Carlos Loures
Foram Xenofonte e Platão, sobretudo o segundo, com a sua série de diálogos socráticos, quem deu existência e espessura a uma entidade que, sem os seus escritos não existiria para nós. Platão terá feito um retrato justo do filósofo. Diógenes Laércio, séculos depois biografou Sócrates, inspirando-se no que os discípulos e contemporâneos sobre ele tinham deixado escrito. Porque, como Abu Tammam o grande poeta do século IX, nascido na actual Síria, afirmou (e já aqui citei) só o que é escrito existe - a glória sem palavras é um deserto vão e sem sentido.
De Sócrates não nos ficou uma palavra escrita pelo seu punho. Dele apenas temos o que dele disseram. A maneira como viveu e, sobretudo, o seu pensamento, constituem como disse Sant’Anna Dionísio «uma inexaurível fonte de hipóteses».
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
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