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terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Colónia de Sacramento



Carlos Loures

A Colónia de Sacramento, foi uma povoação fundada pelos portugueses em 1680 na margem esquerda do rio da Prata, em território onde actualmente se situa a cidade de Montevideu, capital do Uruguai. Como é que os portugueses foram criar um entreposto já em território da coroa espanhola?

Quando D. Manuel Lobo assumiu o posto de governador do Rio de Janeiro, em 1679, recebera em Lisboa ordens do rei D. Pedro II para ir até ao rio da Prata e aí fundar uma colónia fortificada que servisse de apoio logístico ao comércio com as províncias colonizadas pelos castelhanos. O rei correspondia a pedidos da Câmara Municipal do Rio e, certamente, aos interesses dos comerciantes locais, interessados em expandir os seus negócios.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Tango - a paixão dos corpos!

Luís Moreira



Nasceu com um pé em Buenos Aires e outro em Montevideu, entre os “porteros” os homens das docas que arrimavam vindos do outro lado do Atlântico. Com o rio de La Plata a separá-los nasceu entre os que tinham deixado a terra natal e encontraram terras imensas mas não a sorte. Terras onde havia uma mulher para catorze homens, o Tango começou por ser dançado entre dois homens.

Cada um apresenta-se ao seu “adversário” à vez ( como o nosso fandango) e depois os corpos encontram-se e elevam-se numa onda de paixão, sublimando o corpo “único” que através da dança se funde e complementa.
Nasceu e cresceu entre os mais miseráveis e dado ao abandono por quem, vindo da mesma origem, não aceitava o “aculturamento” misturando-se com gente ida de Portugal,Espanha, França, Alemanha, Holanda…de tal forma que numa parte da cidade moravam os “terratenentes” que a todo o custo defendiam a “sua” cultura e, no outro lado da avenida, a principal, dita da Glória, viviam os pobres, os que inventaram o “acordeão” e o “bandolim” porque não podiam transportar o orgão da Igreja natal.
De tal sorte que os filhos dos “terratenentes” eram enviados de volta à Europa para estudarem e assim defenderem-se do “aculturamente” , falando Francês entre si e mesmo latim para manterem as distâncias.

Mas a “cultura” fez (como faz sempre) o seu caminho, o Tango começou a penetrar nas camadas mais altas da sociedade e a tornar-se no hino de todo um país, transbordou para a todo o mundo, e hoje é ouvido e dançado nas selectas colectividades e nas associações de bairro, com grupos de pessoas a frequentarem aulas de Tango, com os passos lengosos e melados a serem rabiscados entre o par, não vá acontecer-lhes, como me aconteceu a mim, que numa noite em Buenos Aires, dando crédito ao meu talento de dançarino me atrevi a dançar um tango “à portuguesa”.

Entre os que consideravam que estava a gozar e os que achavam piada, salvou-me a voz do apresentador que me gritou : ” português, fantástico! Agora necessitas de aprender!”

PS: resumo da exposição de ontem na tertúlia que frequento, de um Argentino há muito vivendo em Portugal.

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