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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Suícidios na France Telecom

Luis Moreira

Desde o início do ano, 23 colaboradores da France Télécom decidiram pôr fim à própria vida.As mortes ocorreram em diferentes regiões, entre trabalhadores com funções diferentes e sem que, aparentemente, tenham relação entre si.

Afectada por uma grande onda de suicídios, o que lhe valeu críticas até do governo francês, a France Télécom comprometeu-se a substituir a direcção geral.

A mudança resultou na chegada ao grupo de Stéphane Richard, que anunciou um plano para melhorar as condições laborais dos trabalhadores.

No entanto, os sindicatos entendem que as alterações realizadas pelo novo director não foram suficientes e denunciaram, em particular, que o anterior diretor, Didier Lombard, se mantém na presidência do grupo.

Os representantes dos trabalhadores consideraram que os suicídios estão ligados às condições laborais do grupo e sobretudo à obrigatoriedade de mudar de local de trabalho ou de região a que os trabalhadores estavam submetidos, no âmbito de uma reestruturação impulsionada por Lombard.

Eu creio que a mudança de local de trabalho possa ser uma chatice, ou até uma preocupação, ou mesmo um drama, mas não creio que seja um drama tão grande que a única saída seja o suicídio. Será para pessoas em crise existencial, conjugal, familiar ou padecendo de doenças que fragilizam a pessoa, mas não creio que uma pessoa normal, gostando do que faz e gostando da sua vida em pleno, reaja desta forma última, a uma simples mudança de local de trabalho.

A ser assim, normal, até onde irá um trabalhador que caia no desemprego? ou um desempregado de longa duração? e se lhe juntarmos o facto de ter pessoas a seu cargo? Há pessoas que acham normal aos trinta e tal anos terem um emprego para toda a vida, nunca mais sairem da sua terra natal, progredirem na carreira, uma vida sem sobressaltos e sem dúvidas. Temos que lhes dizer que não há, não é essa a vida que o futuro lhes reserva.

A dimensão de ambições pouco sensatas e não alcançadas são capazes de explicar melhor aqueles actos últimos. Na verdade, desde os objectivos cada vez mais ambiciosos das empresas,no que se refere à produtividade, aos objectivos e metas impostos aos trabalhadores, as remunerações cada vez maiores para o capital investido, o acenar com vencimentos elevados e mordomias, são uma máquina "trituradora" que afunda os mais fracos.

As árvores tambem crescem mas não chegam ao céu...

PS: a partir de uma notícia enviada pela Ethel.