Aquest espai, dedicat a tots els amics d'Estrolabio i, de manera molt especial, als que segueixen el nostre bloc des de les terres de parla catalana. Aquí parlarem de cultura lusòfona i de cultura catalana, i de les qüestions i els problemes que ens afecten als uns i als altres.
Uma ponte de direcção dupla entre a Catalunha e Portugal
No passado dia 11 foi apresentada em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa, a revista "Capicua, uma ponte entre as letras Catalãs e portuguesas" (http://www.catalunyapresenta.org/index.php/activitats/capicua/), promovida pela Asociación Cultural CatalunyApresenta (www.catalunyapresenta.org), que fora apresentada antes em Valência, em 27 de Outubro e que colocou em distribuição o seu primeiro número.
Capicua define-se como uma revista de tradução literária. Neste primeiro número encontrareis os nomes de Mercè Rodoreda, de Maria-Antònia Oliver e de Xavi Sarrià, no campo da narrativa, juntamente com os de Jacinto Lucas Pires e Inês Pedrosa; na secção Dossier, o narrador catalão Jaume Cabré e o poeta lisboeta José Carlos Ary dos Santos; na rubrica de poesia, os nomes de Teresa Rita Lopes, Gastão Cruz e Pinto do Amaral ao lado de Vicent Andrés Estellés, Joan Margarit e Ponç Pons, e no espaço dedicado ao ensaio o catalão Gaziel e o português Agostinho da Silva.
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
David Mourão-Ferreira
Carlos Loures
Nestes dias que antecedem a “Maratona Poética” do Estrolabio, tenho dedicado a minha crónica diária à evocação de poetas desaparecidos. Não tenho procurado falar apenas sobre aqueles de que, esquecidos, é preciso preservar a memória – não tem sido esse o meu critério, tenho falado de poetas, de pessoas, que conheci e que já não são vivos. David Mourão-Ferreira é um escritor muito conhecido, muito falado, com muitos estudos e numerosas teses académicas sobre a sua obra. Não é um texto meu que irá contribuir para que não seja esquecido, risco, aliás, que não corre.
Não faria sentido vir glorificar os seus livros, a sua poesia. A qualidade dos seus poemas é um dado adquirido. Mas há um pormenor, que me leva a escrever sobre ele, a voltar uns anos atrás e ir ao encontro da recordação que dele conservo – a amizade. Sempre me tratou com amizade e eu era muito amigo dele. Não tecerei elogios à sua obra – deles não precisa - outros o fizeram e o farão melhor e com maior autoridade. Falarei um pouco da sua grande amabilidade e da generosidade que nele era uma segunda natureza.
Nestes dias que antecedem a “Maratona Poética” do Estrolabio, tenho dedicado a minha crónica diária à evocação de poetas desaparecidos. Não tenho procurado falar apenas sobre aqueles de que, esquecidos, é preciso preservar a memória – não tem sido esse o meu critério, tenho falado de poetas, de pessoas, que conheci e que já não são vivos. David Mourão-Ferreira é um escritor muito conhecido, muito falado, com muitos estudos e numerosas teses académicas sobre a sua obra. Não é um texto meu que irá contribuir para que não seja esquecido, risco, aliás, que não corre.
Não faria sentido vir glorificar os seus livros, a sua poesia. A qualidade dos seus poemas é um dado adquirido. Mas há um pormenor, que me leva a escrever sobre ele, a voltar uns anos atrás e ir ao encontro da recordação que dele conservo – a amizade. Sempre me tratou com amizade e eu era muito amigo dele. Não tecerei elogios à sua obra – deles não precisa - outros o fizeram e o farão melhor e com maior autoridade. Falarei um pouco da sua grande amabilidade e da generosidade que nele era uma segunda natureza.
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
Joam Roiz de Castel-Branco, um trovador do idioma galego-português, no Terreiro da Lusofonia
Desconhecem-se as datas precisas de nascimento e morte de Joam Roiz de Castel-Branco. Julga-se que terá vivido entre finais do século XV e as primeiras décadas do séc.XVI. Fidalgo da Casa Real de D.Manuel e, depois, da de D.João III, foi em 1515 nomeado contador da fazenda da Beira.
De acordo com o que hoje se sabe, a obra poética de João Roiz de Castell - Branco consiste em quatro composições incluídas no Cancioneiro Geral ,de Garcia de Resende. Duas são trovas com contornos epistolares: numa, dirigida a um amigo em Alcácer Ceguer, o autor traça um quadro dos prazeres da vida em Portugal, contrapondo-lhes riscos vários da vida militar no Norte de África; noutra, endereçada a um companheiro em Lisboa, faz o elogio do retiro rústico em terras beirãs, que opõe aos sobressaltos da vida do paço e às inglórias agruras das expedições ultramarinas. Este texto deve ser relacionado, com outros do Cancioneiro Geral, e com a tradição de louvor da aurea mediocritas imitação dos clássicos que seria com frequência cultivada pelos poetas do séc. XVI.
As outras duas peças são uma glosa a um vilancete castelhano e a cantiga “Senhora, partem tam tristes”, de grande beleza formal e que desenvolve um tema recorrente no Cancioneiro Geral: o da partida. Joam Roiz de Castel-Branco, um dos construtores do galego-português, está, de pleno direito, neste Terreiro.
Fernando Correia da Silva apresenta-nos uma brilhante biografia ficcionada deste trovador. _________________________________
Fernando Correia da Silva
Paço em Sintra onde D. João II
foi aclamado rei.
