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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O crescimento das crianças

Raúl Iturra

 Capítulo 1.2º parte


A Saber.


Steven Stoer (1991 e 1998), Luiza Cortesão (1995 e 1988)), Luís Souta (1997), de entre os meus próximos na pesquisa, ficavam encantados com uma situação de objecto científico como esta. Encantados, porque é uma situação multicultural, á qual eu acrescentava, multitemporal. Porque a multicultura, não é apenas de uma etnia diferente. É também o tempo diferente, as gerações diferentes dentro do mesmo tempo, e, mais ainda, o saber diferente. Victoria, Pilar, Anabela, estão a retirar o seu saber para avaliar, das camadas de ideias que, um dia, ficaram todas coladas. Coladas pela sua sedimentação no tempo, pelo sincretismo que a população teve que organizar, para juntar normativas condutoras do comportamento, provenientes de outras épocas. Bem como, de outros Continentes. E de outras terras do mesmo Continente. E de outras experiências conjunturalmente mutáveis. E de outros costumes, credos e leis. Embora, sintetizadas de forma subsumida, á época actual. Subsumida á Historia, á sua interpretação, á cronologia que vou referir mais em frente, como tempo. Dentro de um conjunto heterogéneo de experiências comportamentais. Onde, como diriam Goody (1986) e Scribner & Cole(1981) e Gough(1981) e Locke (1690), a escrita abafou á oralidade. Uma oralidade que fez os mitos (Lévi-Strauss (1962b)), Maurice Godelier (1984), Sigmund Freud (1913)), lembrados apenas nos factos da troca reprodutiva, na orientação da afectividade, nos santos, e nas festas. De facto, para Victoria é normal que um homem tenha muitas mulheres. Um homem sem muitas mulheres, acaba por não ser do género masculino.

Monumento a Pedro de Valdívia em Santiago do Chile.               

O papel do homem é coordenar o trabalho reprodutivo, quer do conhecimento tecnológico, quer do trabalho das pessoas, quer ainda, do tempo. Os Picunche, mal se lembram de serem parte da etnia Mapuche. E ficam assim definidos. (José Bengoa, 1985; Sérgio Villalobos, 1974; Leonardo Castillo 1996) da terra denominada Chili pelos Quechua. Foram os Quechua, que disseram ao Conquistador Espanhol do Chile, Pedro de Valdivia (1542), de que ia á terra do frio, é dizer, do chili - embora muitas disputas existam sobre o facto (Francisco Frias Valenzuela, 1986; Jaime Eyzaguirre, 1963; José Bengoa 1985; Sérgio Villalobos 1974, Luís Silva Pereira 1998; Elias Lizana 1909, e o Historiador local oral de Pencahue, Luís Bravo). Os Picunche, abatidos pelos colonizadores a começos do Século XVI (Arquivos da Igreja de Pencahue), e reduzidos a sítios denominados Doutrinas: (Rauquen, Libun, Toconay, Tapihue, Carrizal), tiveram que se comportar como os seus invasores espanhóis e algum português prévio a Tordesilhas. Sitos na Cordilheira de Los Andes, a viverem em extensões entre o que hoje é o Chile e a Argentina, como vou analisar no capitulo 2 , viviam dos pastoreio das vicuñas, llamas e guanacos, e das lãs desses animais que os Inca ensinaram a cardar e tecer.