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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

BCP e Irão - isto sim é Portugal

Líder do BCP ( o tal amigo do governo que transitou da Caixa Geral de Depósitos mais o camarada Vara) propôs dar aos EUA informações sobre finanças do Irão.( Público).

Estratégia de Carlos Santos Ferreira para poder negociar com Teerão. Sócrates autorizou repatriamentos via Lajes. (Público)

Tudo para que os negócios corressem de feição, "estás a ver eu dou-te informações financeiras sobres os malandros e tu não te importas que eu os encha de dinheiro, estás a ver ò Obama!" nada para centrifugadoras, nós , o BCP que somos o orgulho do governo de Portugal passamos a ser os "olhos e os ouvidos" dos US, ali, no "olho do furacão" onde se joga o fim do planeta!

Porra! estou comovido, o patriotismo engasga-me! Mas os que têm apoiado o rapaz da Wikileaks percebem, agora, porque nada deveria ter sido revelado? Sócrates no Parlamento negou "veementemente" ter alguma vez recebido pedidos dos US para sobrevoo do nosso espaço aéreo ou para aterragem na base das Lages de aviões que se destinassem ao transporte ou à transferência de prisioneiros. E agora?

Mentir a bem dos negócios, afinal não é assim, em segredo, que se fazem negócios? Ou o BCP e Sócrates andariam para aí a armar que se dão com os grandes do mundo, dão não, controlam os grandes do mundo, dizendo a verdade na praça pública? E Cavaco, lixado por não ter sido recebido por Bush, não pôde dar-lhe uma lição de finanças públicas que teria colocado os US no bom caminho?

As visitas ao amigo Chavez foram devidamente corrigidas ,privadamente, por críticas duras "ombre porque não te calas?" eu logo vi que tal portento não podia ser criação de Juan, tinha que andar por ali o dedo dos nossos maiores, estes responsáveis que se afadigam com os problemas "globalmente" e não com as misérias deste cantinho que não os merece.

Quem já assegurou o registo do nome numa qualquer avenida, é Luis Amado , reflectido, verdadeiro amigo dos US, equilibrado, procura sempre coordenar os interesses de Portugal com os do US, exactamente o que faz o BCP e Sócrates ( não percebo o registo individual) e se há dúvidas "prefere discuti-las discretamente" ( na Porcalhota é assim que nos safamos quando dizemos sim a tudo numa discussão).

Quem andava receoso com um possível ataque ao direito de informar e à liberdade de expressão já ficou a saber , não temos que saber nada, os nossos são "tu cá, tu lá" com os donos do mundo, isto está entregue a quem sabe.

Estadistas!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Presidenciais - Sócrates nas mãos de Alegre.

Luis Moreira

Em entrevista ao DN, José Sócrates vem dizer que "Tenho muita esperança que o Manuel Alegre ganhe as eleições presidenciais." Ora, foi por não pensar assim que Alegre não ganhou as últimas eleições Presidenciais e que deram a vitória a Cavaco Silva. Nessa altura Sócrates, fez tudo para evitar a vitória de Alegre lançando na corrida um octogenário, Mário Soares.

A que se deve a reviravolta, sabendo nós que as sondagens dão a vitória à primeira volta a Cavaco Silva? Se tivesse a certeza ou pelo menos a esperança de continuar a governar, Sócrates não faria tal afirmação, outros no PS a fariam por ele. A razão é que Sócrates sabe, que o eleitorado ao dar a vitória a Cavaco Silva espera uma decisão. A demissão do governo e novas eleições de onde sairá um novo arranjo democrático.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Olivenza ou Olivença? O destino numa carta

(Resumo feito por Manuel Simões)

1-Dá notícia da criação, por um grupo de cidadãos oliventinos, da associação “Além Guadiana” para promover a cultura portuguesa, a qual não se pronuncia sobre a questão política mas avança propostas para recuperar a herança cultural portuguesa: propõe o ensino do português nas escolas, difunde menus bilingues nos restaurantes e organiza festivais culturais como Lusofonias, dedicados ao mundo português e cuja 1ª edição teve lugar em 12 de Junho. A associação propôs em Maio que se acrescentasse aos nomes castelhanos das ruas o antigo nome português, o que já aconteceu em 73 sítios. O objectivo é assegurar as duas culturas.