(PERTURBANDO O REPOUSO DO POETA)
- Ó Joam Roiz de Castel-Branco:
sei que viveste na segunda metade do século XV. Sei que foste aplaudido trovador na corte de D. Joam II, o Príncipe Perfeito, monarca impulsionador dos Descobrimentos Portugueses. Sei que ao abandonares o Paço foste viver na cidade da Guarda, onde te dedicaste à agricultura e à contabilidade. Sei que hoje repousas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Peço desculpa mas vou perturbar o teu repouso com a minha agitação dos séculos XX e XXI.
Reparo que estás acordando, já te espreguiças. Resmungas:
- Que quereis de mim, ó Mafoma?
De acordo com o que hoje se sabe, a obra poética de João Roiz de Castell - Branco consiste em quatro composições incluídas no Cancioneiro Geral ,de Garcia de Resende. Duas são trovas com contornos epistolares: numa, dirigida a um amigo em Alcácer Ceguer, o autor traça um quadro dos prazeres da vida em Portugal, contrapondo-lhes riscos vários da vida militar no Norte de África; noutra, endereçada a um companheiro em Lisboa, faz o elogio do retiro rústico em terras beirãs, que opõe aos sobressaltos da vida do paço e às inglórias agruras das expedições ultramarinas. Este texto deve ser relacionado, com outros do Cancioneiro Geral, e com a tradição de louvor da aurea mediocritas imitação dos clássicos que seria com frequência cultivada pelos poetas do séc. XVI.
As outras duas peças são uma glosa a um vilancete castelhano e a cantiga “Senhora, partem tam tristes”, de grande beleza formal e que desenvolve um tema recorrente no Cancioneiro Geral: o da partida. Joam Roiz de Castel-Branco, um dos construtores do galego-português, está, de pleno direito, neste Terreiro.
Fernando Correia da Silva apresenta-nos uma brilhante biografia ficcionada deste trovador. _________________________________
Fernando Correia da Silva
Paço em Sintra onde D. João II
foi aclamado rei.
(PERTURBANDO O REPOUSO DO POETA)
- Ó Joam Roiz de Castel-Branco:
sei que viveste na segunda metade do século XV. Sei que foste aplaudido trovador na corte de D. Joam II, o Príncipe Perfeito, monarca impulsionador dos Descobrimentos Portugueses. Sei que ao abandonares o Paço foste viver na cidade da Guarda, onde te dedicaste à agricultura e à contabilidade. Sei que hoje repousas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Peço desculpa mas vou perturbar o teu repouso com a minha agitação dos séculos XX e XXI.
Reparo que estás acordando, já te espreguiças. Resmungas:
- Que quereis de mim, ó Mafoma?
quinta-feira, 15 de julho de 2010
António Gedeão , com a ajuda de Katia Guerreiro, explica como nasceu o mundo onde se fala português. E pela voz de Mário Viegas fala de uma lacuna de Filipe II – não tinha um fecho éclair
António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho), nasceu em Lisboa em 1906. Em 1931 licenciou se em Ciências Físico Químicas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e em 1932 concluiu o curso de Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras do Porto. Dedicou-se ao, elaborando compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Em 1952, enveredou pela divulgação científica com a colecção "Ciência Para Gente Nova" e "Física para o Povo", entre outros. Só em 1956 explode a sua faceta poética.
Obras principais: Movimento Perpétuo (1956); Teatro do Mundo (1958); Máquina de Fogo (1961); Poema para Galileu (1964); Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Alguns dos seus textos poéticos foram musicados, nomeadamente por Manuel Freire e José Niza.
Ouvimos Katia Guerreiro, com música de Paulo Valentim, cantando uma versão nova do Poema da Malta das Naus, de António Gedeão. Escutemos agora Poema Para Galileo, de António Gedeão, in Operário em Construção, dito pela inconfundível voz de Mário Viegas.
Poema do Fecho éclair
Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras
rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.
Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.
Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.
Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.
Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.
Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.
Obras principais: Movimento Perpétuo (1956); Teatro do Mundo (1958); Máquina de Fogo (1961); Poema para Galileu (1964); Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Alguns dos seus textos poéticos foram musicados, nomeadamente por Manuel Freire e José Niza.
Ouvimos Katia Guerreiro, com música de Paulo Valentim, cantando uma versão nova do Poema da Malta das Naus, de António Gedeão. Escutemos agora Poema Para Galileo, de António Gedeão, in Operário em Construção, dito pela inconfundível voz de Mário Viegas.
Poema do Fecho éclair
Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras
rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.
Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.
Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.
Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.
Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.
Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Matilde Rosa Araújo
Clara Castilho
Foi através deste poema que entrei na primeira fase das minhas relações com a Matilde – a forma como os escritores se dão primeiro a conhecer – pela publicação dos pensamentos/emoções que querem partilhar com os outros. Esta foi a poesia escolhida de “O livro da Tila” para eu dizer, andava ainda na primária, num palco de uma vila (Belas), junto do adro da igreja, na festa anual. Vestidinho branco, como mandava o figurino da época, fitinha no cabelo…
A segunda fase foi a de a ver em minha casa, já amiga de minha mãe, companheiras de acções conjuntas na Ludus (década de 70, para lembrar o direito de brincar, facilitar o acesso ao livro, os primeiros passos da ludoteca/biblioteca).
Numa terceira fase, a partir de 1990, começámos a ser parceiras de iniciativas no Instituto de Apoio à Criança. E a minha foto a declamar o seu poema serviu de tema de paródia.
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