Carlos Leça da Veiga
Utopia que seja; quem quererá partilhá-la?
O homem pode ter, de si e do mundo em que vive, uma consciência tanto convergente com a realidade objectiva que o rodeia e de que é um reflexo como, pelo inverso, pode ter uma imaginada, distorcida ou, dito doutro modo, idealizada.
A consciência humana – o poder que o sujeito tem de conhecer-se, agente ou modificado – para ser um instrumento válido, de facto e de valor, tem de ser um reflexo objectivo do mundo real que o rodeia.
Na primeira circunstância, e na medida que os seus conhecimentos lho permitam, estará relativamente próximo da realidade, pelo que esse grau de esclarecimento nas múltiplas variedades do conhecimento assegurar-lhe-á uma muito melhor consciência, tanto da sua própria existência, como, daquela da organização e da estratificação da sociedade, das suas causalidades funcionais, das consequências daí advenientes, das suas mais variadas dependências e interdependências, daquilo de que deve orgulhar-se, do que deve saber recusar, do que pode reivindicar, de como deverá separar o bem do mal, do que deve condenar, ao que deve dedicar-se, das imensas injustiças sociais vividas e, sobretudo, reconhecer que, ao arrepio do que já deveria ser, nos nossos dias, tal como a sociedade humana, ainda, está gerida, a imensa maioria dos seres humanos, no mais essencial, nada mais é que mera mercadoria nas mãos e ás ordens dos grandes possidentes económicos.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
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