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terça-feira, 20 de julho de 2010

Duas canções urbanas - o fado e o tango


Nesta bela gravura de Rugendas(1802-1858), o pintor alemão que durante três anos viajou pelo Brasil, recolhendo preciosos testemunhos dos costumes populares. Nesta imagem, vemos escravos dançando o lundum.


Que em dois continentes separados por um oceano, tenham nascido duas canções urbanas com sonoridades idênticas, eivadas de fatalismo, não será estranha coincidência. O fado e o tango surgiram em cidades portuárias, onde se chega e parte – “Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!”, afirma-nos Álvaro de Campos. Jorge Luis Borges, num texto publicado há anos atrás no “Diário de Notícias”, estabelecia curiosos paralelismos entre ambos, dizendo salvo erro que o fado fazia parte da genealogia do tango. Não consegui encontrar esse texto, ao qual, aliás, ainda me voltarei a referir, pois foi de uma importância capital numa outra história.

Quanto às origens do fado, apenas vou lembrar o que se diz. Há a tese mais vulgarizada de que, quando a Corte de D.João VI regressou, trouxe consigo uma dança em voga no Rio de Janeiro a que se chamava «Fado», inspirada no lundum, e que podia ser acompanhada por canto. Na realidade, os primeiros registos escritos sobre o tema começaram a surgir no século XIX, mais na segunda metade. Mas foi uma inovação que depressa se converteu em tradição.