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terça-feira, 6 de julho de 2010
Dois jesuítas oliventinos do século XVII - os irmãos Couto na Revolta do "Manuelinho" de Évora (1637)
Carlos Luna
Entre os vultos de destaque do nosso Alentejo, alguns há que são tão raramente lembrados que dir-se-ia que algum tipo de maldição os persegue. Estão neste caso dois irmãos, de apelido Couto, de nomes Estêvão
(1554-1638) e Sebastião (1567?-1639), ambos originários de Olivença, onde viveram na Rua da Pedra... hoje denominada, com pouco respeito pela História, "Calle Cervantes".
Estêvão do Couto formou-se na Universidade de Évora em 24 de Junho de 1539, doutorando-se em Teologia, na mesma Instituição, em 1596. Foi, aliás, Cancelário e Lente na mesma Universidade. Autor de vários textos e trabalhos, manuscritos, sobre Física e Metefísica, assim como de uma obra intitulada "Retórica", é mencionado na "Biblioteca Lusitana" de Barbosa Machado. É em geral considerado um dos grandes cérebros jesuítas do Século XVII, sendo muitas vezes citado elogiosamente.
Sebastião do Couto, tal como o irmão, entrou na Companhia de Jesus. Tinha então apenas 15 anos. Formou-se na Universidade de Évora em 23 de Janeiro de 1605. Foi Lente da Prima de Teologia em Évora e em Coimbra. Muito afamado, há notícias de ter pregado no Auto de Fé de 19 de Junho de 1619, em Évora... algo que hoje não se considerará muito elogioso, antes pelo contrário.
Parece que os dois irmãos se mantiveram sempre muito próximos, intelectual e fisicamente, excepto por pequenos períodos. Por isso, não causa espanto encontrá-los juntos em 1637, por ocasião da Revolta do "Manuelinho" em èvora. Ambos tiveram nela papel de destaque, em especial Sebastião.
Como é sabido, a Revolta do "Manuelinho" foi um protesto generalizado com algumas manifestações de violência à mistura ( queima de Arquivos, por exemplo ). Constituíu a primeira ameaça séria de revolta contra o Governo Filipino. Opressão fiscal, miséria social, falta de um governo próprio com efectiva capacidade de decisão, e outros, foram os motivos variados que levaram a tal levantamento, particularmente dinâmico no Alentejo e no Algarve, que abrangeu com poucas excepções ( Elvas, Moura, e pouco mais ), assolando ainda partes do Ribatejo e da Beira Baixa, e uma ou outra localidade fora dessas áreas (Guarda, Bragança). Só na Região de Évora, em sentido lato, ergueram-se Évora (centro do movimento), Montemor-o-Novo, Alandroal, Vila Viçosa, Borba, Canha, Vimieiro, Sousel, Avis, Olivença, Mourão, Viana do Alentejo, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia, Alcácer do Sal, e outras localidades ainda.
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