2-Resume a história das vicissitudes políticas de Olivença, desde 1297, em que se tornou portuguesa (tratado de Alcanices) e as constantes passagens devidas a acções bélicas fronteiriças. No congresso de Viena de 1815 as potências europeias acolheram as reivindicações portuguesas sobre Olivença e arredores. E não obstante a Espanha tenha assinado este tratado dois anos depois, o território oliventino – actualmente composto por Olivença, Táliga, São Francisco de Olivença, San Rafael de Olivença, Vila Real, São Domingos de Gusmão, São Bento da Contenda e São Jorge de Alor – continua a fazer parte da província espanhola de Estremadura.

3-Em 2007 passou na Net um vídeo de 4 minutos em que dois homens atravessavam a cidade e colocavam uma bandeira portuguesa no castelo.O autarca de Olivença diz que o episódio nada tem a ver com os movimentos que consideram ilegal a ocupação espanhola, parecer confirmado pelo prof. Carlos Luna.
Com larga informação, narra-se a polémica à volta da reconstrução da Ponte da Ajuda, construída no séc. XVI por D. Manuel e semi-destruída em 1709, a seguir à guerra de secessão espanhola. Em 1990 os dois primeiros-ministros, Felipe González e Aníbal Cavaco Silva, estabeleceram um acordo para a sua restauração. A seguir, os autarcas de Elvas e de Olivença decidiram construir uma nova ponte para veículos, restaurando a antiga para peões. A nova ponte, de iniciativa municipal, subsidiada com fundos comunitários e pelo PIDDAC, foi inaugurada de forma não oficial em 11/11/2000, sem a presença de autoridades portuguesas porque comparecer em território ocupado seria como reconhecer a ocupação. Em 2008 o Grupo de Amigos de Olivença (GAO) tentou anular em tribunal a decisão de reconstruir a velha ponte por entidades espanholas, sem a aprovação do IPPAR. Já foram destinadas verbas no orçamento espanhol para 2007, 2008 e 2009, que deixaram de figurar no de 2010. Em 2007, o autarca de Elvas, Rondão Almeida, prometeu ao seu colega de Olivença que tudo faria para que a reconstrução fosse uma realidade.

4-A questão de Olivença interessou também a CIA, a qual, no relatório e mapa de 2003 não representava a cidade no território espanhol. A Espanha protestou e, nos anos seguintes,o mapa foi alterado, como se pode ver ainda hoje na página web da CIA.

5-O que pensam os portugueses da situação? Se é verdade que Portugal não aceita que Olivença seja espanhola, também não faz nada para que seja portuguesa. Para o prof. Carlos Luna, membro do GAO e líder do Comité Olivença Portuguesa, uma boa solução poderia ser semelhante à que o governo de Madrid propõe sobre Gibraltar. O Comité Olivença Portuguesa defende a formação de um governo local transitório (espanhol e português) que governaria o tempo necessário para esclarecer os oliventinos sobre o seu passado, escolhendo, a seguir, a que país querem pertencer.

6-O actual primeiro-ministro José Sócrates interveio sobre a questão de Olivença à margem do XXIII vértice ibérico de Braga (2008), definindo a presença de portugueses que reivindicavam a soberania sobre a cidade e zonas circunstantes – aos quais foi permitido exibir a faixa “Olivença é terra portuguesa” só a cinco quilómetros de distância – uma demonstração de folclore, afirmando que, de qualquer modo, a situação não faz parte da agenda dos colóquios ibéricos.

7-Esta disputa geopolítica é para os portugueses uma questão de dignidade nacional, enquanto para a Espanha vale o princípio pelo qual “o que cedo está cedido” e não se volta atrás.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma nova ditadura ou “A Visita da Velha Senhora”

Carlos Loures



Continuo a inspirar-me em peças teatrais para as minhas crónicas. Depois de O Rinoceronte, de Eugène Ionesco, de Um Eléctrico Chamado Desejo, de Tenessee Williams, de Tanto Barulho por Nada, de Shakespeare, chegou hoje a vez de A Visita da Velha Senhora, do escritor suíço Friederich Dürrenmatt (1921-1990), é um clássico do teatro mundial. No cinema, em 1964, a actriz Ingrid Bergman actuou no filme The Visit, inspirado na peça , realizado pelo austríaco Bernhard Wicki. Vi esta tragicomédia em 1960 no D. Maria II, numa encenação de Luca de Tena, com Palmira Bastos no principal papel.


