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domingo, 12 de dezembro de 2010

Em Olivença - Antiguidades de Portugal - Que mais fazer?




A propósito da realização deste mercado semanal, perguntámos ao nosso amigo e colaborador António Marques se, na sua opinião, os oliventinos apenas podem esperar de Portugal antiguidades e recordações. Respondeu assim:
 Uma ou duas notas sobre o que que se passa emn Olivença. Ou «no pasa nada»?

Há por lá gente (portuguesa? talvez; mas perdida, abandonada por Portugal e pela opinião pública portuguesa, que nada vislumbra e nada procura, tudo esqueceu), há por lá gente que não deixa de mirar o pôr-do-sol, de buscar o Mar Ocidental, de fitar o horizonte português...

E vão organizando feiras, seja de «velharias portuguesas», seja ou de «artesanato e antiguidades».

Que, quem caminha por estas vias tão modestas e cautelosas, senão equívocas, em defesa da cultura portuguesa (ou da lembrança dela) em Olivença, saberá que o caminho é estreito e, na perspectiva de auto-regeneração cultural, talvez intransitável, porventura já irrecuperável...

De maneira que, não havendo de Portugal e suas autoridades qualquer iniciativa para reconstruir a memória e a comunhão, não havendo dos portugueses deste lado do Guadiana qualquer sinal, qualquer aceno, aos de Olivença só lhes resta assumirem eles a tarefa de tentarem restaurar esse caminho antigo, tateando, procurando, evitando obstáculos, em pequenos passos.

Consegui-lo-ão? E deste lado, da nossa parte, que fazemos? Que podemos fazer?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Manifesto galego defende a restituição de Olivença a Portugal

Recuperamos este documento publicado pelo Grupo dos Amigos de Olivença, pois nele se reúnem duas causas que nos são caras - a questão de Olivença e a da língua e cultura galego-portuguesa:

Os problemas ibéricos são três, no que respeita a problemas internos: A remodelação do estado espanhol, reavendo-se Gibraltar. A integração do estado português, pela reintegração de Albuquerque e Olivença, e a anexação da Galiza. A Aliança Ibérica, como defesa do comum solo espiritual, invadido culturalmente pela França, e dividido territorialmente pela política da Inglaterra.»

Do mesmo modo que do lado de cá do Rio Minho vai despertando a consciência nacional sobre o problema fronteiriço de Olivença, também do lado de lá se vão ouvindo algumas vozes em defesa dos direitos portugueses sobre os 750 Km² que a Espanha mantém ilegalmente ocupados.



As duas margens do território Galaico-Português, acidentalmente separadas pela história, pelo menos até ao momento, começam a estar irmanadas num ideal comum - a reincorporação de Olivença nas fronteiras do Estado Português, a que se junta um outro ideal desejado por um crescente número de galegos: a reintegração da Galiza num Estado Lusófono, processo ansiado, por uns, numa perspectiva essencialmente cultural e linguística e idealizado, por outros, na plenitude da sua dimensão política e territorial.


 É claro, o apoio expresso pelos nacionalistas galegos à restituição de Olivença a Portugal. Do «Manifesto Nacionalista Galaico-Português», datado de 2005, transcrevemos do artigo 3º:


«Não somos contra a Espanha ou contra Castela, embora seja a elas que reivindicamos a nossa identidade e o respeito que lhe devem, incluindo, sendo caso disso, a devolução de Olivença, conforme estipulam os convénios internacionais. De resto, achamos necessário que as nações da Península, dentro do respeito mútuo, superem velhas desconfianças e visem antes a ideia de um maior conhecimento e de uma colaboração interpeninsular.»

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Continuo a querer mudar o mundo



Chamo-me Carlos Eduardo da Cruz Luna e nasci em 16 de Março de 1956. Sou Professor de História no Ensino Secundário, há mais de trinta anos e quase sempre em Estremoz. Sou licenciado em História. A minha família é de Estremoz, e só acidentalmente nasci em Lisboa. Sempre fui um entusiasta de grandes causas... grandes... pelo menos na minha perspectiva. Sou um pouco sonhador, mas sigo o princípio do Poeta Aleixo: "Que importa perder a vida / na luta contra a traição,/ se a razão, mesmo vencida,/não deixa de ser razão". Sou casado e sem razões de queixa, tenho dois filhos (uma e um).

