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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

As Mulheres Que Não Existem

Augusta Clara de Matos


Em Ciudad Juárez, no norte do México, perto da fronteira com os EUA, há mulheres que são mortas e vão para o lixo como os cães e os gatos atropelados.

O escritor chileno Roberto Bolaño, no seu monumental “2666”, reservou 300 das páginas do livro só para fazer um relato pormenorizado das mortes e desaparecimentos de muitas dessas mulheres. E descreveu coisas abomináveis.

Mas não é para falar do livro de Bolaño que escrevo. Refiro-o para elogiar um autor que teve a lucidez e a generosidade de abdicar dum tão grande espaço da sua obra para denunciar factos a que o resto do mundo não dá a menor importância.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Adão no Paraíso

Carlos Loures

Carlos Fuentes é um escritor mexicano que, ou me engano muito, ou se arrisca a ganhar um dos próximos prémios Nobel da Literatura. Aliás, os critérios da Academia de Estocolmo, são inescrutáveis. Não se compreende como é que o argentino Ernesto Sábato, o peruano Mario Vargas Llosa, o mexicano Carlos Fuentes não obtiveram ainda o galardão. E falo só de alguns dos que, felizmente, estão vivos. Jorge Amado foi um caso de evidente injustiça, se de justiça se pode falar ao evocar o Nobel. Naturalmente que falo apenas no plano literário, como se não soubesse que outros factores entram na ponderação dos académicos suecos. Adiante. Hoje é para falar do grande escritor mexicano Carlos Fuentes.

Uma muito breve resenha biográfica – nasceu no Panamá, filho de um casal de diplomatas, 1928. Estudou na Suíça e nos Estados Unidos. A itinerância profissional dos pais, obrigou-a a viver em diversos países – Equador, Uruguai, Brasil, Estados Unidos, Chile, Argentina… Voltou ao México onde permaneceu até 1965. Licenciado em Direito, tem desempenhado diversos cargos oficiais, sendo, entre 1972 e 1976, o embaixador do México em França.

É uma figura nuclear da moderna novelística em língua castelhana. Lembro apenas as suas obras mais importantes: A morte de Artemio Cruz (1962), Agua quemada (1981), O Velho Gringo (1985). Agora, editado pela Alfaguara, acaba de lançar Adán en Edén »Uma comédia em que o humor foi substituído pelo horror», para usar a definição do autor numa entrevista concedida ao El País. Horror que é o do México minado e dominado pelo narcotráfico.