A ideia central da peça, editada em 1956, é semelhante à de O Rinoceronte, embora com uma história  menos absurda. Neste caso, é útil contar em traços muito largos a história – Gullen, pequena cidade da Europa Central, vive mergulhada na miséria, afectada por uma terrível crise económica.

A estação de caminho de ferro está em ruínas e quase desactivada – os comboios deixaram de ter paragem em Gullen. Até que um dia as coisas mudam – Clara Zahanasian, uma das mulheres mais ricas do mundo, nascida na cidade, regressa às origens. Prepara-se-lhe uma recepção triunfal – forças vivas, criancinhas das escolas, banda de música... - o habitual.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Passos Coelho e Sócrates já saíram da JSD mas a JSD não sai deles.

Carlos Mesquita

Na terça-feira escrevi um artigo (*) com o título “ A campanha eleitoral está a custar-nos um dinheirão”. Os juros da dívida atingiram agora o recorde de 6,72%. Há razões que explicam esse aumento dos juros; algumas comuns aos países em dificuldades na Zona Euro.

Há complicações que vêm da União; Angela Merkel quer rever o Tratado de Lisboa para impor sanções políticas aos países indisciplinados no plano orçamental, e o presidente do BCE recusa qualquer hipótese de reestruturação das dívidas, mas temos também os problemas caseiros.

São esses que nos distinguem por exemplo da Espanha, que tendo indicadores de crise mais elevados paga juros substancialmente mais baixos. A diferença não é apenas explicada pela capacidade de eles conseguirem mais facilmente crescimento económico. Nesta fase, para os mercados conta essencialmente a capacidade de executar o Orçamento de Estado (cujo conteúdo é secundário, porque aceite pelos investidores) e aí os sinais dos líderes políticos têm sido desastrosos, só geram desconfiança.

Apesar de Sócrates dizer que o problema dos juros não é apenas português, e do PSD vir com o disparate de justificar o aumento actual de juros com a execução orçamental de 2010; a causa fundamental é a falta de credibilidade da liderança política, do governo e da oposição.

As variações das taxas de juro correspondem a actos concretos da política nacional, andou-se a brincar aos orçamentos nos últimos três meses, os juros subiram e desceram ao ritmo das tricas e crispações, dos acordos e desacordos, das bocas. É significativo que com o início das negociações os juros tenham descido e com o rompimento tenham voltado a subir. A pior parte neste sobe e desce, foi o espectáculo deprimente do debate do Orçamento no Parlamento, e as declarações políticas seguintes. É claro que com este espectro partidário e os líderes actuais não vão existir condições que transmitam confiança.

Ninguém acredita que vai ser possível executar o Orçamento com o maior partido da oposição a anunciar que lá para Abril/Maio vai lançar uma crise politica. Quem vai aplicar o orçamento se os que o assinaram estão apenas interessados em tirar dividendos partidários e eleitoralistas. Vamos pagar um dinheirão por esta campanha eleitoral e muito provavelmente para ser eleito mais um imaturo da JSD.



(*) O artigo referido está em
semanariotransmontano.com
(opinião).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os Políticos que Temos

António Gomes Marques


Vamos lendo a imprensa e, muitas vezes, são as notícias que menos espaços ocupam que mais importantes são para a vida dos cidadãos que pagam impostos e para aqueles que, pelos baixos rendimentos que auferem, destes estão isentos.

Vejam a notícia seguinte:

Lisboa, 14 Out. (Lusa) - O líder da bancada social democrata na Assembleia Municipal de Lisboa manifestou hoje alguma "desconfiança" quanto ao novo mapa das freguesias proposto no estudo encomendo pela câmara, alegando que o PSD sai "largamente prejudicado".


"O estudo encomendado pela autarquia tem alguns problemas que têm de ser corrigidos. Mas o mais grave é que esta divisão que é sugerida nos deixou de pé atrás relativamente à boa fé deste projecto", afirmou António Prôa.