Em 1970, tinha eu 14 anos, quando comecei a duvidar do regime em que se vivia em Portugal. Contribuí com alguma actividade anti-salazarista/marcelista para incomodar o "regime". Corri alguns riscos de prisão, claro. O 25 de Abril apanhou-me com 18 anos e uma vontade imensa de mudar o Mundo. Militei no M.E.S.. licenciei-me História, leccionando já. Continuo a querer mudar o Mundo, e tenho uma perspectiva de esquerda sobre a maioria dos problemas do mesmo Mundo.

Tenho escrito sobre muitas coisas, normalmente batendo-me por causas que considero justas, desde a liberdade para a Birmânia até aos Direitos do Povo Curdo ou a independência do Sara Ocidental, desde a ecologia até ao desenvolvimento sustentado de Portugal... e que não seja feito contra ninguém. Não gosto do pessimismo em que vivemos, não porque ele por vezes não tenha razão para existir, mas porque acredito que só NÓS, Portugueses, nos podemos mudar a nós próprios. Daí que, embora goste da Literatura de Saramago, considero um disparate as suas idéias sobre a integração de Portugal em Espanha ( ou em qualquer outro País ), embora não seja contra a ideia de a Humanidade se federar TODA e de até surgirem uniões de Países, equilibradas, de que Portugal poderá fazer parte.

Escrevi um livro ("Nos Caminhos de Olivença"), em que, para além da documentação que habitualmente acompanha livros sobre este tema, juntei uma descrição completa (com fotografias) da Região, que percorri, aldeia a aldeia, "monte"(herdade) a "monte". Só consegui fazer edições pequenas, "de autor". Sou regionalista alentejano. Vou quase semanalmente a Olivença, onde tenho muitos amigos ( e alguns não-amigos). Procuro continuar a estudar a região, e apoiar iniciativas visando a recuperação das antigas História e Língua.

Escrevo sobre tudo e mais alguma coisa. Domino bem o inglês, o francês, o castelhano (com limitações), o alemão (com muitas limitações), o italiano (ainda com mais limitações). Percebo algo de catalão. Mas... o que domino melhor é o português, em especial a variante alentejana. Enfim, vou muito a congressos e colóquios, como interveniente. Até faço poesia, (às vezes). Adoro animais...

Assim de repente, eis o que vos posso dizer sobre a minha pessoa.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Com Olivença na lembrança

Carlos Luna

MOTE

Com Olivença na lembrança
Sinto eu que é preciso
Uma história de esperança
Contar com muito siso

I
Nesta Terra Alentejana
Há uma parte separada,
Uma urbe abandonada
Para além do Guadiana.
Nunca foi Castelhana,
Só queria segurança
E ter boa vizinhança.
É um caso de conflito
Pois este poema é dito
COM OLIVENÇA NA LEMBRANÇA.

II
Todos se lembram dela
E está no nosso coração.
Recorda-se com indignação
Embora tendo cautela,
Por isso digo a Castela
Nesta fala de improviso,
Nem que seja como aviso,
Pois a Espanha é finória,
Que lembrar a sua História
SINTO EU QUE É PRECISO!

III
É preciso não esquecer
Que Olivença, Terra Lusa
Por Espanha está reclusa,
Para Portugal a perder;
Ora está bem de ver,
Para haver confiança
Sem desejo de vingança,
Algo se tem que mudar.
Só assim se vai tornar
UMA HISTÓRIA DE ESPERANÇA...

IV
Espanha forte e orgulhosa
Na cidade das oliveiras
Não tem mostrado maneiras
E mantém, desdenhosa,
Uma situação mentirosa!
Permita, sem fazer juízo
Cada um ser conciso,
Sem esconder a verdade
O que se passou na cidade
CONTAR COM MUITO SISO!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A questão de Olivença - Uma questão incómoda

Vamos apresentar uma série de depoimentos sobre a aquestão de Olivença. O texto do Grupo dos Amigos de Olivença que acompanha o vídeo, diz:

«Olivença é uma questão incómoda. Incómoda para o poder instituído, incómoda para os grupos económicos que têm actividades comerciais com Espanha, incómoda para alguns jornalistas esquecidos dos seus deveres deontológicos, incómoda para toda uma sociedade que já vê como longínquas a ideia e prática da honra.

