Carlos Loures
Numa arrumação de livros que tive de fazer recentemente, descobri um livro que tinha lido quando da sua publicação que me impressionou e depois esqueci. É uma edição de 1995, mas (segundo a anotação que fiz na página de rosto) foi comprado em 1997 – “Las reglas del caos”, de Santiago Alba Rico. Santiago Alba Rico é um ensaísta e filósofo nascido em Madrid em 1960. Licenciado em Filosofia pela Universidade Complutense de Madrid, é um homem de esquerda, de formação marxista, tem publicado vários ensaios abordando temas de disciplinas como a filosofia, a antropologia e a política. Editor de diversas revistas de carácter político e cultural é, participante activo em meios de comunicação alternativos.
Solidário com a causa islâmica e vivendo actualmente na Tunísia, traduziu para castelhano autores árabes, como o poeta egípcio Naguib Surur ou o escritor iraquiano Judayr Mohamed. Não vos vou falar senão num pormenor deste longo ensaio, cuja leitura aconselho vivamente. Dedicar-lhe-ei proximamente um artigo, pois as questões que levanta, nomeadamente a das regras que regem o caos, são muito interessantes. Vou hoje apenas referir-me à diferença que Santiago Alba Rico estabeelce entre utilizadores e consumidores.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
A desvitalização da vida
Manuel Simões
1
Conhecem só as letras mortas,
os lugares-comuns, a voz solta
sem peso, sem ardor latente
de transgressão da fala.
Não pressentem o engano, a fácil
imagem, falsa e doce
ilusão que investe, prepotente,
a indefesa credulidade que se cala.
2
Ai dos fracos de espírito, adoradores
do consumo como ideologia.
Deles será a terra prometida
crescendo à sombra dos telefilmes,
dos centros comerciais onde a vida
não se mede com inteligência.
Deles será o paraíso às avessas,
a desumana ordem que tudo banaliza,
Ai dos fracos de espírito, privados
cruelmente do poder da consciência.
(Do seu livro Errâncias, Lisboa, 1998)
1
Conhecem só as letras mortas,
os lugares-comuns, a voz solta
sem peso, sem ardor latente
de transgressão da fala.
Não pressentem o engano, a fácil
imagem, falsa e doce
ilusão que investe, prepotente,
a indefesa credulidade que se cala.
2
Ai dos fracos de espírito, adoradores
do consumo como ideologia.
Deles será a terra prometida
crescendo à sombra dos telefilmes,
dos centros comerciais onde a vida
não se mede com inteligência.
Deles será o paraíso às avessas,
a desumana ordem que tudo banaliza,
Ai dos fracos de espírito, privados
cruelmente do poder da consciência.
(Do seu livro Errâncias, Lisboa, 1998)
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