Aquest espai, dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als que segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecte als uns i als altres. Avui us proporcionem poemes del gran poeta portugués Eugénio de Andrade (1923-2005). La versió catalana és de Josep Anton Vidal.
Despertar
És un ocell, és una rosa,
és la mar que em desvetlla?
Ocell o rosa o mar,
tot és enardiment, tot és amor.
Desvetllar-se és ser rosa en la rosa,
cant en l'ocell, aigua en la mar.
Coração do dia, 1958
El silenci
Quan la tendresa
sembla cansada de tendreses,
i el son, la barca més incerta,
encara triga,
quan els blaus assalten
els teus ulls
i procuren
als meus navegació segura,
és quan et dic els mots
desemparats i erms,
fascinats pel silenci.
Obscuro dominio, 1971.
Dones de negre
Fa molt temps que són velles, vestides
de negre fins a l'ànima.
Vora el mur
troben defensa contra un sol de pedra;
a la vora del foc,
es posen a recer del fred del món.
Encara tenen nom? Ningú
pregunta, no respon ningú.
La llengua, també pedra.
Rente ao dizer, 1992
Frèsies
Pren sentit una pàtria
quan la boca
que ens besa és la que en parla,
la que en les seves síl•labes ens porta
el blat, i les cigales,
la tremolor
de l'ànima, del cos, de l'aire,
o la claror que ens entra dins la casa
amb les frèsies
i fa que el cor, amic, sigui tan lleu.
Rente ao dizer, 1992
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010
domingo, 12 de setembro de 2010
António Botto no Brasil - 9 - António Augusto Sales
Os Últimos Anos de Infortúnio
(continuação)
A década da sua máxima produção poética e merecido destaque foi a dos anos vinte que arrancou a Fernando Pessoa, no início da carreira do seu amigo, as algo exageradas afirmações ao considerar António Botto o «único exemplo (...) na literatura europeia, do isolamento espontâneo e absoluto do ideal estético em toda a sua vazia integridade» (António Botto e o Ideal Estético em Portugal). Quando em 1929 Pessoa recorre à colaboração de Botto para iniciarem a Antologia de Poemas Portugueses Modernos já este ocupa um lugar especial na nossa poesia o que levaria José Régio a considerá-lo mais tarde, «Grande poeta e grande artista isolado (...) tem já uma obra que pelas esquesitices do ritmo, as subtilezas da ironia, os arrojos confessionais, os recantos de intenção e os achados
de expressão depurada, - é bem moderno» (A Moderna Poesia Portuguesa – p.90-Ed.Inquérito, 2ª ed. – Lisboa s/data).
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sábado, 28 de agosto de 2010
Poesia. Mais um sopro na fogueira
Adão Cruz
(Mais uma achega ao texto de Carlos Loures)
Eu penso que a poesia é algo de muito subtil, uma espécie de brisa mágica, uma essencialidade rítmica e harmoniosa da vida, quase uma ascese ética e estética que nos transporta à mais nobre e sublime expressão da realidade, através das mais impressivas, expressivas e sugestivas formas da nossa linguagem. Ela combina a palavra justa com toda a energia sinestésica e sensível que faz o poema acordar ou deflagrar. A poesia não é a cópia da realidade, mas a simbolização, a evocação e a invocação da beleza e da nobreza da realidade. O fenómeno poético é entendido como harmonia verbal em que todos os materiais fonéticos e simbólicos se diluem num resultado de suprema fruição estética. Por isso eu tenho vindo a dizer que criar poesia não é encastelar versos, uns em cima outros em baixo, versos brancos ou escuros, fazer rebuscadas rimas, escrever labirínticas coisas que ninguém entende, inventar modas que não passam, muitas vezes, de execuções sumárias da poesia. O chamado poema, considerado a matriz literária habitual onde se revela a poesia, pode ser absolutamente estéril, ou mesmo a negação da poesia. A poesia percorre transversalmente qualquer forma de expressão artística, podendo ter uma presença mais viva num texto em prosa do que num poema, ou ser muito mais sentida num quadro ou numa peça de música do que em qualquer forma de expressão literária. Por isso se costuma chamar ao poema a poesia falada, à pintura a poesia calada e à música a poesia cantada.
(Mais uma achega ao texto de Carlos Loures)
Eu penso que a poesia é algo de muito subtil, uma espécie de brisa mágica, uma essencialidade rítmica e harmoniosa da vida, quase uma ascese ética e estética que nos transporta à mais nobre e sublime expressão da realidade, através das mais impressivas, expressivas e sugestivas formas da nossa linguagem. Ela combina a palavra justa com toda a energia sinestésica e sensível que faz o poema acordar ou deflagrar. A poesia não é a cópia da realidade, mas a simbolização, a evocação e a invocação da beleza e da nobreza da realidade. O fenómeno poético é entendido como harmonia verbal em que todos os materiais fonéticos e simbólicos se diluem num resultado de suprema fruição estética. Por isso eu tenho vindo a dizer que criar poesia não é encastelar versos, uns em cima outros em baixo, versos brancos ou escuros, fazer rebuscadas rimas, escrever labirínticas coisas que ninguém entende, inventar modas que não passam, muitas vezes, de execuções sumárias da poesia. O chamado poema, considerado a matriz literária habitual onde se revela a poesia, pode ser absolutamente estéril, ou mesmo a negação da poesia. A poesia percorre transversalmente qualquer forma de expressão artística, podendo ter uma presença mais viva num texto em prosa do que num poema, ou ser muito mais sentida num quadro ou numa peça de música do que em qualquer forma de expressão literária. Por isso se costuma chamar ao poema a poesia falada, à pintura a poesia calada e à música a poesia cantada.
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