"Feitas as contas, transpondo os resultados eleitorais de 2009 para a nova divisão, tanto quanto é possível fazer, já que há casos difíceis de medir, o PS sai largamente beneficiado e o PSD largamente prejudicado", acrescentou.


Perguntarão os nossos leitores: A que propósito vem isto?

De facto, sabendo-se que sou militante do PS, poderá alguém entender que estou a atacar um outro partido, quando o que pretendo é chamar a atenção para os políticos que temos. A preocupação não é fazer uma boa divisão administrativa de Lisboa, que dela está bem carenciada; a preocupação dos representantes do PSD, neste caso, foi verificar que a proposta os viria a prejudicar, ou seja, se aprovada a divisão proposta o PSD pensa que as próximas eleições autárquicas lhe retirariam a hipótese de ganhar uma grande parte das freguesias da capital. Não importa fazer uma boa divisão, para o PSD uma boa divisão administrativa de Lisboa será aquela que lhe proporcione o maior número de freguesias sob o seu domínio.

Claro que a posição que para o PSD é válida para Lisboa também será válida para o resto do país.

Perguntarão agora os nossos leitores: E se fosse o PS a estar na posição do PSD, não assumiria a mesma posição?

Como calcularão, gostaria muito de poder afirmar que o partido de que sou militante tomaria a posição que melhor servisse Lisboa, mas, infelizmente, não me atrevo a tanto. Em todo o caso, acrescento que António Costa me merece confiança, direi mesmo que, de entre os políticos no activo, me parece ser aquele que melhor serviria Portugal como Primeiro-Ministro, e não é apenas por amizade que o digo.

Outros pensarão diferente de mim e se encontrarem alguém que melhor desempenho possa ter naquele lugar, ficarei muito grato a bem de Portugal e dos Portugueses (mas não «A Bem da Nação»). Substituir Sócrates é uma prioridade que não é de agora, mas colocar no seu lugar um qualquer Passos Coelho seria uma decisão que muito cara sairia a todos os portugueses.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Noctívagos, insones & afins - A soberania e os seus descontentamentos

À nossa República!


…para o povo português, obrigado à pobreza pela cultura doutora….


Raúl Iturra*

O subtítulo tem dois significados. O primeiro, é simples: escrevo este texto no dia 2 de Outubro e o debate do orçamento será a 15 de Outubro deste ano de 2010.

Não sou bruxo, tenho palpites. Palpite que me diz que deve ganhar o debate quem melhor se entenda com a crise financeira que se vive na Europa, essa praga de Portugal. Como no Chile. Faz pouco tempo, começara a corrida para a Presidência da República. No tempo da ditadura, todos os partidos democratas juntaram forças para derrubarem um ditador que faleceu réu de crimes de sangue, mas faleceu réu. Nas mãos da justiça. Com a democracia restabelecida, os partidos deram aos seus candidatos poderes muito pessoais e a Concertação Social começa a diluir-ser, após o mandato de quatro excelentes Presidentes da República. Será que esta arrogância precipitada vai abrir as portas a quem sempre ficou em segundo nas presidenciais e que une todo o fascismo que governou o país durante 20 anos? Precipitações pouco esclarecidas. E a diferença entre facções é imensa. A concertação, une; o fascismo desune e mata.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Investir para exportar - falta o "para" a Sócrates.

Luis Moreira

O primeiro ministro descobriu agora que é preciso investir "e" exportar.

Exportar, num país que nunca teve um superavite na balança comercial, é tão óbvio que nem sequer vale a pena perder tempo a explicar as razões. Todos dizem o mesmo há muitos anos que a economia devia focar-se na produção de bens e serviços transaccionáveis e não no mercado interno como fazem a maioria das grandes empresas portuguesas.

Para exportar é preciso ser competitivo, inovador, com capacidade de lutar em mercados abertos de igual para igual com empresas de outras nacionalidades. Para isso, é preciso investir, em novas máquinas, na inovação, no estudo de mercados, na procura das melhores matérias primas, na formação do pessoal...

