A homenagem ao velho poeta
Carlos Loures
No princípio daqueles anos 60 do século XX, apesar da boa e mítica reputação que a década viria depois a adquirir, as coisas eram muito diferentes do que hoje são e nem sempre a diferença era para melhor. As minorias étnicas ou religiosas, as mulheres, as crianças, os homossexuais, eram segregados de uma forma impiedosa e os seus direitos, mesmo aqueles que estavam consagrados na letra das leis, espezinhados com a cumplicidade de muitos progressistas e até, por vezes, de alguns dos lesados. Também se deve dizer, para sermos justos, que talvez nenhuma outra geração tenha feito tanto para derrubar tabus e preconceitos, barreiras e estúpidas ideias estratificadas ao longo de séculos e que tinham rastejado e sobrevivido a quase dois mil anos de cristianismo, às revoluções francesa e soviética, a um século de socialismo, a duas guerras mundiais, à proclamação de múltiplas independências em África e na Ásia, chegando quase intactos àquela época, aos famosos e progressistas anos 60.
