(Continuação)
Escrita que torna para Santa Cruz e as nossas tentativas de organizar Sindicatos camponeses. Anos volvidos, foi que entendi que era a política da Democracia Cristã Chilena, a de formar Sindicatos Rurais, para promulgar uma lei sobre Sindicatos Rurais. Mas, antes, os Sindicatos deviam existir, e era essa a nossa missão, soubermos ou não os que lá estávamos em trabalho de campo de verão, alfabetizar e organizar Sindicatos Campesinos . O título do livro, tomo I de José Bengoa, dá uma ideia do medo dos inquilinos a se encontrar e manifestar de dia em prol dos Sindicatos: em castelhano castiço Chileno: El Poder y la Subordinación, ou, em português: O poder e a subordinação. O poder era do patrão, sou testemunha da subordinação, manifestada não apenas em “tirar” o chapéu para cumprimentar, bem como em aceitar despejo, mandar ir embora sem prévio aviso aos trabalhadores do campo. É suficiente ler o livros de Isabel Allende, antes citado por mim, La casa de los espíritus, de 1982, para saber que o despojo do trabalho era prévio e sem aviso, como é narrado não apenas pelo meu sabido amigo Pepe-José Bengoa-, bem como pela romancista, que tem feito do romance da América Latina uma pesquisa antes da escrita aparecer.
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
domingo, 28 de novembro de 2010
Para Sempre, Tricinco ALLENDE E EU - autobiografia de Raúl Iturra - (12)
(Continuação)
Tanto, por 53 Bateman Street, a casa onde morávamos e que pertencia a minha Faculdade do Trinity Hall, onde criamos às nossas filhas, Paula e, mais tarde, Camila, essa filha que conheci no aeroporto de Gatwick. Foi gerada em Talca, num ataque de paixão entre a minha mulher e eu, nesses tempos conturbados do Chile, na época de Allende, quando o golpe de Estado, relatado já, estava a ser preparado e andámos todos por sítios diferentes para poder-nos sustentar. Nasceu comigo no exílio, no Hospital de Talca, a 6 de Janeiro de 1974. Soube a notícia no dia do meu aniversário, vários dias depois do alumbramento da nossa filha. Era difícil se comunicar com o Chile. Um telegrama foi enviado à Universidade de Essex e o meu antigo colaborador, nesses dias o meu hóspede, chegou com o seu alegre sorriso: “Raúl eres un chancletero”, palavra chilena castiça que significa ser capaz de engendrar apenas mulheres, o que se esperava era sempre um filho, para perpetuar o nome e a sucessão familiar.
Tanto, por 53 Bateman Street, a casa onde morávamos e que pertencia a minha Faculdade do Trinity Hall, onde criamos às nossas filhas, Paula e, mais tarde, Camila, essa filha que conheci no aeroporto de Gatwick. Foi gerada em Talca, num ataque de paixão entre a minha mulher e eu, nesses tempos conturbados do Chile, na época de Allende, quando o golpe de Estado, relatado já, estava a ser preparado e andámos todos por sítios diferentes para poder-nos sustentar. Nasceu comigo no exílio, no Hospital de Talca, a 6 de Janeiro de 1974. Soube a notícia no dia do meu aniversário, vários dias depois do alumbramento da nossa filha. Era difícil se comunicar com o Chile. Um telegrama foi enviado à Universidade de Essex e o meu antigo colaborador, nesses dias o meu hóspede, chegou com o seu alegre sorriso: “Raúl eres un chancletero”, palavra chilena castiça que significa ser capaz de engendrar apenas mulheres, o que se esperava era sempre um filho, para perpetuar o nome e a sucessão familiar.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Ser escritor
Raúl Iturra
Parece-me que as pessoas pensam que ser escritor é a alegria da vida. Sentar-se numa cadeira ora com caneta e papel, ora com máquina de escrever ou, ainda, com um computador. Pode ser escritor quem viva da sua obra literária, ou escrevedor, quem escreve mal, verbo que roubo ao meu amigo e colega da Universidade de Cambridge, Jorge ou Mario Vargas Llosa.
Era bom que fosse assim tão simples! As palavras não aparecem do imaginário do autor de uma obra literária ou científica. Nem das sua ideias, ou representações que se formam no espírito.
Parece-me que as pessoas pensam que ser escritor é a alegria da vida. Sentar-se numa cadeira ora com caneta e papel, ora com máquina de escrever ou, ainda, com um computador. Pode ser escritor quem viva da sua obra literária, ou escrevedor, quem escreve mal, verbo que roubo ao meu amigo e colega da Universidade de Cambridge, Jorge ou Mario Vargas Llosa.
Era bom que fosse assim tão simples! As palavras não aparecem do imaginário do autor de uma obra literária ou científica. Nem das sua ideias, ou representações que se formam no espírito.
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Parabéns, Isabel Allende!
Isabel Allende, a grande escritora chilena, nasceu em Lima, Peru, em 2 de Agosto de 1942. Isabel Allende, filha de diplomata (por isso não nasceu no seu país) e sobrinha do presidente chileno, Salvador Allende. trabalhou como jornalista em jornais, em revistas femininas e na televisão antes de começar a publicar seus livros. Foi colaboradora da FAO (Food and Agriculture Organization, órgão das Nações Unidas em Santiago.Estrou-se com o romance, "A Casa dos Espíritos" (de 1982, adaptado ao cinema em 1993),muito bem recebido pela crítica.
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