Acontece que cá na terra o investimento é feito nas autoestradas e em grandes obras públicas para alimentar as grandes empresas e os bancos. Em ciclos de mais ou menos dez anos aí temos nós as obras públicas, como durante muito tempo este governante tentou, contra todo o bom senso, levar ao ponto de não retorno o TGV, e o Novo Aeroporto. Felizmente que não há dinheiro senão teríamos aí mais umas Parcerias Públicas Privadas que ninguem sabe como se vão pagar a partir de 2013, e que representam já entre 1 e 2% do PIB. Se lhe juntarmos os juros da dívida uma parte importante da riqueza criada, no futuro, já está "entregue aos bichos".

É, pois, estranho que aquele "para" não tenha sido utilizado na expressão de Sócrates, esta falta dá-se a muito más interpretações...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Apologia de Sócrates

Carlos Loures



Foram Xenofonte e Platão, sobretudo o segundo, com a sua série de diálogos socráticos, quem deu existência e espessura a uma entidade que, sem os seus escritos não existiria para nós. Platão terá feito um retrato justo do filósofo. Diógenes Laércio, séculos depois biografou Sócrates, inspirando-se no que os discípulos e contemporâneos sobre ele tinham deixado escrito. Porque, como Abu Tammam o grande poeta do século IX, nascido na actual Síria, afirmou (e já aqui citei) só o que é escrito existe - a glória sem palavras é um deserto vão e sem sentido.

De Sócrates não nos ficou uma palavra escrita pelo seu punho. Dele apenas temos o que dele disseram. A maneira como viveu e, sobretudo, o seu pensamento, constituem como disse Sant’Anna Dionísio «uma inexaurível fonte de hipóteses».

domingo, 8 de agosto de 2010

Breve nota sobre o chavismo

Carlos Loures

Meses atrás, no calor da luta políitica, alguém comparou José Sócrates a Hugo Chávez, advertindo para os perigos da instauração de um regime autoritário sob a égide do actual primeiro-ministro. A intenção era ofender Sócrates. A mim pareceu-me um elogio. Mas, humor ou mau-humor aparte, será que corremos o risco de ter aqui um regime populista, caudilhista? Com Sócrates ou com outro qualquer?

Com todas as suas demagogias e autoritarismos, Chávez, comparado com os políticos portugueses do chamado «bloco central» é um ser humano mais autêntico, mais digno de ser odiado ou amado. Eles, videirinhos, carreiristas, oportunistas, apenas merecem ser desprezados. São políticos descartáveis.

Quanto ao chavismo e a Chávez, com os seus excessos e gaffes, sempre tão explorados pelos órgãos de comunicação, devemos lembrar que ele é presidente de um país sul-americano, onde um regime autoritário não significa o mesmo que significaria na Europa. – o desnível social entre pobres e ricos é de tal forma escandaloso que só uma mão de ferro pode tentar manter a justiça. A democracia representativa é um regime em que os «direitos» e as «liberdades» sufocam por vezes a Liberdade e submergem o Direito. Sobretudo, uma democracia desenhada para a Europa, em circunstâncias históricas, sociais e culturais muito específicas (e mesmo assim funciona aqui no continente da forma que sabemos). Não é um modelo aplicável em todas as latitudes e em todas as situações.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Freeport - insuficientes mas existem!

Como se previa o arquivamento do processo e consequente fim do segredo de justiça, veio levantar questões muito dolorosas para as entidades estatais que autorizaram a construção do Freeport.

Para além das 27 perguntas que não foram feitas a José Sócrates, o relatório do Ministério Público não é parco em palavras e diz claramente, que há provas de que houve pagamentos e movimentações de avultadas quantias em dinheiro nas contas bancárias dos arguidos. Provas insuficientes, é um facto, mas existentes!

Há ainda provas que a autorização foi conseguida após e devido ao envolvimento de figuras próximas do entáo secretário de estado do ambiente, tanto familiares como hierarquicamente dependente dele. Provas insuficiente, é um facto, mas existentes!

A credibilidade do primeiro ministro leva mais uma pázada de terra (talvez do cemitério que não autorizaram a construir no mesmo local por razões ambientais)e nos próximos dias as provas, insuficientes, é certo, mas existentes, vão continuar a serem publicadas pelos "media". Se em termos criminais, o primeiro ministro pode descansar, no que à opinião pública diz respeito é-lhe retirada a mais pequena porção de credibilidade que lhe restava.

