Mostrar mensagens com a etiqueta hollywood. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta hollywood. Mostrar todas as mensagens

sábado, 25 de dezembro de 2010

"Por uma simples questão de sensatez, não acredito em Deus. Em nenhum."

Carlos Loures


Não gosto do Natal. É uma época desagradável para mim. Não sou crente e, portanto, a face religiosa da festa, não me diz nada. Festa da família? A minha família não precisa de dias especiais para se reunir, nem de datas certas para manifestarmos os sentimentos que nos unem. Porém, não consigo fugir totalmente aos tentáculos do polvo comercial que, em Dezembro, esbraceja para sacar às pessoas em geral, crentes ou não, tudo o que possa.

E depois é o sortilégio da comida. Não gosto do Natal, mas gosto de algumas iguarias a ele associadas - a começar pelo bolo-rei. E assim, todos os anos nos reunimos no almoço dia 25. Em 1977, eu e minha mulher e os filhos, com os meus pais estávamos à mesa, embora já tivéssemos almoçado.

Ainda fumava e estava a contas com uma cigarrilha, acompanhado pelo meu pai que só fumava em ocasiões especiais. A televisão estava acesa, mas com o som desligado, e ninguém lhe prestava atenção. Começaram a dar filmes e fotografias do Charlot e pensámos que era mais um programa natalício. Porém, estranhámos a frequente intervenção do locutor que, com ar grave, falava entre os pequenos filmes que estavam a emitir. Como todos, dos mais novos aos mais velhos, éramos seus admiradores, subi o som. Então percebemos – Charles Chaplin tinha morrido.