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terça-feira, 31 de agosto de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 131 e 132 (José Brandão)

Paixão e
Morte de Sidónio
Visconde do Porto da Cruz

Funchal, 1928

O Outono descia rápido, anunciando que se avizinhava um inverno rigoroso…
Sintra estava adorável e eu gozava aquelas ferias inesperadas, após tantos meses agitados com boatos e prevenções…
Quando reabririam as aulas na Escola de Guerra? Que importava? Abrissem quando abrissem era sempre a tempo. E no entanto ia-se gozando aqueles dias de doce tranquilidade. Mas de súbito o boato de novas tentativas do Partido Democrático vem quebrar aquele paradisíaco sossego…
De facto não tardou que rebentasse uma forte agitação revolucionaria no Barreiro, que o Porto, Coimbra e Lisboa tentaram secundar… Procurei os Camaradas que tinham, como eu, ido para Sintra e concertámos na forma de mais rápida e eficazmente chegar a Lisboa…

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Para a História da Maçonaria em Portugal
1913-1935

António Carlos Carvalho

Vega, 1976

Várias razões nos levaram a escrever este livro: um interesse muito grande, desde sempre, por estes assuntos: a noção de que está tudo, ou quase tudo, por dizer e esclarecer; a consciência de que a Maçonaria só tem sido apresentada parcialmente aos profanos; a verificação de que era importante continuar a obra de Borges Grainha, «História da Franco Maçonaria em Portugal» que se detém no ano de 1922, e incidir no período 1913 1935, ou seja, até à proibição das actividades das sociedades secretas, decretada pelo Governo de Salazar.
De 1935 até Abril de 1974, pouco se sabe acerca da acção da Maçonaria, a não ser que a Ordem nunca deixou de existir, apesar da forte repressão policial. Esse facto foi, aliás, confirmado recentemente pela própria Maçonaria, ao reclamar publicamente a propriedade do prédio da Travessa do Guarda-mor, em Lisboa, onde existia o Grémio Lusitano.

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

As sociedades secretas e a revolução - por António Ventura*

Com a devida vénia, transcrevemos do jornal Público d o passado dia 18 d Agosto, este artigo do Professor António Ventura



Confundir o papel da Maçonaria e da Carbonária no período que levou à implantação da República é um erro comum, mas grosseiro. Eram em tudo distintas, embora lutassem as duas pelo fim da Monarquia. Quando o regime caiu, os seus destinos também foram bem diferentes.
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É habitual, quando se fala da proclamação da República, em 1910, relacionar o evento com a acção determinante das sociedades secretas - a Maçonaria e a Carbonária -, o que frequentemente gera confusões, equívocos e erros grosseiros. Estamos perante duas organizações distintas, a todos a níveis, desde as origens, contextos fundacionais, referências, composição social e objectivos. Enquanto a Carbonária era de facto uma organização secreta, agindo no maior sigilo, nada transparecendo para o exterior, a Maçonaria dificilmente podia ser classificada como tal, uma vez que eram conhecidos os nomes dos seus dirigentes e publicava boletins e anuários com informações sobre muitos responsáveis a nível nacional e local.

A Maçonaria surgiu no início do século XVIII em Inglaterra. Esta é a realidade histórica, não obstante as referências lendárias que lhe foram associadas. Nascida num contexto inglês, numa sociedade que sofreu dezenas de anos de guerras religiosas e políticas, era um espaço privilegiado de reflexão, um ponto de encontro e de diálogo entre homens com ideias políticas e religiosas díspares. Daí a interdição de discussões de carácter político ou religioso fracturantes. Era naturalmente elitista - bastava a obrigatoriedade de saber ler e escrever para lhe limitar drasticamente o acesso.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

República nos livros de ontem nos livros de hoje - 62 (José Brandão)

História da Franco - Maçonaria em Portugal

M. Borges Grainha

Vega, 1976

Esta palavra «Maçonaria» ainda hoje suscita em cada um de nós, profanos, sentimentos diversos, por vestes contraditórios, mas no fundo um pouco misturados: estranheza, receio, narrar, repulsa e fascinação. Estranheza pelo seu carácter ritual; receio do seu aspecto «oculto»; horror e repulsa pelos malefícios que lhe são atribuídos pela «sabedoria das nações», e fascinação por tudo o que é estranho, «oculto» e «secreto»...

É que a nossa memória de profanos da segunda metade do século XX pouco difere da memória dos profanos dos séculos XVIII e XIX. Numa e noutra acumulam-se imagens fantásticas de misteriosos e sangrentos rituais mais ou menos «pagãos» e em que não falta, em muitos casos, o tiro desfechado sobre o crucifixo...

Mas a realidade da Maçonaria, ontem como hoje, é muito mais simples do que aquilo que alguns ainda dizem e outros piamente acreditam.