Bem sei que a sua vida política está a acabar e que só razões de calculismo político, do próprio e alheio, o mantêm no lugar, até sair pela porte pequena. Quem também só tem portas pequenas é a Justiça, que nos quer convencer que há corruptores sem haver corrompidos! O curioso é que os únicos que são acusados são os privados, aqueles que de certa forma estavam a fazer pela vida. Precisavam de construir o Freeport para ganharem as comissões que são o seu rendimento enquanto intermediários.

Quanto à extorção não deveriam ser os extorquidos a apresentar queixa? É que só há extorção se houver uma ameaça física ou de outra ordem muito grave. Por exemplo, "ou me dás tanto, ou dou-te um tiro..." pois se ninguem se queixou como é que pode haver extorção?

O Presidente do Sindicato já vem dizer que vai defender os magistrados relatores no que for preciso, o PGR publicou uma nota a desmentir os magistrados relatores e vamos ter festa garantida!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O telelixo (A televisão é para estúpidos?)

Carlos Loures



Definamos telelixo, palavra que tenho utilizado nestes textos nascidos sob a égide do Luiz Pacheco, mas que (ainda) não vem nos dicionários. Diria talvez assim:

«Telelixo, s. m. – Forma de fazer televisão que se caracteriza por explorar a morbidez, o escândalo, os crimes, os aspectos mais sórdidos da natureza humana, tais como o sensacionalismo e outras aberrações, utilizando-as como instrumentos do aumento de audiências. O telelixo caracteriza-se pelos temas que aborda, pelas personagens que coloca em primeiro plano, pela visão distorcida a que recorre para tratar esses temas e personagens.»

Um caso ocorrido num canal privado de televisão trouxe, quanto a mim, ao primeiro plano da actualidade nacional a questão do telelixo, pois reúne tudo o que de nocivo existe naquele conceito tabloidizado de informação e, a ser verdade o que consta sobre a causa próxima subjacente, põe a nu a fragilidade moral das estruturas do poder no nosso País. Lixo televisivo, eventualmente misturado com lixo político. Uma mistura explosiva.

domingo, 11 de julho de 2010

PT - se tivessem falado comigo...


Luís Moreira

Lembram-se que o Sócrates e o governo nada têm a ver com os negócios da PT? Nunca estiveram a par dos negócios da PT isso é com a Administração e os accionistas!

Os mentirosos apanham-se depressa, afinal se a Telefonica tivesse falado com Sócrates tudo seria resolvido. É o que diz o próprio Sócrates numa entrevista para Zapatero ler e que teve resposta imediata, a Telefonica veio logo dizer que estava preparadíssima para falar com Sócrates, e a PT tambem!

Aí está o interesse nacional que tinha desparecido à medida que a massa da Telefonica ía aparecendo, bastava falar com quem manda e, caraças, estamos cá para resolver os assuntos nada de brigas, perdemos todos, o interesse nacional acima de tudo!

E quem é que sabe o que é o interesse nacional? Quem é? O socialista Sócrates, que colocou no seu devido lugar o neoliberal Durão!Agora, depois das conversações, tudo pode ser comprado, tudo é socialista e a bem do povo, nada dos accionistas a mandarem nos seus capitais!

A bem da nação, por São Sócrates, Portugal!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Que se passa na PT?

Luis Moreira

A UE já veio dizer que é ilegal a golden share que o estado tem na PT.75% dos accionistas já disseram que aceitam a proposta da Telefónica, incluindo as grandes empresas portuguesas que se gastaram a falar no interesse nacional mas que, face ao monte de dinheiro, já esqueceram tudo o que respeita ao interesse nacional.

Pateticamente, Sócrates anda a agitar a golden share que a partir do dia 16 não vale nada, a PT está nas mãos dos espanhóis e se não for a bem vai a mal, lança uma OPA sobre a própria PT e fica com a empresa e com a Vivo. O BES, que sempre esteve na frente do combate do interesse nacional, já está vendedora, isto tem a ver com as tremendas dificuldades que a banca tem tido para se financiar nos mercados internacionais, face à situação explosiva portuguesa.