Apesar do silêncio político e mediático a que muitos a têm submetido, apesar do aparente alheamento que as autoridades nacionais lhe concedem, a «Questão de Olivença» apresenta-se cada vez mais como actual e como um escolho irredutível nas relações Luso-Espanholas.

Foi nessa base que o historiador Prof. António Ventura, e Gonçalo Feio, Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença, abordaram o tema no programa da RTP Pontos nos Is.»

domingo, 29 de agosto de 2010

À atenção do Governo português

«Portugal e Espanha deviam discutir Olivença», afirmou o diplomata Máximo Cajal, militante do PSOE e embaixador de Espanha em França, nomeado por José Luis Zapatero. Para Máximo Cajal, é urgente tentar encontrar um consenso para aliviar o mal-estar causado pela questão em alguns sectores.

O ex-diplomata defende a tese no seu livro «Ceuta, Melilha, Olivença e Gibraltar – Onde Acaba Espanha». Nos sectores mais nacionalistas portugueses, disse em entrevista, há uma mal-estar «agressivo» pela soberania espanhola sobre a localidade. «Do ponto de vista português, Olivença é portuguesa», acrescentou, explicando que existe uma «irritação» que o Governo não confessa de forma directa e agressiva, «o que está de acordo com o maneira de ser dos portugueses, que fazem as coisas de outra forma, com menos agressividade, mas o problema subsiste».

Máximo Cajal (1935), licenciado em Direito e diplomata de carreira desde 1963, estava colocado na Guatemala, tendo sobrevivido á chacina levada a cabo em 31 de Janeiro de 1980 na Embaixada por um grupo de indígenas quichés e por elementos do Exército Guerrilheiro dos Pobres, na qual morreram 39 pessoas. Foi depois embaixador na NATO e ocupou diversos cargos em legações espanholas na Suécia, em França, nos Estados Unidos e em Portugal. Durante o governo de Felipe González ocupou diversos cargos na estrutura governamental. Não é propriamente um político extremista, como se pode ver por estes dados biográficos.

Máximo Cajal é da opinião que Espanha, para legitimar a reivindicação de Gibraltar, deveria previamente discutir com os governos de Portugal e de Marrocos, a devolução das cidades de Olivença, Ceuta e Melilha. É uma opinião que já temos defendido e que nos apraz ver confirmada por um homem que de extremista nada tem. De facto, embora ligado ao PSOE, Cajal é apontado como tendo estado ligado ao regime franquista. Após a publicação, em 2003, do seu livro Ceuta y Melilla, Olivenza y Gibraltar. ¿Dónde acaba España?, no qual argumenta a favor da devolução destas cidades a Portugal e Marrocos como ponto prévio para a recuperação de Gibraltar, foi atacado pelos meios de comunicação conservadores, por gente do Partido Popular e por autoridades espanholas das cidades visadas. Perante a quantidade e a violência das críticas, fontes próximas do PSOE vieram declarar que Cajal fora afastado do partido. No entanto, já em 2010, José Luis Zapatero nomeou-o representante pessoal do presidente do Governo para a aliança das Civilizações.

 Cajal não avança com uma fórmula para resolver o conflito mas pôs de parte a solução da soberania compartilhada, como já tem sido defendido por outros. Na sua opinião, reconhecer que o problema existe, na questão de Olivença, seria já um passo em frente.

O Governo português não parece ser da mesma opinião e vai-se “esquecendo” de agitar a questão e de demonstrar aos portugueses que Olivença não está esquecida. Não quer arranjar uma questão com Espanha? Mas Espanha não se incomoda de, com menos razão do que nós, aproveitar todas as ocasiões para reivindicar Gibraltar. Será que o Governo espanhol quer arranjar um conflito com o Reino Unido?

