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sábado, 3 de julho de 2010

Os semitas deserdados e as «pátrias ancestrais»


Carlos Loures

Já aqui falei algumas vezes do Estado de Israel e daquilo que penso sobre a legitimidade das pretensões judaicas sobre o território da Palestina. Mas, já agora, volto a dizer – acho que foi uma ignomínia. Com base no que diz um livro e por mais que digam, o Antigo Testamento (ou a Torah), não passa de um livro, os palestinianos foram desapossados das terras, enxotados, como se de um rebanho se tratasse, para campos de refugiados, obrigados a viver como pedintes em terra alheia.

Uma vergonha, uma prepotência da diplomacia britânica que, até ao primeiro quarto do século XX, entendia poder intervir em qualquer parte do mundo, sob qualquer pretexto ou mesmo sem pretexto. Apenas porque sim, porque lhe convinha. Papel hoje competentemente desempenhado pelos Estados Unidos. Naturalmente que os judeus construíram o seu estado, hoje habitado por quase oito milhões de seres humanos e seria outra ignomínia «riscá-lo do mapa», como pretendem os extremistas da causa islâmica. Um erro não se emenda com outro erro. E seria o caso.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Resposta de Carlos Loures a Carlos Leça da Veiga

Carlos Leça da Veiga, meu caro amigo:

Parece-me que chegámos àquela encruzilhada em que as nossas respectivas utopias se bifurcam e seguem caminhos diferentes. Vai para 40 anos que nos conhecemos e esta situação ocorre sempre que divergimos (e, pelo menos quando saímos do plano prático, divergimos quase sempre).

Não sei se leste uma carta que, a propósito desta nossa «polémica», o Josep Anton Vidal me endereçou. Ele fazia observações, quanto a mim, muito ponderadas, judiciosas e inteligentes, para mais vindas de um catalão independentista. Destaco esta parte em que, após ter dito que gostaria de ter visto o debate afastar-se dos referenciais históricos, trazer o olhar até ao presente e abri-lo ao futuro, continua: Creo que con demasiada frecuencia las construcciones mentales sobre el pasado, que aportan tanta profundidad a nuestra conciencia como personas y como ciudadanos, están, por otro lado, tan contaminadas de los vicios y defectos del pasado que, en lugar de ser una lente para contemplar el presente y un trampolín para acometer el futuro, se convierten en una losa o una muralla que nos impide ir más allá. Es como si la historia no sólo nos hubiera legado una realidad de facto, con sus cicatrices y con sus heridas aún abiertas, sino también la mentalidad, el punto de vista, el edificio mental que generó esa realidad. Y nos olvidamos de que nuestro tiempo es distinto, que contamos con un edificio mental y de valores con el que no contaban nuestros antepasados. La democracia es una palabra antigua, pero es apenas una noción incipiente, que aún no ha conseguido liberarse, entre nosotros y tal vez tampoco más allá de nosotros, de la carga asfixiante de valores, criterios y argumentos heredada del pasado.

Na minha opinião, a dificuldade em estarmos de acordo tem origem nas lentes com que cada um de nós analisa as situações – tu usas a História como guia, na convicção de que ela se repete e de que é possível utilizá-la na decifração do que nos acontece e na perscrutação daquilo que nos vai acontecer. Conheces a minha metáfora para caracterizar esse método – usar a História como guia, é o mesmo que guiar um carro olhando para o retrovisor.