Andamos vigiados atentamente, e o BCE vai financiando a tesouraria para podermos pagar o merceeiro e o padeiro, porque a questão agora já não são as obras públicas do patético Sócrates, agora são as coisas comezinhas que já não conseguimos pagar.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Sondagem - a direita vem aí ou é a mesma coisa?



Luís Moreira

PSD - 37% ; CDS -6% ;PS - 32% ; PCP -10%; BE -8%, isto coloca PSD mais CDS à beira da maioria absoluta.Quando o eleitorado se move, vencendo a inércia é para continuar, para além das medidas anti populares e dificuldades que o governo vai ter que enfrentar.

O desgaste do governo é muito sério, estamos numa espécie de limbo, desapareceram,discutem-se as SCUTs o que quer dizer que a factura está a chegar.700 milhões de euros/ano e a partir de 2012, 1 300 milhões/ano, e há três meses o grande desígnio de Sócrates era lançar obras públicas em parcerias público/privadas.

Esta dinâmica é írreversível? Ainda há muitos indecisos mas o descrédito de Sócrates é muito sério, não parece que neste mar de dificuldades que ele teimou em não ver,possa inverter a situação.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SCUTS - residentes não pagam


Luís Moreira

Esta é a mais recente proposta de Sócrates quanto às Scuts, uma discriminação positiva que parece razoável. Quem vive ou trabalha na área não paga. Ainda não se sabe se a proposta se estende a todo o país ou se é uma jogada para fazer passar as Scuts a norte. Se for esta última, a ideia deve ser de imediato repudiada pelas gentes do norte, antes de aceitarem deve estar assegurada a universalidade, as SCUTs são para serem praticadas em todo o país e não por razões partidárias.

Claro que esta ideia levanta um problema grosso, é que as receitas vêm por aí abaixo e quem vai pagar é o "utilizador/contribuinte" mas, enfim, do mal o menos!

Uma grande lição a tirar é que quando a sociedade civil está atenta e reage, os políticos pensam duas vezes e pensam melhor. Sem uma sociedade civil forte, este país não sai desta apagada tristeza, somos cada vez mais pobres e as diferenças cada vez maiores.Houve razões para que do 25 de Abril saíssem partidos fortes, mas após trinta e quatro anos essas razões desapareceram, há uma enorme contribuição que a sociedade civil pode e deve tomar em mãos.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O governo desapareceu!


Luís Moreira


Já se tinham índicios aqui e ali que o governo tinha desaparecido, mas desde que começou o campeonato mundial de futebol, além de desaparecido o "bom povo" esqueceu-se dele!

Temos pois um governo feito amanuense da sra. Merkel, sem margem de manobra, sem dinheiro e sem ideias. Repare-se que o não ter dinheiro é o melhor de tudo pois assim não há como gastá-lo mal, o que é uma enorme vantagem.O dinheiro na mão de um governo sem ideias é um desastre.

Mas podia aproveitar para fazer uma série de coisas importantes que se fazem sem dinheiro, mas claro que não dão gozo nenhum, embora sejam muio necessárias.Por exemplo, reduzir o número de deputados; reduzir as juntas de freguesia; reduzir o número de assessores nos gabinetes do governo e nas autarquias;reduzir a frota automóvel do estado;reduzir as empresas autarquicas e públicas;vender a RTP; fechar fundações, Comissões e outras coisas mais que não fazem nada e só servem para pagar segundos vencimentos...

Até podia ser durante o campeonato, a maioria não dava por isso, os horários é que devem permanecer flexíveis, dá sempre para ver a bola .

O PSD que quer ser governo devia estar a preparar todas estas medidas, como o orçamento Baze Zero que veio hoje a lume, uma técnica orçamental que tem décadas mas que cá no país rico, nunca foi utilizada.É que a Baze Zero quer dizer que se risca do orçamento tudo o que não é preciso, e isso ninguem está disposto a fazer.Mas é uma pena não se aproveitar agora, ainda para mais, com os 7 a 0 de hoje todo o "bom chefe de família" estaria muito mais receptivo a umas medidas draconianas.

Lá se vai mais uma oportunidade de ouro!