Uma nota final. Dá vontade de rir os monárquicos terem pegado na bandeira da causa de Olivença, como se fossem mais patriotas do que os republicanos. Durante mais de cem anos, governos da Monarquia portaram-se com a mesma cobardia que os executivos da República têm demonstrado nesta matéria.

sábado, 21 de agosto de 2010

A História de Olivença

A origem de Olivença está ligada à reconquista cristã da região fronteira a Elvas pelos Templários idos do Reino de Portugal, cerca do ano de 1230. Nesse território a Ordem criou a comenda de Oliventia, erigindo um templo a Santa Maria e levantando um castelo. No final do século, pelo Tratado de Alcanices, assinado em 1297 entre o Rei D. Dinis e Fernando IV de Castela, Olivença seria formalmente incorporada em Portugal, pera sempre, juntamente com Campo Maior, Ouguela e os territórios de Riba-Côa, em escambo com Aroche e Aracena.

De imediato, D. Dinis elevou a antiga povoação à categoria de vila, outorgando-lhe foral em 1298, determinou a reconstrução da fortificação templária e impulsionou o seu povoamento.

Os seus sucessores reforçaram sucessivamente a posição estratégica de Olivença, concedendo privilégios e regalias aos moradores e realizando importantes obras defensivas. Em 1488 D. João II levantou a impressionante torre de menagem de 40 m de altura.

Em 1509 D. Manuel iniciou a construção de uma soberba ponte fortificada sobre o Guadiana, a Ponte da Ajuda, com 19 arcos e tabuleiro de 450 metros de extensão. Do reinado de D. Manuel, que deu foral novo em 1510, datam também outras notáveis construções como a Igreja da Madalena (por muitos considerada como o expoente, depois do Mosteiro dos Jerónimos, do manuelino), a Santa Casa da Misericórdia ou o portal das Casas Consistoriais.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Além Guadiana - Os blogues que preferimos

Seguindo as regras da nomeação para o «Blog de ouro 2010», tendo nós sido nomeados (pelo "Todos Somos Portugal", tivemos de nomear três blogues da nossa preferência». Um deles foi o "Além Guadiana", de Olivença. Transcrevemos o seu texto de apresentação.

Além Guadiana. Ponto de encontro.


Em Portugal, “Além Guadiana” encontra-se Olivença, “A Vila”, com as suas igrejas abraçadas por muralhas, a sua planície salpicada de olivais, quintas e aldeias.

Em Olivença, “Além Guadiana” estende-se Portugal, o país que cresceu a olhar para o mar, o horizonte dos entardeceres oliventinos.

Há muito que Olivença perdeu o seu cordão umbilical com Portugal, mas o tempo ainda não apagou a pegada de séculos nos monumentos, na história, nos costumes, nas palavras, nas cantigas.

Portugal… Luís de Camões, Zeca Afonso, Sintra, Dom Dinis, Fernando Pessoa, Alentejo, Porto, Vasco da Gama, Fátima, Mosteiro de Batalha, Fado, Brasil, Sericaia, Lisboa, Oceano Atlântico, Saudade…

Olivença… Luís Marçal, Frei Henrique de Coimbra, Senhor dos Passos, Misericórdia, Aires Tinoco, Igreja da Madalena, Vicente Lusitano, Caetano da Silva Souto-Maior, Quinta de São João, Bolo Podre, Corridinho, as Maias, Maria da Cruz, Manuelino, Oliveiras, Saudade…

“Além Guadiana” deseja ser um olhar mútuo entre ambos lados do rio, com a cultura como nexo comum. Há muitas histórias por escutar, muito da nossa história partilhada por conhecer. Há um desejo de re-encontrar Portugal a olhar para o outro lado do Guadiana, descobrindo a sua herança do outro lado do mar… mas sobretudo reconhecendo-o na nossa própria terra, em Olivença, através das suas diferentes formas de expressão, muitas vezes quotidianas e amiúde desapercebidas, nas coisas pequenas e grandes que fazem parte do seu legado português. Há una sensação de compromisso para evitar que a memória se perca na noite dos tempos.

