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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010





Os poetas. ladrões de fogo ou artífices do verbo?

Carlos Loures

Definir a natureza da arte poética, é, como poderemos ver no apreciável painel que vamos expor na nossa “maratona poética”, uma discussão tão antiga quanto a civilização. Platão, Aristóteles, Horácio, Boileau, milhares de filósofos e de poetas discorreram sabiamente sobre este tema. Teremos oportunidade de, nas 24 horas do dia 8 de Setembro, ler 72 textos – poemas, textos poéticos, citações… Uma ampla panorâmica sobre esse tema tão discutido ao longo dos séculos.

“Ladrões de fogo” foi uma designação que usei num texto que publiquei na revista “Pirâmide” , da qual já aqui tenho falado. Nesse texto comparo os poetas a Prometeu. O poeta é um ladrão de fogo, um mago. Pelo poder da palavra cria a beleza para a ofertar aos homens. A comparação faz sentido, é sugestiva, mas talvez haja outra, menos bela, mas não menos verdadeira. Vejamos.

O poeta produz esta magia usando palavras comuns e não palavras mágicas. Esta capacidade de, com palavras usadas no dia a dia, construir um poema, pode conduzir-nos à tal conclusão, complementar da primeira – além de mago, o poeta é um artífice.

A comparação com Prometeu trazendo o fogo do Olimpo para a terra ou, como também já li algures, com Orfeu enfeitiçando a natureza, homens, animais e plantas, com o seu canto melodioso, é muito bonita. Mas equipará-lo a um trabalhador leva-nos a uma imagem , menos “poética” no sentido convencional, mas mais integradora da arte poética no quotidiano.: -o poeta é um artífice. A expressão «artes e ofícios» tem aqui pleno cabimento - o poeta é, portanto, um homem comum, um artista como um sapateiro ou um alfaiate o são. Em vez de cabedal ou de tecido, usa palavras, sentimentos e conceitos como matéria prima. Ofício: poeta. Daria lugar a conversas como esta: - "Ah, sim o Jorge. Olha, foi colocado como poeta na Covilhã".

domingo, 26 de setembro de 2010

Terreiro da Lusofonia: Joam Roiz de Castel-Branco, um trovador do idioma galego-português

Desconhecem-se as datas precisas de nascimento e morte de Joam Roiz de Castel-Branco. Julga-se que terá vivido entre finais do século XV e as primeiras décadas do séc.XVI. Fidalgo da Casa Real de D.Manuel e, depois, da de D.João III, foi em 1515 nomeado contador da fazenda da Beira.

De acordo com o que hoje se sabe, a obra poética de João Roiz de Castell - Branco consiste em quatro composições incluídas no Cancioneiro Geral ,de Garcia de Resende. Duas são trovas com contornos epistolares: numa, dirigida a um amigo em Alcácer Ceguer, o autor traça um quadro dos prazeres da vida em Portugal, contrapondo-lhes riscos vários da vida militar no Norte de África; noutra, endereçada a um companheiro em Lisboa, faz o elogio do retiro rústico em terras beirãs, que opõe aos sobressaltos da vida do paço e às inglórias agruras das expedições ultramarinas. Este texto deve ser relacionado, com outros do Cancioneiro Geral, e com a tradição de louvor da aurea mediocritas imitação dos clássicos que seria com frequência cultivada pelos poetas do séc. XVI.

As outras duas peças são uma glosa a um vilancete castelhano e a cantiga “Senhora, partem tam tristes”, de grande beleza formal e que desenvolve um tema recorrente no Cancioneiro Geral: o da partida. Joam Roiz de Castel-Branco, um dos construtores do galego-português, está, de pleno direito, neste Terreiro.

Fernando Correia da Silva apresenta-nos uma brilhante biografia ficcionada deste trovador. _________________________________
Fernando Correia da Silva

Paço em Sintra onde D. João II

foi aclamado rei.

(PERTURBANDO O REPOUSO DO POETA)


- Ó Joam Roiz de Castel-Branco:

sei que viveste na segunda metade do século XV. Sei que foste aplaudido trovador na corte de D. Joam II, o Príncipe Perfeito, monarca impulsionador dos Descobrimentos Portugueses. Sei que ao abandonares o Paço foste viver na cidade da Guarda, onde te dedicaste à agricultura e à contabilidade. Sei que hoje repousas no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. Peço desculpa mas vou perturbar o teu repouso com a minha agitação dos séculos XX e XXI.

Reparo que estás acordando, já te espreguiças. Resmungas:

- Que quereis de mim, ó Mafoma?

domingo, 15 de agosto de 2010

Iraque - não ouvem a voz do poeta!




Luís Moreira

Hamed al-Maliki é um dramaturgo e poeta Iraquiano que vive na Iraque. Os sublinhados são meus:

Iraque

O Iraque é uma enorme tragédia sem fim.Sou um pessimista, a diferença é que agora sou um pessimista ameaçado de morte.Os americanos abriram as fronteiras aos terroristas para que viessem para aqui e não chegassem à américa.Tantas vezes fui ameaçado e tantos amigos mortos, muitos fugiram.Não vale a pena ficar.Falhámos, só nos resta fugir.

Judeus

Tenho um projecto sobre os Judeus que já não existem no Iraque, que foram forçados a abandonar o Iraque em 1949.Foram privados de nacionalidade e levaram com eles a sua riqueza. Podem matar-me por isto!

O lenço

Tenho outro projecto sobre a polémica do uso do lenço, através de famílias iraquianas que nos últimos anos encontraram refúgio em países europeus.Os Belgas e os Franceses têm todo o direito de proibir o lenço, se não gostam da cultura desses países ocidentais, porque é que lá querem viver? A fobia muçulmana, (porque a extremismos responde-se com estremismos) não tenho visto para entrar em Itália, eu um liberal, mas Londres dá asilo a extremistas e não dá vistos a homens de cultura.Os que fizeram explodir os comboios em Espanha e o metro em Londres descendiam de famílias extremistas, mas a Europa não deu visto a um artista como eu.Esta vai ser a cena final, uma Europa sem nenhum muçulmano.

Americanos e Ingleses

Tinhamos um Saddam antes de 2003, agora temos 100, toda a gente quer ser califa, profeta.Uns já se vêm outros ainda não.Se os americanos saírem, então,vamos ver milhares de Saddam.Eu tinha medo mas sabia onde estava a linha vermelha, agora não sei, há milhares de linhas vermelhas.
Faltam heróis aos árabes, como sempre faltaram, sobram líderes religiosos e sectários e príncipes de guerra. E faltam causas, é por isso que nos matamos uns aos outros.O Iraque nunca foi um país, os Ingleses confundiam as alianças tribais com um sentido de nação.Vamos mergulhar numa guerra civil sectária em toda a região,Sunitas contra xiitas, extremistas contra extremistas, muçulmanos contra muçulmanos, nunca haverá paz com diferentes grupos étnicos, já aprendemos isso com a segunda guerra mundial.

Conclusão

Vamo-nos matar todos uns aos outros, estamos num processo de assassínio em curso, talvez depois a voz do poeta se faça ouvir!

Oferta

A todos aqueles que, sistematicamente, atribuem todos os erros e todos os pecados à Europa, à sua própria terra onde crescerão os seus filhos e netos!