em Agosto de 1945, a guerra mundial chegava ao fim, abrindo as portas a um novo terror. Os Estados Unidos lançaram a 6 e a 9 de Agosto sobre Hiroxima e Nagasáqui, respectivamente, as primeiras bombas nucleares a atingir alvos civis. Um dos maiores crimes que a História regista.
Em 1965, com o poeta, professor universitário e também colaborador deste blogue, Manuel Simões, organizei uma antologia com «depoimentos de poetas portugueses sobre o flagelo atómico, no 20º aniversário da destruição de Hiroxima e Nagasáqui». Mais de trinta escritores contribuíram com os seus poemas para esta edição que foi publicada em 1967 – nomes como os de António Cabral, António Rebordão Navarro, Casimiro de Brito, Eduardo Guerra Carneiro, Egito Gonçalves, Fernando J.B. Martinho, João Rui de Sousa, Manuel Alegre, Maria Rosa Colaço, Papiniano Carlos… Transcrevo alguns excertos do prefácio (estávamos a 7 anos de Abril e o livro foi proibido, não só pelo seu prefácio, mas também pela agressividade da maioria dos poemas):
«Agosto de 1945 é para o mundo, um fundamental marco miliário: é a partir dessa altura que é lícito falar-se dos Estados Unidos como da mais poderosa potência do Ocidente. A ambiciosa e florescente nação dos anos vinte, ressurge, já recomposta das cicatrizes que a crise económica de 1929 abrira. Poder edificado sobre os 130 000 cadáveres de Hiroxima e de Nagasáqui, consolidado com o sangue e com as lágrimas de tantas vítimas.
Em Agosto de 1945, a guerra mundial chegava ao fim, abrindo as portas a um novo terror. Os Estados Unidos lançaram a 6 e a 9 de Agosto sobre Hiroxima e Nagasáqui, respectivamente, as primeiras bombas nucleares a atingir alvos civis. Um dos maiores crimes que a História regista.
Em 1965, com o poeta, professor universitário e também colaborador deste blogue, Manuel Simões, organizei uma antologia com «depoimentos de poetas portugueses sobre o flagelo atómico, no 20º aniversário da destruição de Hiroxima e Nagasáqui». Mais de trinta escritores contribuíram com os seus poemas para esta edição que foi publicada em 1967 – nomes como os de António Cabral, António Rebordão Navarro, Casimiro de Brito, Eduardo Guerra Carneiro, Egito Gonçalves, Fernando J.B. Martinho, João Rui de Sousa, Manuel Alegre, Maria Rosa Colaço, Papiniano Carlos… Transcrevo alguns excertos do prefácio (estávamos a 7 anos de Abril e o livro foi proibido, não só pelo seu prefácio, mas também pela agressividade da maioria dos poemas):
«Agosto de 1945 é para o mundo, um fundamental marco miliário: é a partir dessa altura que é lícito falar-se dos Estados Unidos como da mais poderosa potência do Ocidente. A ambiciosa e florescente nação dos anos vinte, ressurge, já recomposta das cicatrizes que a crise económica de 1929 abrira. Poder edificado sobre os 130 000 cadáveres de Hiroxima e de Nagasáqui, consolidado com o sangue e com as lágrimas de tantas vítimas.
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