domingo, 8 de agosto de 2010

Olivença Espezinhada

Carlos Consiglieri*

 1. Foi preciso chegar aos dias de hoje para se verificar (se assim pudemos afirmar) que em Olivença, apareceram vozes, por ora, ainda, pouco assumidas a defender ideias de autonomia, dentro do quadro legal permitido em Espanha. A verdade é que Portugal (entenda-se por Governo português) não contribuiu, de forma muito visível, para a criação de posições reivindicativas do território ao longo destes dois séculos.  Sabemos que o deveria ter feito, face às responsabilidades nacionais e que ocasiões não faltaram para tal. Nas ausências de tomadas de posição não podemos lamentar que se esbocem, agora, no seio da sociedade oliventina, movimentações no sentido autonómico quando a Espanha revela sinais de desagregação política. Não temos dúvidas que o aparecimento destes sintomas (que se revelarão incómodos para ambos os Governos) resultam do lento processo que fervilha em sectores da população oliventina em resultado das contradições políticas, económicas, sociais e culturais, com maior evidência entre as camadas jovens. Estas, perante a falta de perspectivas locais (em relação as regionais e nacionais) desejam dar um passo em fiente, perante as dificuldades e os bloqueamentos que os isolam no contexto geral. Verificam, que aquele tipo de democracia pouco mais lhe dá que a liberdade em abstracto, que apesar de parecer um dom precioso, não lhes chegam dentro dos conceitos neo-liberais impostos. Desejam mudanças do sistema, com novas e actuais oportunidades de participação na sociedade.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A usurpação

No dia 20 de Maio de 1801, o exército espanhol, num acto de pura traição, toma o concelho de Olivença, usurpando 750 km2 do território de Portugal, incluindo uma das suas vilas mais importantes.  A Vila de Olivença foi conquista pelos portugueses aos mouros, pela primeira vez em 1166. A sua posse definitiva foi reconhecida em 1297, no Tratado de Alcanises, quando foram fixadas as fronteiras entre Portugal e Castela. Durante mais de 600 Anos a sua população bateu-se contra a investidas de Castela e depois da Espanha (a partir de 1492) para preservar a sua identidade nacional Esta usurpação ocorre num momento particularmente dramático para Portugal, dado que vivia sob a ameaça de uma invasão pelo exercito francês. A Espanha aproveita-se desta fragilidade de Portugal, e declara-lhe guerra e num acto de traição, pela força das armas, usurpa um território que não lhe pertencia subjugando uma população indefesa.

Em 1815, após inúmeras manobras negociais, a Espanha compromete-se a devolver aquilo que havia roubado a Portugal, mas acabou por nunca o fazer. Pelo contrário, iniciaram uma sistemática política de genocídio cultural de uma parte do povo português e de ocultação das marcas de um crime.

Apropriaram-se de terras portuguesas Usurparam património português Procuram extinguir lentamente as famílias portuguesas Negaram a identidade cultural aos seus descendentes Ocultaram nomes e referências históricas de modo a esconderam a usurpação. Fizeram tudo isto, também com a conivência de alguns traidores portugueses.   Não era a primeira vez que a Espanha fazia um genocídio cultural semelhante. Fê-lo quando obrigou à conversão forçada ao cristianismo de centenas de milhares de judeus e muçulmanos. Os que resistiram foram mortos ou fugiram espoliados dos seus bens.Na América Latina, os espanhóis exterminaram de uma forma sistemática e esvaziaram da sua identidade cultural cerca de 70 milhões pessoas das Caraíbas, Astecas, Maias, Incas e de tantos outros povos. Os que hoje ai encontramos perderam o sentido primitivo da terra que habitam e dos monumentos que os cercam. Algo semelhante podemos encontrar também em Olivença. Andado pelas ruas desta cidade e pelas antigas aldeias portuguesas que a cercam, o que encontramos são pessoas que reclamam a propriedade de casas, igrejas, monumentos, ruas que foram erigidos por um outro povo com uma outra cultura, a quem carinhosamente tratam por "hermanos".

Esvaziados da sua identidade cultural, a que hoje ostentam e se reclamam são as tradições e a fidelidade à cultura do invasor.  Apenas na Alemanha Nazi e na Ex-União Soviética e na China, no século XX, ocorreram casos semelhantes. É por tudo isto que o caso de Olivença é importante, nomeadamente para compreendermos a forma como se pode exterminar um povo. Olivença pode ser considerado o primeiro caso de genocídio cultural empreendido na História Contemporânea da Europa.

Uma das novidades do crime que ocorreu em Olivença reside na forma quase silenciosa como o mesmo foi perpetrado e ainda hoje é ocultado, o que pode justificar a forma naturalizada como a questão é encarada. Nenhum remorso ou alusão aos milhares e milhares de homens, mulheres e crianças a quem lhes foi negado o direito a uma identidade, à história das suas raízes, sendo que a única que lhes concediam era a do invasor.  

Transcrito, com a devida vénia de


IImigrantes Somos Todos!
Director: Carlos Fontes




sábado, 31 de julho de 2010

Uma pergunta urgente: Para quando a devolução da nossa Olivença, ocupada por Espanha?

Ana Maria Aguiar Macedo*

Durante os meus já longos anos de vida, tenho aguardado ansiosamente (eu e quantos mais?), o fim da pérfida ocupação Oliventina pela nossa vizinha Espanha, que simula ter-se esquecido de sobre tal assunto ter aposto a sua assinatura no Tratado de Viena de 1815, que ela própria ratificou em 1817.

Os anos passam e Olivença continua ocupada pelos Espanhóis.

Amnésia geral ou deliberada violação do Código de Honra que, desde sempre, obriga ao cumprimento da palavra dada, a qual, para mais, consta de um documento de tão soberana importância como é um Tratado? Será que para os Códigos Espanhóis o roubo é meritório? Tal é impossível! O que também me espanta, é a aparente apatia dos nossos governantes perante este atentado à nossa soberania.

Será que já não se estuda História? É que, no meu tempo, quem pretendesse ingressar na Diplomacia, tinha de conhecer e de estudar as razões de desentendimento que porventura existissem entre países soberanos. Pelo menos quando eu me licenciei em Direito, este era um ónus obrigatório daquela carreira. Não acredito que tal prática tenha caído em desuso.

Mas se tal tiver sucedido, eu e centenas, milhares de portugueses, exigiremos o seu regresso.

*(Transcrito de Olivença é Portuguesa)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Poesia de Carlos Luna lida em voz alta em Olivença em 12 de Junho de 2010

OLIVENÇA É POESIA (ou "A POESIA DE OLIVENÇA")

Olivença, fonte de tanta poesia,
cidade tão cheia de encantos,
de variadas belezas elegia,
de memórias de heróis e santos.

Em tuas casas, em cada frontaria,
se vêem motivos para cantos,
seja em palácios de fidalguia,
seja em mais humildes recantos.


Diante de cada Igreja, um poema!
Olhando as muralhas, uma rima!
Em cada rua, "sente-se" um tema!

Nas aldeias, com o Sol por cima,
e no meio da brancura extrema,
surge inspiração que te sublima!


(Estremoz, 06 de Outubro de 2008)

TRAINDO PESSOA?(EM DEFESA DO PORTUGUÊS DE OLIVENÇA)


«A minha Pátria é a Língua Portuguesa»,/ disse o imortal Fernando Pessoa./ Esta frase de suprema delicadeza/ tornou-se mote no Brasil e em Lisboa.//


Em Português se exprime uma certeza,
ou uma emoção, no Maputo ou em Lisboa;
na mesma língua se elogia a beleza
de um samba, de um fado na Madragoa!


O Português fala-se com dedicação,
a Língua usa-se até para uma ofensa;
nela se exprime ódio, dúvida, e paixão.
Mas... pouca gente, ao falá-la, pensa
acudir, como seria sua obrigação
ao Português que se fala em Olivença !

(30-Março-2008)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Olivença - 73 ruas recuperam o antigo nome em português

Mais de 70 placas com os nomes das ruas em português foram recuperadas na cidade espanhola de Olivença, com o objectivo de dar a conhecer a história e a cultura portuguesa aos habitantes daquela cidade fronteiriça.

«Este passo que foi dado em Olivença mostra a união que existe entre os dois países (Portugal e Espanha)», disse Manuel Rodriguez, presidente do Ayuntamiento de Olivenza.

«E simboliza também o aniversário da adesão de Portugal e Espanha à Comunidade Económica Europeia (CEE)», acrescentou.

A iniciativa que contemplou a adição dos antigos nomes das ruas aos actuais, mantendo a mesma tipologia e estética nas placas foi um dos pontos alto da primeira edição do certame «Lusofonias». Este decorreu a 12 de Junho na cidade espanhola e contou com a organização da associação «Além Guadiana».

terça-feira, 27 de julho de 2010

O tempo em Olivença


Carlos Luna


Em Olivença sinto o peso do tempo,
sinto a sua força onde ela mais dói.
Sinto o seu peso como contratempo
na morte da evocação de cada herói

Em Olivença vejo o efeito do tempo,
vejo-o em cada mentira que ele condtrói,
em cada casa caída, em cada "passatempo"
oco, falso, qu´as páginas do passado destrói.


Em Olivença cala-se do povo a memória
em cada imperativo, diz-se, de mudança,
de cada vez que se oculta uma velha glória.


Em Olivença, só não morreu a esperança
de um dia, em liberdade, se contar a História
do passado, dos teus avós, a qualquer criança!

Estremoz, Março de 2007

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Oliventino - As idades de um idioma à beira da extinção

                                                                                                      Publicado hoje em Café Portugal. Enviado por Além Guadiana.

Manuel, Martina, Francisco, Raquel. São histórias de vidas na raia espanhola. Oliventinos que representam diferentes gerações de falantes de um idioma à beira de um precipício, o da extinção. O oliventino, subdialecto português, falado há séculos em Olivença, é actualmente uma quase memória, agarrado às palavras dos mais velhos. Recordam tempos em que o dialecto era sinónimo de conversas soltas, em casa, nas ruas. Palavras que, entretanto, por meados do século XX, se esconderam entre paredes. Há décadas que o oliventino mingua, com redutos sobreviventes nas aldeias e com esperança nos bancos das escolas onde é reabilitado como língua estrangeira.

O calor oprime a meia tarde da aldeia histórica de São Bento da Contenda. Um estio na Estremadura espanhola, encostada à fronteira com Portugal, que parece impor-se como muro a qualquer ideia de frescor. Um calor que ondula os campos, pesa sobre as copas dos sobreiros espaçados, esbate os contornos da Serra de Alor. A sete quilómetros, escondido, corre um sopro de água. O rio Guadiana avolumou-se nos últimos anos com a barragem de Alqueva. «Embalse de Alqueva» na banda de cá, como é dito, aqui, no município de Olivença. Desafiar o calor estremenho de Julho não é fácil, para mais quando implica destruir o deleite cénico montado nos últimos minutos: uma esplanada corrida pela sombra, um horizonte largo, uma bebida fresca em primeiro plano e o voo dos andorinhões, único empecilho a um céu fixo em azul.

domingo, 25 de julho de 2010

O general Ferreira Martins e a causa de Olivença


Luís Augusto Ferreira Martins, Nasceu em Lisboa, a 7 de Abril de 1875 e morreu em Algés em 26 de Junho de 1967.

Frequentou o Colégio Militar, ingressando na Escola Politécnica de Lisboa, onde preparou a admissão à Escola do Exército, tendo concluído o curso de Artilharia e o de Estado-Maior. Em 1897 participou na campanha de Moçambique, regressando a Portugal em 1898. Em 1906 passou para o Estado-Maior do Exército.

Foi nomeado Sub - comandante do estado-maior do Corpo Expedicionário Português enviado para a Flandres, no Norte de França, em 1917 durante a Primeira Grande Guerra. Terminado o conflito foi nomeado chefe do estado-maior do Campo Entrincheirado de Lisboa. Comandou o regimento de infantaria n.º 5, e a (1929-1933), a Escola Central de Oficiais. Foi a partir de 1938 vogal do Conselho Superior do Exército.

Entre a sua vasta obra, destacam-se os livros: Jogo de Guerra simplificado, em 1911; Portugal na Grande Guerra, em 1935, obra colectiva que dirigiu; O poder militar da Grã-Bretanha e a aliança anglo - lusa, em 1939.


A causa de Olivença sempre lhe foi cara, como se pode ver pelo artigo que publicou no Boletim da Casa do Alentejo.






Para ampliar, clique sobre a parte do texto que quiser ler:

sábado, 24 de julho de 2010

Olivença - que o exílio é triste, como duras são as algemas

O jornalista e etnógrafo João Sarabando (1909-1996), colaborador do jornal República, escreveu uma pequena peça sobre Olivença na sua secção Miradoiro. Resultado, o texto foi totalmente cortado pela comisão de censura salazarista. Tão patriota, Salazar, que envolveu o País numa guerra de três frentes para defender a «integridade da Pátria» na Guiné, em Angola e em Moçambique, mas pactuou com a usurpação de Olivença aqui, no Alentejo, em Portugal. Pactuou, reprimiu quem protestava. Aliás, os governos anteriores, da Monarquia, da I República, tal como os posteriores, pós 25 de Abril, com maior ou menor repressão, têm feito o mesmo. Pactuar, ignorar, fingir que o problema não existe.

"Que o exílio é triste, como duras são as algemas", dizia Sarabando a terminar o seu artigo. É bem verdade.



sexta-feira, 23 de julho de 2010

Regresso a Olivença - Mário Ventura Henriques- IV

 Roteiro da presença portuguesa (Continuação)

Os monumentos constituem um verdadeiro roteiro histórico para os seis séculos de presença portuguesa. Do século XVI, porventura o período em que mais se enriqueceu a arquitectura oliventina, recolhe-se a imagem de Santa Maria do Castelo, a matriz erguida sobre um primitivo templo construído pelos Templários, no tempo em que estes povoavam o território arrancado aos muçulmanos. É um templo de grandes proporções, com três naves suportadas por altas colunas cilíndricas.

Para os amadores de curiosidades históricas, refira-se que aí apadrinhou D. João V o filho de um fidalgo local, Bento de Matos Mexia, dando-lhe o nome de João. O rei subiu depois à Torre de Menagem, contemplou os vastos campos oliventinos e à noite regressou a Elvas. Da visita real lavrou-se um auto, de que ainda hoje existe cópia.

Na Igreja de Santa Maria Madalena tem o período manuelino um dos seus monumentos mais belos e representativos. Trata-se de uma obra magnífica que atesta amplamente os créditos de uma plêiade de artistas que deram à velha terra oliventina um cunho de acentuada originalidade no conjunto da nação em que se integra.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Regresso a Olivença - Mário Ventura Henriques - III


Recupera-se a toponímia tradicional (Continuação)



Por artérias estreitas que ostentavam outrora nomes bem portugueses - Rua das Atafonas, Rua da Corna, Rua da Barranca, Rua do Juiz -,e hoje têm designações que bem pouco dizem aos Oliventinos, vou dar a uma outra, a Rua dos Duques de Cadaval, que durante muitos anos esteve ausente da toponímia da vila. Em seu ligar encontrava-se o nome de um ministro obscuro, cujo título de glória era o de ter acompanhado o generalíssimo Franco na inauguração de uma albufeira. Instituída, por via da democracia, a liberdade de escolha, os edis oliventinos não

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Regresso a Olivença - Mário Ventura Henriques - II


Mudaram as pessoas (Continuação)

Doze anos depois, nada é como antes. Excepto, talvez, a paisagem, em cujo solo continua a praticar-se a mesma agricultura pobre de outrora, extensiva e monótona. Identifico caminhos, pontões, montes idênticos aos do campo alentejano, nomes que despertam a sensibilidade

- Casas Novas, por exemplo -, coutos de caça que se estendem por quilómetros e a mesma estrada sinuosa que, de Badajoz, nos abre caminho para Olivença, quase fronteira à vila portuguesa de Juromenha.

O que é diferente, o que mudou, são as pessoas. Onde, antes, havia silêncios carregados de suspeita e receio, uma clandestinidade às claras, olhares equívocos, fuga ao diálogo e, por cima de tudo, a sugestão de se ter perdido a memória do idioma dos antepassados, existe hoje a cativante simpatia de quem se abre ao contacto para que o conheçam melhor e melhor o compreendam, e, mais emocionante ainda, o desejo irreprimível de demonstrar que se recorda e se mantém viva, no dia-a-dia dos Oliventinos, a língua portuguesa. O viajante sente-se em casa, esquece a fronteira que atravessou há pouco, e cala-se simplesmente, para se dar ao prazer de escutar o acento cantante do português que falam os de Olivença, semelhante ao dos Alentejanos, e mais aliciante pela presença de palavras arcaizantes, esquecidas ou desprezadas entre nós. E logo se entende o desejo que têm os Oliventinos de que se institua na sua terra o ensino do idioma português; se, 180 anos depois do corte dos laços políticos com Portugal, ainda se mantém a prática da Língua Materna é porque a herança dos séculos anteriores foi suficientemente forte para que se queira, no presente, recuperá-la integralmente (1).